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Inflação nos EUA sobe mais que o previsto às vésperas das eleições de meio de mandato

CPI avança a 3,7% em setembro, puxado por combustíveis, em meio a efeitos de tarifas e tensão no Oriente Médio, segundo a BBC

Inflação nos EUA sobe mais que o previsto às vésperas das eleições de meio de mandato
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A inflação ao consumidor nos Estados Unidos acelerou mais do que o mercado esperava em setembro, segundo dados oficiais citados pela BBC, no último indicador divulgado antes das eleições de meio de mandato do próximo mês. O índice de preços ao consumidor (CPI) passou de 3,4% em agosto para 3,7% na comparação anual, superando as projeções e reacendendo o debate sobre custo de vida que domina a disputa eleitoral americana.

De acordo com a reportagem, o avanço foi puxado principalmente pelos preços dos combustíveis automotivos, que dispararam após distúrbios no fornecimento de energia no Oriente Médio provocados pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O tema do custo de vida é central na campanha para o Congresso americano, segundo a BBC.

Como funciona o CPI

A BBC explica que a inflação mede o ritmo em que os preços de produtos e serviços sobem ao longo do tempo — se um item passa de US$ 1 para US$ 1,10 em um ano, a inflação anual daquele bem é de 10%. Nos Estados Unidos, o Bureau of Labor Statistics (BLS) calcula esse indicador por meio do CPI, que acompanha centenas de itens do dia a dia, como alimentos frescos, gasolina e serviços médicos, para chegar ao nível geral de preços da economia. Essa cesta de consumo é revisada periodicamente para refletir mudanças nos hábitos de gasto da população.

Os motores da alta de preços

Segundo a matéria, a inflação pode subir por dois caminhos principais: quando a demanda por um produto supera a oferta disponível, como no fenômeno recente dos bonecos Labubu, cujos preços de revenda dispararam por causa da procura; ou quando a oferta de um bem recua enquanto a demanda se mantém, como ocorre com o petróleo bruto. A BBC lembra ainda que rendas mais altas também podem elevar a demanda e, por consequência, os preços.

No caso específico do petróleo, o barril era negociado a pouco mais de US$ 70 antes do início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Com a restrição no fornecimento de petróleo bruto provocada pela guerra, a cotação subiu rapidamente e, segundo a reportagem, está atualmente acima de US$ 100 por barril.

O detalhamento dos números de setembro

Os preços dos combustíveis para veículos subiram 34,2% em 12 meses, de acordo com os dados citados pela BBC. Somente em setembro, o avanço foi de 9,1%, respondendo, segundo o Bureau of Labor Statistics, por mais da metade do aumento total da inflação no mês.

A inflação de energia como um todo avançou 20,4% no acumulado de 12 meses, com alta nos preços de combustível, serviços de energia e eletricidade. O óleo combustível usado em aquecimento residencial subiu 74,2% no período, segundo a reportagem.

A matéria destaca que especialistas apontam que o Federal Reserve, autoridade que define os juros do país, vai acompanhar de perto se esse custo energético mais elevado começa a contaminar outras áreas da economia, como os preços de alimentos, pressionando ainda mais a inflação geral.

Por ora, a inflação de alimentos segue contida: ficou estável em setembro na comparação mensal e acumulou alta de 2,5% em 12 meses. Já o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, ficou em 2,6% no período, segundo os dados do BLS reproduzidos pela BBC.

O papel das tarifas de Trump

A reportagem relembra que, desde que assumiu o segundo mandato, o presidente Donald Trump impôs tarifas à maior parte dos parceiros comerciais dos Estados Unidos. Embora a Suprema Corte tenha declarado ilegais a maior parte dessas sobretaxas globais em fevereiro, Trump anunciou de imediato uma nova tarifa global de 10% para substituí-las.

Segundo a BBC, o presidente argumenta que as tarifas aumentam a arrecadação do país, estimulam a manufatura doméstica e incentivam o consumo de produtos fabricados nos Estados Unidos. Mas pesquisa do Federal Reserve Bank de Nova York, citada na matéria, mostra que essas tarifas também vêm pressionando a inflação.

O levantamento do Fed de Nova York constatou que os exportadores estrangeiros reduziram muito pouco seus preços em resposta às novas tarifas, o que significa que as empresas americanas acabaram absorvendo quase 90% do custo adicional da taxação. Indiretamente, as tarifas também afetaram os preços de bens produzidos localmente, já que muitos fabricantes americanos dependem de peças e insumos importados.

De acordo com o estudo citado pela BBC, cada ponto percentual de aumento na tarifa média resultou em uma alta de quase 0,25% nos preços de bens de consumo um ano depois.

Comparação com picos anteriores

A reportagem pondera que, mesmo acima da meta de 2% do Federal Reserve, a inflação atual está longe dos níveis vistos em anos recentes. Durante a pandemia de Covid-19, problemas nas cadeias de suprimento começaram a empurrar os preços para cima. Em 2022, a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia fez o petróleo ultrapassar os US$ 100 por barril, e a combinação desses dois fatores levou a inflação americana a um pico de cerca de 9%, segundo a BBC.

Desinflação não é o mesmo que queda de preços

A matéria faz questão de esclarecer um ponto frequentemente confundido: quando a inflação sobe a um ritmo mais lento, isso não significa que os preços estejam caindo — apenas que estão subindo de forma mais branda. Um pouco de inflação é considerado saudável para uma economia, e por isso o Federal Reserve mantém uma meta ao redor de 2%, nível que muitos bancos centrais consideram estável o suficiente para não distorcer as decisões de consumo das famílias.

Segundo a BBC, quando a inflação fica muito abaixo desse patamar, consumidores podem adiar compras na expectativa de preços ainda menores no futuro, o que leva empresas a cortar salários ou reduzir o número de trabalhadores para se ajustar a uma demanda mais fraca.

O que isso significa para o investidor

Um CPI acima do esperado às vésperas de eleições de meio de mandato tende a manter o Federal Reserve em postura cautelosa quanto a cortes de juros, já que o banco central monitora justamente o risco de o choque energético se espalhar para outras categorias de preços, como alimentos. Para quem investe em ativos de renda fixa e câmbio atrelados ao dólar, a leitura mais importante não é apenas o número cheio de 3,7%, mas a composição: energia puxando o índice, enquanto o núcleo em 2,6% e os alimentos em 2,5% ainda sugerem que a pressão inflacionária não se espalhou de forma generalizada pela economia americana.

O componente tarifário, levantado pelo Fed de Nova York e citado pela BBC, é outro ponto a acompanhar: se as empresas americanas continuarem absorvendo a maior parte do custo das tarifas de Trump, como mostrou o estudo, há um canal persistente de repasse a preços que pode se manter ativo mesmo sem novos choques geopolíticos. Investidores expostos a setores importadores ou dependentes de insumos estrangeiros tendem a sentir esse efeito de forma mais direta.

Por fim, o pano de fundo geopolítico — o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e seu impacto sobre o petróleo, que segundo a reportagem passou de cerca de US$ 70 para acima de US$ 100 o barril — reforça a sensibilidade de ativos de energia e de moedas emergentes a novos episódios de instabilidade na região. Para quem monta carteira no Brasil, o desdobramento mais relevante a monitorar nas próximas semanas é se o Fed sinaliza mudança de rota nos juros à luz desses dados, movimento que historicamente reverbera sobre o dólar, os juros locais e o apetite por risco em mercados como o brasileiro.

Agregado por AAR News · fonte: BBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos