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JPMorgan, Goldman, Wells Fargo e Citi fecham rodada de balanços de terça

Bancos trazem leitura mista sobre banco de investimento, consumidor e riscos do boom de IA, segundo chamadas com analistas citadas pela CNBC

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A divulgação de resultados do terceiro trimestre dos grandes bancos norte-americanos avançou nesta terça-feira, com JPMorgan, Goldman Sachs, Wells Fargo e Citigroup detalhando seus números em teleconferências com analistas, segundo cobertura da CNBC. Bank of America e Morgan Stanley completam o calendário na quarta-feira, fechando o ciclo trimestral das principais instituições financeiras do país.

A chamada do Citigroup foi a última do dia, encerrando a sequência de relatórios da manhã. Entre os temas centrais discutidos pelos executivos estiveram a saúde do consumidor americano, a trajetória das receitas de banco de investimento e os riscos ligados ao financiamento da expansão de infraestrutura de inteligência artificial.

Wells Fargo: consumidor segue resiliente

O diretor financeiro do Wells Fargo, Mike Santomassimo, afirmou à CNBC que tanto famílias quanto empresas apresentam comportamento sólido, mesmo diante de preços de combustíveis mais elevados. Segundo ele, os dois lados da equação conseguiram absorver essa pressão sem que isso se traduzisse em deterioração relevante nos indicadores de inadimplência que sinalizasse estresse de curto prazo no horizonte atual.

Santomassimo descreveu os resultados subjacentes do banco como fortes, citando ganho de impulso em todas as linhas de negócio. Ele apontou que a margem de juros líquida mostra estabilização das tendências de fundo e que o ambiente de juros mais altos já começa a beneficiar os resultados prospectivos, com oportunidades tão relevantes quanto as observadas no trimestre anterior.

O presidente-executivo do banco, Charlie Scharf, reforçou essa leitura, dizendo que a base de clientes da instituição permanece robusta. Segundo ele, os critérios de concessão de crédito já reconhecem que, em algum momento, as condições do consumidor vão enfraquecer, mas não há, até agora, sinais concretos disso — ainda que os ciclos econômicos sejam, em suas palavras, inevitáveis.

Scharf também descreveu o atual momento de investimento em inteligência artificial como uma força macroeconômica complexa por si só. Segundo ele, a procura por semicondutores, equipamentos de rede, geração de energia, infraestrutura de data centers, sistemas de refrigeração, armazenamento, cibersegurança e maquinário de manufatura avançada continua em expansão acelerada.

O executivo ponderou que a escala desses investimentos lembra ciclos anteriores de construção de infraestrutura, trazendo oportunidades relevantes, mas também riscos associados ao alto endividamento usado para financiar essas obras e à pressão altista sobre preços em cadeias de suprimento específicas. O Wells Fargo afirmou ainda estar dedicando atenção significativa da sua liderança ao tema da inteligência artificial.

Citigroup: consumidor segue puxando o crescimento global

A presidente-executiva do Citigroup, Jane Fraser, disse aos analistas que o ambiente macroeconômico perdeu força ao longo do terceiro trimestre, mas que a economia global se manteve surpreendentemente bem. Segundo ela, mesmo com toda a atenção dada ao avanço da inteligência artificial nos Estados Unidos, é o consumidor quem continua sustentando boa parte do crescimento do país.

Fraser destacou que o mercado de trabalho permanece estável e que as empresas seguem ativas, o que sustenta uma visão positiva para a economia no curto prazo. Ela acrescentou que os clientes do banco permanecem engajados e em situação financeira saudável, reforçando o tom construtivo da gestão sobre o cenário à frente.

A executiva também tratou de cibersegurança, afirmando que o banco trata o tema como prioridade estratégica enquanto expande o uso de inteligência artificial em toda a organização. Segundo ela, a postura do Citigroup é antecipar ameaças em vez de reagir a elas, já que gerenciar risco faz parte do cotidiano da instituição e a defesa digital não é exceção a essa lógica.

Receitas de banco de investimento resistem, mas recuam na comparação trimestral

As receitas de banco de investimento das quatro instituições que reportaram na terça-feira, de modo geral, superaram ou alcançaram as projeções anteriores dadas pelos próprios bancos, segundo a CNBC. Ainda assim, todas registraram queda na comparação com o segundo trimestre.

No JPMorgan, a receita de banco de investimento cresceu 14% na comparação anual, mas recuou 8% frente ao trimestre imediatamente anterior. O diretor financeiro da instituição, Jeremy Barnum, descreveu o funil de operações futuras como muito robusto, sugerindo que a desaceleração trimestral não reflete enfraquecimento estrutural da demanda.

No Goldman Sachs, o presidente-executivo David Solomon fez coro a essa avaliação, embora tenha evitado afirmar se a atividade de mercado de capitais já atingiu seu pico. O banco reportou receitas de banco de investimento 21% superiores às do mesmo período do ano anterior, mas 5% inferiores às do segundo trimestre.

Solomon explicou que as aberturas de capital concluídas em setembro refletiam conversas sobre expectativas de avaliação iniciadas ainda em maio e junho, e que as condições ficaram um pouco mais apertadas em setembro. Segundo ele, a janela para IPOs seguia aberta, mas empresas que esperavam determinada avaliação e receberam propostas entre 10% e 15% abaixo do pretendido simplesmente optaram por adiar a operação em vez de seguir adiante.

O executivo acrescentou que toda a inovação tecnológica em curso, somada à atividade ligada à infraestrutura de inteligência artificial, funciona como um lastro consistente para a atividade de mercado de capitais daqui para frente — sem que isso signifique ausência de solavancos ao longo do caminho.

O Citigroup registrou a maior retração trimestral entre os quatro bancos, com receitas de banco de investimento 13% menores que no período anterior. Já o Wells Fargo reportou queda de 5% na mesma linha de negócio frente ao segundo trimestre.

Solomon alerta para riscos no financiamento da expansão de IA

Solomon ponderou que o boom de infraestrutura de inteligência artificial pode passar por um ajuste doloroso caso custos de financiamento mais altos ou excesso de capacidade comprometam a economia de alguns projetos de data center. Segundo ele, haverá um volume expressivo de operações de financiamento pela frente, e o Goldman Sachs pretende estar no centro dessas transações.

Ele observou que, à medida que as necessidades de financiamento crescerem, pode haver pressão sobre as taxas cobradas, o que afetaria o retorno e a viabilidade de determinados projetos — nem todos, segundo ele, serão recebidos da mesma forma pelo mercado.

Por ora, a demanda por capacidade computacional segue forte e a oferta ainda não acompanhou esse ritmo, o que significa que mais infraestrutura será construída e mais financiamento, vindo do Goldman e de outras instituições, será necessário. Solomon reconheceu ser impossível prever quando esse ajuste ocorrerá ou como a tecnologia vai evoluir, chamando essa incerteza de algo com que o setor precisa conviver. Segundo ele, em algum momento haverá essa recalibração, e quando ela acontecer, é natural que surjam percalços.

Solomon rebate especulação sobre sucessão no comando

O presidente-executivo do Goldman Sachs negou publicamente que exista qualquer processo de transição de liderança em andamento na instituição. No mês anterior, veículos de imprensa haviam citado fontes anônimas segundo as quais Solomon seria substituído no comando pelo presidente do banco, John Waldron, já no ano seguinte, por meio de uma votação do conselho que poderia ocorrer em poucos meses, conforme reportado pelo The Wall Street Journal.

Durante a teleconferência de resultados, Solomon afirmou categoricamente que não há transição de sucessão nem cronograma definido em curso no Goldman Sachs. Ele disse que o conselho e ele próprio estão concentrados exclusivamente na estratégia de crescimento da firma e no atendimento aos clientes.

O executivo também destacou as perspectivas futuras de expansão do banco, dizendo que sua equipe de liderança está voltada a ampliar a franquia e acelerar o crescimento dos lucros nos próximos anos. Ele afirmou estar satisfeito com os resultados do esforço coletivo da equipe nesse momento e disse estar gostando do trabalho à frente da instituição.

O que isso significa para o investidor

A leitura conjunta dos quatro balanços confirma o pano de fundo descrito pelo AAR News antes da temporada: o setor financeiro chegava a esta rodada de resultados sendo negociado atrás do S&P 500, com o mercado de opções precificando movimentos relevantes para papéis como Goldman Sachs, JPMorgan, Citigroup e Wells Fargo. Os números divulgados nesta terça-feira reforçam que a resiliência do consumidor americano e a atividade de banco de investimento seguem como vetores-chave para a reação dos papéis do setor.

Para quem acompanha essas ações no Brasil, o ponto mais relevante talvez seja o alerta de Solomon sobre os riscos de financiamento ligados à expansão de infraestrutura de inteligência artificial. A fala sugere que, mesmo com demanda forte por capacidade computacional, o mercado deve observar de perto o custo de capital e o grau de alavancagem usados nesses projetos, já que uma eventual recalibração nas taxas pode pressionar a viabilidade de parte dos investimentos em curso.

Outro ponto a monitorar é a queda sequencial nas receitas de banco de investimento em todos os quatro bancos, mesmo com crescimento anual positivo em alguns casos. Isso indica que, embora o ambiente de capital markets permaneça favorável em termos estruturais, o ritmo trimestral pode ser mais volátil do que sugerem os números anuais — um fator relevante para quem monitora o desempenho desse segmento como termômetro da atividade corporativa nos Estados Unidos.

Por fim, a disputa em torno da sucessão no Goldman Sachs, negada por Solomon, é um fator de governança que investidores devem acompanhar nos próximos meses. Rumores desse tipo tendem a gerar ruído adicional sobre a ação do banco até que haja clareza definitiva sobre a liderança da instituição, especialmente após os resultados de quarta-feira de Bank of America e Morgan Stanley completarem o quadro da temporada.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos