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Lucro recorde das petroleiras eleva pressão sobre Trump às vésperas das eleições

Exxon, Chevron e Shell registram ganhos bilionários no 3º trimestre, enquanto consumidores pagam o preço mais alto da gasolina já visto para o período

Lucro recorde das petroleiras eleva pressão sobre Trump às vésperas das eleições
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As maiores petroleiras do mundo fecharam o terceiro trimestre com lucros excepcionais, justamente no período em que a guerra entre Estados Unidos e Irã elevou os preços globais do petróleo e levou a gasolina americana ao patamar mais caro já registrado para a época do ano. O contraste entre o resultado corporativo e o custo no bolso do consumidor virou tema sensível para a administração Trump, a poucos meses das eleições de meio de mandato.

A ExxonMobil informou lucro de 15,4 bilhões de dólares no trimestre, mais que o dobro do valor apurado um ano antes. A Chevron, por sua vez, reportou lucro ajustado de 10,4 bilhões de dólares, alta de 186% na mesma base de comparação. Analistas de mercado projetam que ambas as companhias podem encerrar o ano fiscal com recordes históricos de lucro anual.

Gasolina mais cara, combustível mais caro para todos

Segundo dados da AAA, o preço médio nacional da gasolina nos Estados Unidos ficou em 4,12 dólares o galão no terceiro trimestre, alta de 96 centavos frente ao mesmo período do ano anterior e o maior valor já registrado para um terceiro trimestre. O impacto não se limita aos motoristas comuns: produtores rurais enfrentam dificuldade para custear o diesel usado em equipamentos durante a colheita, e famílias em algumas regiões pagam valores recordes pelo óleo de aquecimento residencial.

De acordo com levantamento da Moody's Analytics, as famílias americanas já desembolsaram, em média, 1.184 dólares a mais desde o início do conflito, somando os gastos adicionais com gasolina, diesel e combustível de aviação.

Trump defende lucro do setor como sinal positivo

Em evento de campanha na Geórgia no último sábado, o presidente Donald Trump tratou os ganhos bilionários das petroleiras como um benefício para o país. Ele afirmou que o país está lucrando centenas de bilhões de dólares por causa do que ocorre no Oriente Médio, citando que empresas estão migrando produção para Texas, Oklahoma e Louisiana para extrair petróleo, e declarou: "We're making a freaking fortune".

A Casa Branca saiu em defesa da fala do presidente. Em nota à CNN, um porta-voz afirmou que Trump está apontando para a posição dos Estados Unidos como maior produtor e exportador de petróleo do mundo, e que o chamado domínio energético americano fortaleceu a segurança nacional e tornou o país mais rico.

A petroleira britânica Shell também surfou a alta dos preços: a companhia, sediada em Londres, reportou lucro de 12 bilhões de dólares no terceiro trimestre, salto de 127% em relação ao mesmo período do ano passado.

Trump entre os acionistas beneficiados

As ações da ExxonMobil e da Chevron acumulam alta de 52% no ano até o fechamento de quinta-feira, e ambas subiram mais de 1% no pregão pré-mercado de sexta-feira, na esteira da divulgação dos balanços trimestrais.

Parte desse movimento favorece diretamente o próprio presidente. Um levantamento do Comitê Econômico Conjunto do Congresso, conduzido por parlamentares democratas, apontou que a participação de Trump nessas companhias cresceu em até 35,8 milhões de dólares no primeiro semestre deste ano, com base em seus documentos de divulgação financeira — elevando o total de suas posições líquidas em petróleo e gás a até 81,6 milhões de dólares. O mesmo levantamento identificou que 94% das compras de ativos de petróleo e gás feitas por Trump em 2026 ocorreram depois do início da guerra.

A Casa Branca rejeitou qualquer irregularidade nos ganhos obtidos por Trump com ações do setor petrolífero, atribuindo o resultado ao desempenho positivo do mercado acionário sob sua gestão, que teria gerado ganhos reais para empresas americanas e famílias trabalhadoras. O porta-voz Davis Ingle declarou que nem o presidente nem qualquer membro de sua família têm qualquer capacidade de direcionar, influenciar ou opinar sobre como o portfólio é investido ou sobre o momento de compra e venda de ativos, afirmando que todas as decisões de investimento são tomadas exclusivamente por gestores independentes e que não há conflitos de interesse.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha o setor de energia, o episódio reforça um padrão conhecido: choques geopolíticos que elevam o preço do petróleo tendem a beneficiar diretamente as margens das grandes petroleiras, mesmo quando penalizam o consumidor final. A trajetória de Exxon, Chevron e Shell no trimestre mostra como companhias integradas capturam valor em cenários de tensão nos mercados de commodities energéticas, o que já havia sido observado na cobertura do AAR sobre disputas comerciais e benefícios setoriais ligados a decisões políticas, como no caso das isenções tarifárias investigadas pelo deputado Jamie Raskin.

O dado sobre o crescimento do patrimônio de Trump em ativos de petróleo e gás, somado ao fato de que a maior parte de suas compras recentes ocorreu após o início do conflito, é um ponto que tende a alimentar debate político e escrutínio regulatório nos próximos meses — fator que investidores institucionais costumam monitorar quando há sobreposição entre decisões de política externa e exposição patrimonial de autoridades.

No curto prazo, o investidor com exposição a ações do setor de óleo e gás deve acompanhar se o ciclo de lucros recordes se sustenta à medida que o conflito no Oriente Médio evolui, já que a alta nos preços de gasolina, diesel e combustível de aviação é o outro lado da mesma equação — e pode se traduzir em pressão inflacionária e desgaste político capaz de influenciar decisões regulatórias sobre o setor energético nos Estados Unidos.

Agregado por AAR News · fonte: CNN

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos