O McDonald's divulgou nesta quarta-feira resultados mistos no terceiro trimestre, com queda no tráfego de clientes nas lojas norte-americanas, ainda que o desempenho geral da companhia tenha superado as projeções de Wall Street. As ações da rede subiram cerca de 5% nas negociações da manhã, segundo a CNBC.
A rede registrou queda de 0,2% nas vendas em mesmas lojas nos Estados Unidos — unidades em operação há pelo menos 13 meses. Apesar da retração, o número veio melhor do que a baixa de 0,5% projetada por analistas consultados pela StreetAccount, conforme a CNBC.
O presidente-executivo Chris Kempczinski afirmou, segundo a CNBC, que a empresa ficou encorajada com a melhora observada ao longo do trimestre após as mudanças implementadas na estratégia de preços e promoções.
Retomada após meses fracos
De acordo com o diretor financeiro Ian Borden, em teleconferência com analistas citada pela CNBC, as vendas em mesmas lojas nos EUA voltaram a crescer em setembro, após quedas registradas em julho e agosto. Borden, no entanto, ponderou, em resposta a uma pergunta de analista, que isso não significa que o quarto trimestre necessariamente trará resultado melhor nos Estados Unidos.
Kempczinski já havia dito em agosto que a operação americana da companhia vinha falhando na execução, principalmente na forma como as ofertas de valor eram implementadas nas lojas. Assim como outras redes de fast-food, o McDonald's tem recorrido a descontos para atrair consumidores mais sensíveis a preço ao longo dos últimos dois anos.
Para reverter a queda nas vendas comparáveis, a empresa redirecionou parte de seu marketing para as chamadas Extra Value Meals e retomou promoções regionais e nacionais em seu aplicativo móvel, canal considerado relevante para os clientes mais frequentes, segundo a CNBC.
Novos menus de valor em teste
Executivos da companhia informaram, durante a teleconferência de resultados, que o McDonald's está testando dois formatos distintos de menu de valor nos Estados Unidos: um baseado em combinações livres de itens e outro com combos fixos pré-definidos. A opção que tiver melhor aceitação entre consumidores e franqueados será expandida para todo o território americano no início de 2027.
Números do trimestre
Segundo a CNBC, o McDonald's reportou lucro ajustado de US$ 3,57 por ação, acima da expectativa de US$ 3,38 projetada por analistas. A receita somou US$ 7,16 bilhões, abaixo da previsão de US$ 7,29 bilhões, com base em levantamento da LSEG.
O lucro líquido do terceiro trimestre foi de US$ 2,49 bilhões, ou US$ 3,51 por ação, ante US$ 2,28 bilhões, ou US$ 3,18 por ação, no mesmo período do ano anterior. Excluindo encargos de reestruturação e outros itens, o lucro ajustado por ação ficou em US$ 3,57.
A receita líquida da companhia cresceu 1%, para US$ 7,16 bilhões. As vendas em mesmas lojas em base global subiram 1,5%, impulsionadas pelos segmentos internacionais, superando a expectativa de alta de 1,3% estimada pela StreetAccount.
Força fora dos Estados Unidos
A divisão internacional de mercados licenciados em desenvolvimento, que inclui Japão e China, registrou crescimento de 4,2% nas vendas em mesmas lojas, acima da projeção de alta de 2,1% feita por analistas da StreetAccount.
Já a divisão internacional operada diretamente pela companhia, que reúne mercados como Austrália e Alemanha, teve alta de 1,4% nas vendas comparáveis — abaixo da expectativa de 2,1% dos analistas. Borden afirmou, segundo a CNBC, que a empresa está mantendo ou ganhando participação na maioria de seus grandes mercados internacionais, mesmo em um cenário de consumo mais fraco.
A França foi apontada como ponto de fraqueza. Kempczinski mencionou que os franqueados no país recentemente votaram uma estratégia para reverter o desempenho do negócio local. Além da economia mais fraca no país, a rede também enfrentou disrupções de curto prazo relacionadas a protestos estudantis, segundo a CNBC.
O que isso significa para o investidor
A reação positiva das ações do McDonald's reflete menos uma recuperação definitiva da operação americana e mais um alívio em relação a expectativas que já eram pessimistas. A melhora sinalizada por Borden em setembro é relevante, mas a própria companhia evitou prometer continuidade desse movimento no quarto trimestre, o que sugere cautela para quem acompanha o papel no curto prazo.
Para investidores com exposição a ações de consumo discricionário e varejo de alimentação, o resultado reforça um padrão observado em outras redes do setor: a dependência de promoções e ofertas de valor para sustentar tráfego em um ambiente de consumidor mais seletivo. O teste de dois formatos distintos de menu de valor, com decisão prevista para 2027, é um ponto a monitorar nos próximos trimestres, já que pode indicar se a estratégia de preços da marca está realmente se estabilizando.
Do ponto de vista geográfico, o desempenho mais forte das operações internacionais — especialmente em mercados como Japão e China — mostra que a tese de diversificação geográfica da companhia segue funcionando como contrapeso às dificuldades domésticas. Já a fraqueza na França, atribuída tanto a fatores macroeconômicos quanto a disrupções pontuais, é um lembrete de que exposição internacional também carrega riscos específicos de cada mercado, que merecem acompanhamento separado por parte de quem monitora a tese de investimento na empresa.
Agregado por AAR News · fonte: CNBC
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