Mercados · Eleições 2026

Ibovespa dispara e dólar recua na virada entre 1º e 2º turno

Bolsa teve a maior alta diária em seis anos após o primeiro turno; fluxo estrangeiro recorde e queda dos juros longos explicam o movimento, segundo Goldman Sachs e UBS

Ler na fonte → InfoMoney

O mercado financeiro brasileiro atravessou um dos períodos mais intensos dos últimos anos entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais. O Ibovespa encerrou o pregão seguinte à votação de outubro com avanço de 7,70%, aos 206.911,89 pontos, o maior ganho em um único dia registrado pelo índice em seis anos. Durante a sessão, o indicador chegou a tocar 209 mil pontos, patamar inédito em sua história.

O movimento não se limitou a um único dia. Na sexta-feira anterior ao primeiro turno, o índice já havia subido 2,63%, fechando em 192.144,55 pontos. Já no último pregão antes do segundo turno, a valorização foi mais modesta, de 0,47%, levando o Ibovespa a 205.082,56 pontos. Somando os dois extremos do período, a alta acumulada chegou a 6,9%.

Esse resultado coloca o pleito entre os mais fortes para o mercado acionário em mais de duas décadas. Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, apenas as eleições de 2002 e 2006 tiveram desempenho superior, com avanços de 8,15% e 7,90%, respectivamente, nos mesmos tipos de comparação.

Juros no centro da explicação

Bancos internacionais apontam a queda das taxas de juros de longo prazo como o principal motor da valorização das ações brasileiras no período. O Goldman Sachs estima que esse fator responde por 85% do movimento observado, enquanto o UBS Wealth Management projeta espaço para o índice avançar ainda mais, em torno de 25% adicionais a partir dos níveis atuais.

Apesar da força do rali inicial, outubro também foi marcado por uma fase de acomodação, com o Ibovespa perdendo ímpeto depois do pico alcançado logo após o primeiro turno. Ainda assim, ativos ligados a setores sensíveis ao custo do crédito tiveram desempenho de destaque, com ações como Magazine Luiza (MGLU3) e MRV (MRVE3) entre as que mais se valorizaram, acompanhadas por papéis de construção civil, varejo e educação.

O capital estrangeiro reforçou essa tendência. Ao longo de outubro, o saldo de entradas líquidas na bolsa somou R$ 20,15 bilhões. Em um único dia, 5 de outubro, o ingresso de recursos bateu recorde, em R$ 10 bilhões, e o fluxo positivo se manteve nas semanas seguintes. Com dados da B3 apurados até 21 de outubro, o mês se consolidou como o segundo com maior captação estrangeira da história recente, atrás apenas de janeiro, quando o aporte somou R$ 26,4 bilhões.

Câmbio segue o mesmo roteiro

O comportamento do dólar frente ao real acompanhou o otimismo da bolsa. A moeda americana recuou 4,4% entre o início de outubro e a sexta-feira seguinte ao segundo turno, saindo de R$ 5,21 para R$ 4,98. No acumulado do ano, a queda da divisa já alcança 9,1%.

No último pregão antes da votação do primeiro turno, o dólar havia fechado em R$ 5,21, com recuo discreto de 0,13%, influenciado por dados mais fracos do mercado de trabalho americano divulgados no payroll. O cenário de cautela, no entanto, limitava uma queda mais expressiva naquele momento.

Ao longo do mês, as pesquisas de intenção de voto passaram a direcionar as oscilações cambiais, com o real ganhando força à medida que o cenário eleitoral evoluía. No pregão imediatamente anterior ao segundo turno, a moeda americana cedeu quase 1%, encerrando o dia em R$ 4,98.

A pesquisa Datafolha divulgada na noite de quinta-feira mostrou um empate técnico entre os dois principais candidatos, cada um com 50% dos votos válidos — o presidente em exercício, filiado ao PT, e o senador, do PL. Mesmo diante desse cenário de paridade, parte significativa dos agentes financeiros manteve posições apostando na vitória do candidato do PL.

O economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, descreveu o comportamento do câmbio naquele pregão: "com o passar da tarde, o dólar perdeu fôlego e passa a recuar, tocando seus menores níveis do dia, movimento que pode refletir ajustes pontuais de posição e algum fluxo de recursos do exterior no último pregão antes do segundo turno". Ele acrescentou que o ambiente seguia cauteloso, com as pesquisas indicando disputa acirrada e um debate televisivo previsto para aquela mesma noite.

A leitura predominante entre operadores era de que o candidato do PL mantinha vantagem, mesmo com o acirramento recente, e que restaria pouco tempo para uma reversão desse quadro antes da votação final.

O diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, relatou à Reuters que "o mercado está apostando na vitória de Flávio, por mais que seja apertadíssima", observando que essa percepção já circulava entre os operadores desde o período da manhã. Ele ponderou, contudo, que "o mercado sempre tem uma leitura antecipada dos fatos para operar, mas às vezes ele erra também".

Cenários para a sessão seguinte

Olhando à frente, analistas do Goldman Sachs projetam que o dólar pode recuar a R$ 4,70 em um horizonte de três meses. A aposta do banco se apoia na combinação entre expectativa de ajuste nas contas públicas, perspectiva de maior governabilidade e redução do prêmio de risco atribuído aos ativos brasileiros.

Essa projeção está condicionada à eleição do candidato identificado com a direita, visto por parte do mercado como mais propenso a priorizar a consolidação fiscal — ainda que detalhes concretos de seu programa nessa área permaneçam pouco definidos. Já o presidente que disputa a reeleição enfrenta resistência de uma parcela relevante dos investidores.

Um levantamento do Citi mostrou que 49,3% dos participantes esperavam que o Ibovespa subisse mais de 5% no pregão de segunda-feira, caso o candidato do PL vencesse o segundo turno. No câmbio, cerca de 88% dos entrevistados projetavam valorização do real de pelo menos 2% frente ao dólar em cenário semelhante, enquanto 9,6% apostavam no caminho oposto, com alta da moeda americana de ao menos 5%.

O que isso significa para o investidor

O quadro descrito reforça como o mercado brasileiro tratou o resultado eleitoral como um evento de repreçamento de risco-país, com juros, câmbio e bolsa reagindo de forma conjunta. Para quem investe em renda variável, o episódio ilustra a sensibilidade de setores como construção civil, varejo e educação a movimentos na curva de juros — exatamente os papéis que lideraram os ganhos no período, segundo o material analisado.

Do lado cambial, vale observar que, segundo o scanner TradingView, o dólar era cotado a R$ 4,9652 em 24 de outubro de 2026 às 15h12 (horário de Brasília), com recuo de 1,73% no pregão — movimento que precisa ser acompanhado à luz de fatores externos também relevantes, como a tensão entre Irã e Estados Unidos e a expectativa pela decisão de política monetária do Federal Reserve, temas já registrados pela cobertura do AAR News. Ou seja, o câmbio brasileiro não responde apenas à política interna: a conjuntura internacional pode comprimir ou ampliar os ganhos que o cenário doméstico sugere.

Para investidores com exposição a MGLU3 e MRVE3, papéis citados entre os destaques do rali, o mesmo scanner indicava, na mesma data e horário, Magazine Luiza negociada a R$ 12,69 (queda de 0,70% no dia) e MRV a R$ 8,23 (estabilidade no pregão) — um lembrete de que o apetite por ativos ligados a juros pode se inverter rapidamente conforme novos dados eleitorais, fiscais ou de política monetária americana se somem ao quadro. O Ibovespa, por sua vez, era cotado a 205.083 pontos (+0,47% no dia) no mesmo levantamento, nível muito próximo ao registrado na véspera do segundo turno segundo a matéria original.

Por fim, as projeções de bancos como Goldman Sachs e as expectativas mapeadas pelo Citi para a sessão pós-segundo turno funcionam como referência, não como garantia. O investidor de perfil mais conservador deve monitorar a confirmação ou não da trajetória de queda de juros longos e do fluxo estrangeiro, enquanto quem busca posições mais táticas pode acompanhar de perto a reação do câmbio e da bolsa nos pregões imediatamente seguintes ao resultado final da eleição.

Agregado por AAR News · fonte: InfoMoney

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos