Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano subiram nesta quarta-feira após a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de setembro, que veio acima do esperado pelo mercado, segundo a CNBC.
A taxa da nota de 10 anos, referência para hipotecas, financiamentos de veículos e dívidas de cartão de crédito, avançou mais de 7 pontos-base, para 5,289%, atingindo o maior patamar desde 8 de outubro, de acordo com a reportagem.
O rendimento do título de 30 anos, que costuma reagir mais a eventos geopolíticos, subiu mais de 3 pontos-base, para 5,602%. Já a nota de 2 anos, que acompanha de perto as decisões de juros do Federal Reserve, avançou mais de 10 pontos-base, para 4,895%, após ter alcançado anteriormente o maior nível desde 29 de setembro, informa a CNBC.
A reportagem lembra que um ponto-base equivale a 0,01%, ou um centésimo de 1%, e que os rendimentos e os preços dos títulos se movem em direções opostas.
CPI acima das projeções
Segundo o levantamento citado pela CNBC, o índice de preços ao consumidor subiu 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior em setembro, acima da estimativa de consenso da Dow Jones, de 3,6%. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, veio em 2,6% em base anualizada, também acima da projeção de 2,5%.
A divulgação ocorre a apenas duas semanas da próxima decisão de juros do Federal Reserve, aponta a reportagem.
Fed pode precisar subir juros por mais tempo
Com a inflação se mostrando persistente, o banco central americano pode precisar elevar os juros a um patamar mais alto e mantê-los assim por mais tempo em 2027, avaliou Christopher Rupkey, economista-chefe da Fwdbonds, em declarações reproduzidas pela CNBC.
"Os otimistas com títulos deram meia-volta e estão correndo na direção contrária, com os rendimentos de 10 anos disparando após o surpreendente relatório de inflação de hoje", disse Rupkey. Segundo ele, "a inflação está viva, e a única forma que o Fed de Warsh conhece para combatê-la é com mais uma dose de juros mais altos".
Mercado eleva apostas em alta de juros
As chances para um aumento de um quarto de ponto percentual na taxa dos fed funds — atualmente entre 3,75% e 4,00% — na reunião de 28 de outubro subiram para 43,7%, ante 22,1% um dia antes, de acordo com a ferramenta FedWatch, da CME, citada pela CNBC.
A reportagem aponta ainda que há agora uma probabilidade superior a 95% de pelo menos uma alta de juros até o fim do ano, incluindo uma chance de 40% de que os juros subam meio ponto percentual — o dobro da probabilidade registrada um dia antes, segundo o mesmo levantamento.
Para o restante da semana, a CNBC destaca que os investidores também aguardam a leitura de setembro do índice de preços ao produtor (PPI), os dados de vendas no varejo de setembro e os pedidos semanais de auxílio-desemprego, todos previstos para quinta-feira.
O que isso significa para o investidor
O movimento nos Treasuries descrito pela CNBC reforça um cenário em que o mercado reprecifica rapidamente as expectativas sobre a trajetória de juros nos Estados Unidos. A alta simultânea nas taxas de 2, 10 e 30 anos sugere que investidores passaram a considerar tanto um aperto monetário mais próximo quanto a possibilidade de juros elevados por período mais longo, conforme destacado por Rupkey na reportagem.
Para quem investe no Brasil, o encarecimento do custo de capital nos Estados Unidos tende a ser acompanhado de perto, já que movimentos nos rendimentos dos Treasuries costumam influenciar o apetite global por ativos de risco, incluindo os de mercados emergentes. A elevação nas apostas de alta de juros pelo Fed, segundo os dados do FedWatch citados pela CNBC, é um indicador relevante para quem monitora fluxo de capital externo e condições de financiamento internacional.
Nos próximos dias, os dados de PPI, varejo e pedidos de auxílio-desemprego mencionados pela CNBC devem ajudar o mercado a calibrar ainda mais as expectativas para a reunião do Fed marcada para 28 de outubro. Investidores atentos a esse calendário tendem a monitorar tanto a divulgação desses indicadores quanto eventuais novas falas de autoridades do Federal Reserve que possam sinalizar o rumo da política monetária americana.
Agregado por AAR News · fonte: CNBC
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