O Ibovespa opera em território negativo nesta sessão, repetindo o movimento das bolsas ocidentais no período da manhã, enquanto o minério de ferro negociado em Dalian também recua, de acordo com o InfoMoney.
Com o resultado do pregão anterior já contabilizado, o índice acumula perda expressiva na semana — da ordem de 17,5% — e, caso o recuo se confirme até o fechamento, pode se tornar o pior desempenho semanal já registrado, superando até mesmo a marca negativa observada em março de 2020, no início da pandemia de covid-19.
Por volta de 11h42, o índice cedia 0,42%, perto dos 168.480 pontos, depois de ter tocado uma mínima abaixo dos 167 mil pontos — distante cerca de 2.200 pontos do nível em que havia aberto o dia. Em Nova York, os principais índices também amargavam quedas relevantes, com o Nasdaq liderando as perdas, enquanto o EWZ, fundo que replica ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, amenizava um recuo mais acentuado ao longo da manhã.
Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, afirmou que o país pode estar diante de uma das piores semanas já vistas no mercado acionário. Segundo ele, a incerteza não vem só do exterior: o quadro fiscal brasileiro para o próximo ano, já sob o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), continua pesando sobre o humor dos investidores. Mendes destacou que o governo ainda não sinalizou, por meio de nenhuma declaração oficial, disposição para adotar medidas de ajuste que tranquilizem o mercado.
Falta de sinalização fiscal e temporada de balanços
Analistas apontam que, além da ausência de um plano fiscal considerado crível, também não há indicações sobre a composição da futura equipe econômica a partir de 2027. Os resultados trimestrais de empresas brasileiras seguem no centro das atenções, com destaque para Vale, Usiminas e Klabin.
O noticiário também inclui a reunião do G20, que ocorre nesta e na próxima data, com a participação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em Atlanta, nos Estados Unidos, no encontro de chanceleres do bloco. Esse compromisso marca o primeiro contato entre autoridades do Brasil e dos Estados Unidos desde o pleito eleitoral brasileiro.
No exterior, o clima negativo coincide com a divulgação de balanços corporativos que frustraram expectativas, caso da Amazon, cujos números de lucro e receita ficaram aquém do esperado. A alta do petróleo também contribui para o nervosismo, ao reacender temores inflacionários e reforçar apostas de que os juros globais devem permanecer elevados por mais tempo. Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, afirmou em nota que os resultados divulgados pela Amazon e pela Intel intensificaram preocupações sobre o impacto dos pesados investimentos em inteligência artificial sobre o caixa das companhias.
Câmbio como termômetro da pressão sobre o governo
Para Mendes, da Manchester, o ambiente externo desfavorável se soma ao cenário doméstico, e, sem perspectiva de mudança na condução fiscal, a tendência é de juros domésticos permanecerem em patamar elevado. Ele avalia que o comportamento do câmbio deve funcionar como fator decisivo para que o governo sinalize alguma aproximação com o mercado e apresente uma perspectiva fiscal mais clara.
Campos Neto, da Tendências, reforça essa leitura ao dizer que não há, hoje, um plano de ajuste fiscal em discussão — apenas a perspectiva de medidas pontuais voltadas a cumprir as metas já estabelecidas. Segundo ele, diversas lideranças do governo fizeram, nos últimos dias, declarações públicas contrárias a qualquer tipo de ajuste.
Balanços movimentam ações individuais
Entre os resultados corporativos, a Usiminas (USIM5) reportou lucro líquido no terceiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo bilionário registrado no mesmo período de 2025. Apesar da melhora, as ações da companhia recuavam 3,47% perto das 11h40. Já a Vale viu seu lucro líquido trimestral cair 53% na mesma base de comparação, um resultado considerado dentro do esperado pelo mercado — movimento que não impediu os papéis da mineradora de subirem 4,73% no mesmo horário.
A Petrobras (PETR4) também esteve no radar após confirmar a terceira descoberta de petróleo no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial. A companhia negou haver qualquer decisão tomada sobre reajustes nos preços da gasolina e do diesel. As ações preferenciais e ordinárias da estatal subiam 1,67% e 1,71%, respectivamente, no mesmo horário.
No pregão anterior, o Ibovespa havia fechado em queda de 1,06%, aos 169.186,42 pontos, marcando a quarta sessão seguida de perdas antes do movimento desta sessão.
O que isso significa para o investidor
O quadro descrito pelo InfoMoney reforça um ponto que a AAR já vinha sinalizando: o mercado brasileiro segue reagindo mais à ausência de sinalização fiscal do governo do que a qualquer notícia pontual, positiva ou negativa. Segundo o scanner TradingView, em 30/10/2026 às 12h57 BRT, o Ibovespa era cotado a 167.421 pontos, com queda de 1,04% no dia, enquanto o Nasdaq operava a 25.514,66 pontos, recuo de 2,56% — números que confirmam a continuidade do movimento de aversão a risco relatado na matéria.
A dispersão entre os balanços também chama atenção: enquanto a Vale valorizava mesmo após reportar queda expressiva de lucro, a Usiminas recuava apesar de ter revertido prejuízo — e, no scanner da TradingView, USIM5 aparecia cotada a R$ 5,18, queda de 5,30% no dia, reforçando que o mercado parece precificar mais o cenário macro do que os resultados isolados das companhias. Já a Petrobras, negociada a R$ 52,91 com alta de 1,36%, parece se beneficiar tanto da descoberta de petróleo quanto da ausência de decisão sobre reajuste de combustíveis.
Vale ainda lembrar que a cobertura recente da AAR sobre a política monetária americana — com o Fed sustentando juros entre 3,75% e 4% em meio a dissidências internas, segundo o InfoMoney, e o Goldman Sachs avaliando que o ciclo de aperto já estaria perto do fim, de acordo com a CNBC — ajuda a explicar parte da volatilidade externa que hoje contamina o Ibovespa. Para o investidor brasileiro, a combinação de incerteza fiscal doméstica com um cenário externo ainda não totalmente definido sugere cautela redobrada, atenção ao câmbio como indicador de estresse e acompanhamento da evolução da temporada de balanços, que deve seguir ditando movimentos específicos em ações individuais mesmo em meio à turbulência do índice como um todo.
Agregado por AAR News · fonte: InfoMoney
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