A Chevron não divulga uma margem de refino isolada e comparável a outras companhias, mas informou na sexta-feira que seus resultados de downstream mais que quadruplicaram na comparação anual, somando US$ 4,9 bilhões. A empresa atribuiu o salto a margens mais altas nas vendas de produtos refinados, segundo a CNBC.
O cenário ocorre em meio a uma oferta restrita de combustíveis refinados e pressão sobre a produção das refinarias em escala global. Isso acontece mesmo com petroleiras informando, ao longo da semana, que operam suas instalações próximas da capacidade máxima na tentativa de atender à demanda.
Por que a oferta está apertada
Além da alta nas margens de produtos refinados, o aumento dos preços do petróleo bruto também sustentou os resultados de algumas majors integradas — companhias que atuam tanto na exploração e produção (upstream) quanto no refino (downstream).
Segundo a reportagem, os lucros dessas empresas têm subido de volta a patamares vistos pela última vez durante o choque energético de 2022, período que se seguiu à invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia.
O movimento de alta nos resultados contrasta com o que consumidores enfrentam: preços de energia mais altos no dia a dia.
Analistas ouvidos pela CNBC apontam que iniciativas políticas voltadas a conter os preços — como a liberação de estoques emergenciais de diesel e um acordo entre Estados Unidos e Rússia para ampliar o fornecimento de diesel ao mercado global — podem ter efeito limitado, a menos que ampliem de fato a oferta disponível, a demanda arrefeça ou as tensões geopolíticas diminuam.
Raphael Portela, diretor de estratégia corporativa e analytics da consultoria de energia Wood Mackenzie, disse à CNBC que os barris de petróleo bruto ainda estão saindo do Golfo em meio ao conflito, mas pagando "um prêmio de frete elevado", enquanto o diesel e o combustível de aviação que esses barris normalmente gerariam, em grande parte, não estão chegando ao mercado.
Segundo ele, as paralisações nas refinarias russas somadas à proibição de exportações tiraram "uma segunda fatia" do estoque global de produtos refinados.
Portela listou as condições necessárias para que o aperto se encerre: retorno da oferta de produtos, baseado em maior disponibilidade de petróleo bruto para o setor de refino global, incluindo a retomada das refinarias do Golfo e o retorno das exportações russas.
Ele acrescentou que um eventual acordo envolvendo o Estreito de Ormuz afetaria rapidamente as margens pelo efeito no sentimento do mercado, mas, com os estoques tão reduzidos como estão hoje, o aperto físico deve persistir bem adiante, até 2027.
O que isso significa para o investidor
Os números da Chevron confirmam que o elo mais lucrativo da cadeia do petróleo, neste momento, não é necessariamente a extração, mas o refino — um ponto que tende a atrair atenção regulatória e política, especialmente nos Estados Unidos, onde o tema dos lucros das petroleiras já esteve na mira do governo Trump, segundo a própria manchete da CNBC.
Vale lembrar que o escrutínio político sobre benefícios concedidos por Trump a setores específicos não é inédito: a AAR News já noticiou que o deputado democrata Jamie Raskin cobrou registros sobre isenções tarifárias concedidas a carne brasileira, diamantes e smartphones, associando o tema a doações recebidas pelo presidente. Embora se trate de outro episódio, o pano de fundo é semelhante — a interseção entre decisões de política comercial e energética e os interesses de grandes conglomerados.
Para quem investe em majors integradas de petróleo, o cenário descrito por Portela sugere que o aperto nas margens de refino não deve ser revertido no curto prazo, já que depende de fatores estruturais como a normalização das exportações russas e a retomada plena das refinarias do Golfo — processos que, segundo o próprio analista, podem se estender até 2027.
Isso reforça a tese de que resultados como o da Chevron não são necessariamente pontuais, mas refletem um desequilíbrio de oferta que tende a persistir enquanto as tensões geopolíticas em torno da Rússia e do Oriente Médio não forem resolvidas. Investidores devem acompanhar de perto sinais de mudança nesses dois fronts, além de qualquer novo movimento político nos EUA que vise taxar ou regular os lucros extraordinários do setor.
Agregado por AAR News · fonte: CNBC
Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos