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LSE pede incentivos para frear êxodo de empresas para os EUA

Presidente-executiva da bolsa de Londres diz ao governo britânico que é preciso tornar mais atrativo investir em ações domésticas

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A dirigente máxima da Bolsa de Valores de Londres (LSE), Dame Julia Hoggett, afirmou à BBC que o Reino Unido precisa adotar medidas concretas para apoiar suas próprias companhias, num momento em que um número crescente delas opta por listar ações nos Estados Unidos em vez de permanecer no mercado britânico.

Segundo Hoggett, o governo precisa tornar o investimento na bolsa britânica mais atrativo; caso contrário, grandes empresas continuarão buscando no exterior o financiamento para sua próxima fase de crescimento. Nos últimos anos, diversas companhias de peso deixaram o mercado londrino, estão avaliando uma mudança ou foram adquiridas por investidores estrangeiros privados. O temor, segundo a reportagem da BBC, é que esse movimento enfraqueça a economia britânica ao reduzir a arrecadação tributária e deprimir as avaliações de mercado das empresas.

'Tirar o freio de mão'

Em entrevista ao podcast Big Boss Interview, da BBC, Hoggett disse que, se a intenção é que a Grã-Bretanha apoie suas próprias empresas — algo que, segundo ela, tem ouvido do chanceler do Tesouro e do primeiro-ministro —, é preciso criar incentivos estruturais para isso. Em suas palavras, é necessário 'tirar o freio de mão'.

O mercado principal da LSE reúne cerca de 930 companhias, com valor de mercado total em torno de £4,9 trilhões. Quase 40% dessas empresas são negócios internacionais, originários de mais de 80 países.

Nos últimos anos, porém, diversas companhias deixaram a bolsa londrina ou migraram para outros mercados. A rede de delivery Just Eat passou a integrar a bolsa de Amsterdã, o grupo de turismo Tui optou por Frankfurt, e a Flutter, dona da casa de apostas Paddy Power, agora é negociada em Nova York.

'Parar de jogar sombra sobre nós mesmos'

Ao mesmo tempo, o número de empresas que passaram a listar ações em Londres pela primeira vez tem diminuído. No ano passado, houve 23 ofertas públicas iniciais (IPOs) no mercado londrino, somando £2,1 bilhões captados. Nos Estados Unidos, cujo mercado de capitais é muito maior, foram 354 IPOs, com US$ 44 bilhões (£33 bilhões) captados.

Esse quadro coincidiu com um aumento expressivo do volume de capital britânico direcionado a ações americanas, em busca de melhores retornos. Hoggett comentou que o país fala em querer crescimento em todos os cantos do território, mas, na prática, parte considerável dos recursos britânicos está financiando o crescimento de outras economias.

Segundo ela, não falta ao Reino Unido nem boas empresas nem capital disponível. O que existe, afirmou, é um sentimento negativo em relação ao mercado britânico — muitas vezes exagerado — que já contribuiu para a saída de companhias no passado. Hoggett defendeu que o país precisa parar de depreciar a si mesmo, descrevendo isso como um hábito nacional.

Apesar disso, a executiva reconheceu que a população britânica precisa de mais incentivos para investir em ações do próprio país. Ela defende o fim da taxa de 0,5% cobrada dos britânicos na compra de ações do Reino Unido, destacando que não há cobrança equivalente na aquisição de ações estrangeiras.

Hoggett também apoia a criação de créditos fiscais para quem investe no mercado doméstico, nos moldes de um programa que existiu no país até 2016.

A Confederação da Indústria Britânica (CBI), grupo de lobby empresarial, já havia pedido ação urgente para conter a saída de empresas da Bolsa de Londres. A entidade afirmou que regulação mais leve, melhor divulgação do mercado e incentivos para investidores são necessários para reverter esse fluxo.

O governo britânico não confirmou se uma reforma do mercado acionário fará parte do Orçamento deste mês. Um porta-voz declarou que decisões sobre tributação cabem ao chanceler do Tesouro anunciar em eventos fiscais específicos, e não ser comentadas rotineiramente com base em rumores, especulações ou propostas.

O que isso significa para o investidor

O debate britânico ilustra um fenômeno que interessa a quem acompanha mercados fora dos Estados Unidos: a concorrência entre praças financeiras por listagens e capital tornou-se mais aguda, e bolsas tradicionais como a de Londres sentem a pressão de um mercado americano mais líquido e com captações de IPO muito superiores, como mostram os números citados por Hoggett.

Para investidores brasileiros com exposição internacional, o episódio reforça um ponto relevante: decisões sobre onde listar uma empresa e para onde direcionar capital não são neutras, e tendem a seguir o fluxo de liquidez e os incentivos tributários oferecidos por cada jurisdição. Mudanças como a eventual extinção da taxa sobre compra de ações no Reino Unido, se confirmadas no Orçamento, podem alterar o apetite de capital doméstico britânico por ativos locais — um movimento a ser observado por quem tem fundos ou ETFs com exposição ao mercado do Reino Unido.

Vale acompanhar também a resposta do governo britânico nas próximas semanas, já que o Executivo evitou confirmar se haverá reforma tributária relacionada ao mercado acionário no Orçamento deste mês. Qualquer sinalização nesse sentido pode impactar a atratividade relativa da LSE frente a outras bolsas, com reflexos sobre a valorização de ativos listados em Londres e sobre o fluxo de novas aberturas de capital na praça britânica.

Agregado por AAR News · fonte: BBC

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