Política · Eleições 2026

Lula acusa plano de corte de gastos de Flávio de mirar Bolsa Família

Em ato de campanha em Natal, presidente associa proposta de redução de despesas do adversário do PL a impacto sobre programas sociais

Lula acusa plano de corte de gastos de Flávio de mirar Bolsa Família
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, voltou a criticar neste sábado (10) a proposta de redução de gastos defendida por Flávio Bolsonaro, do PL, afirmando que a medida comprometeria programas voltados à população de baixa renda. A fala ocorreu durante caminhada pelo bairro do Alecrim, na região leste de Natal, no Rio Grande do Norte.

Segundo Lula, a iniciativa anunciada pelo adversário atingiria diretamente o Bolsa Família, o Farmácia Popular, o Pé-de-Meia e o Minha Casa, Minha Vida. Ele também sustentou que universidades e institutos federais ficariam sem parte dos recursos caso Flávio assuma a Presidência. Em discurso, o petista declarou: "Ninguém que é contra o povo pobre, que quer fazer tesouraço para cortar dinheiro do Bolsa Família, do Minha Casa, Minha Vida, do Farmácia Popular, dos institutos federais, do Pé-de-Meia, pode voltar a governar o país".

Os programas citados por Lula

O Bolsa Família é o mecanismo de transferência direta de renda a famílias em situação de pobreza. O Farmácia Popular disponibiliza remédios sem custo, com foco em tratamentos de doenças crônicas. O Pé-de-Meia funciona como um incentivo financeiro para que jovens permaneçam matriculados no ensino médio, enquanto o Minha Casa, Minha Vida subsidia a aquisição de imóveis por famílias de menor renda.

A resposta de Flávio Bolsonaro

O candidato do PL rebate publicamente as acusações, negando que pretenda eliminar ou reduzir benefícios sociais. De acordo com Flávio, a economia de recursos viria de uma reorganização da estrutura administrativa do Estado, com diminuição do número de cargos de confiança e enxugamento geral da máquina pública. Seu programa de governo também prevê a extinção de ao menos dez ministérios, uma revisão da reforma tributária aprovada anteriormente e a retomada de processos de privatização. O documento, no entanto, não apresenta estimativas de quanto cada uma dessas ações economizaria aos cofres públicos, e analistas têm colocado em dúvida a viabilidade desse potencial de corte.

Simbolismo e discurso antiamericano

Natal foi escolhida como a primeira cidade fora de Brasília visitada por Lula após o encerramento do primeiro turno. Durante o ato, o presidente segurou uma bandeira nacional e a beijou, contrapondo o gesto à postura do adversário: segundo Lula, enquanto seu grupo político presta reverência ao símbolo brasileiro, a campanha de Flávio estaria alinhada aos interesses dos Estados Unidos. Em falas recentes, o petista tem reforçado que uma eventual vitória de Flávio resultaria na entrega de recursos minerais estratégicos do país ao governo de Donald Trump, de quem o candidato do PL mantém proximidade política. Lula também tem levantado suspeitas de que a administração americana estaria tentando influenciar o resultado da disputa eleitoral brasileira.

Mobilização para o segundo turno

Encerrando o discurso em Natal, Lula pediu que seus apoiadores busquem convencer eleitores que deixaram de comparecer às urnas na primeira etapa da votação a participar do segundo turno, marcado para o fim de outubro. O presidente destacou que o comparecimento no primeiro turno ficou abaixo do esperado, com um volume expressivo de eleitores ausentes, o que classificou como um patamar não visto há décadas.

O que isso significa para o investidor

A disputa eleitoral segue como o principal vetor de incerteza para os mercados brasileiros no curto prazo, à medida que os dois candidatos adotam retóricas opostas sobre gestão fiscal: de um lado, a defesa da manutenção de programas sociais; de outro, a promessa de corte de gastos sem detalhamento numérico do impacto orçamentário. Essa indefinição sobre o desenho da política fiscal futura tende a manter a volatilidade em ativos sensíveis ao risco-país, como câmbio e juros futuros, até que haja maior clareza sobre o resultado do pleito.

Como mostrou o AAR News, Flávio Bolsonaro tem intensificado sua agenda de campanha na reta final, repetindo promessas de campanha e buscando consolidar apoio em praças estratégicas. Para o investidor, o acompanhamento das propostas fiscais de ambos os candidatos — especialmente a ausência de detalhamento sobre a real economia gerada por reformas administrativas — é um ponto relevante para avaliar a sustentabilidade das contas públicas no próximo mandato.

Em paralelo, o cenário de juros doméstico e externo continua no radar dos investidores. A Ágora já havia destacado que o descompasso entre a trajetória de cortes da Selic no Brasil e a manutenção de juros elevados nos Estados Unidos abre espaço para migração de recursos à renda variável — um movimento que pode ser afetado, para melhor ou para pior, pela definição do resultado eleitoral e pelas sinalizações fiscais que vierem a seguir. Investidores devem monitorar de perto novos pronunciamentos de ambos os candidatos sobre gastos públicos e reformas, já que esses discursos tendem a influenciar a precificação de ativos locais até a conclusão do segundo turno.

Agregado por AAR News · fonte: InfoMoney

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos