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IA da Anthropic resolve mistério de 25 anos sobre números da NSA

Modelo Claude rastreou sementes de curvas elípticas do NIST a um gerador de números aleatórios dos anos 1990; bitcoin não foi afetado, mas risco quântico segue em aberto

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Um modelo de inteligência artificial da Anthropic levou menos de meia hora para decifrar um enigma que a comunidade de criptografia perseguia havia 25 anos: a origem de cinco sequências numéricas que a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) entregou ao governo americano no fim dos anos 1990, segundo reportagem da CoinDesk.

As sequências, chamadas de sementes, serviram de base para curvas elípticas adotadas como padrão oficial de criptografia e, por décadas, alimentaram a suspeita de que escondiam uma porta dos fundos only conhecida pela própria agência. Segundo a CoinDesk, o modelo rastreou os números a um programa comum de geração aleatória alimentado com marcações de tempo de 1997 e 1998.

Um cadeado cujo desenho nunca foi explicado

Grande parte da internet depende de criptografia de curvas elípticas, a mesma família matemática usada para proteger carteiras de bitcoin, explica a CoinDesk. A técnica permite que alguém prove deter uma chave secreta sem revelar os detalhes dessa chave.

A reportagem compara a curva a um desenho de fechadura que qualquer pessoa pode inspecionar: cada usuário tem sua própria chave secreta, mas todos confiam que o desenho em si é difícil de quebrar. A questão nunca respondida era quem, afinal, escolheu a matemática em que todo mundo passou a confiar.

Em 2000, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST) adotou um conjunto de curvas fornecido pela NSA, sem explicar a origem de alguns dos números usados para gerá-las, segundo o material da CoinDesk.

Da dúvida técnica à desconfiança pública

O sigilo em torno das sementes ficou ainda mais difícil de ignorar depois que as revelações de Edward Snowden associaram a NSA a esforços para enfraquecer padrões criptográficos, relata a CoinDesk. O NIST posteriormente retirou de suas recomendações a ferramenta então usada, o gerador de números aleatórios conhecido como Dual EC.

As sementes eram públicas, mas a NSA jamais explicou como as escolheu — o que alimentou anos de suspeita de que a agência teria testado diversas alternativas até encontrar uma curva com uma fragilidade que só ela soubesse explorar. A teoria mais extrema sustentava que a NSA teria, assim, uma porta de entrada para todo sistema que usasse essas curvas.

Os criptógrafos Neal Koblitz e Alfred Menezes examinaram a controvérsia em um artigo de 2015 intitulado 'A Riddle Wrapped in an Enigma'. Menezes, que ajudou a redigir o padrão original, relatou ter recebido as sementes do matemático da NSA Jerry Solinas em 1997, segundo a CoinDesk.

Décadas de buscas sem resposta

O pesquisador de segurança Steve Weis passou anos tentando encontrar uma explicação, inclusive apresentando pedidos de acesso a registros públicos em 2018. Segundo a reportagem, o NIST afirmou não ter documentação sobre o assunto, enquanto a NSA deixou de responder às solicitações.

Uma pista promissora sugeria que os números vinham de uma frase de humor que Solinas teria esquecido, levando investigadores a vasculhar possíveis combinações de palavras, de acordo com a CoinDesk.

Em 2023, o engenheiro de criptografia Filippo Valsorda e outros colaboradores ofereceram uma recompensa de US$ 12.288 para quem decifrasse o enigma, valor que subiria a mais de US$ 36 mil caso o vencedor doasse o prêmio a uma instituição de caridade. Solinas morreu naquele mesmo ano, deixando pesquisadores a trabalhar apenas com lembranças antigas e os próprios números, sem chegar a um resultado, segundo a CoinDesk.

Claude entra em cena

A história mudou neste mês, quando um funcionário da Anthropic pediu a um modelo interno de pesquisa que investigasse o caso, sem compartilhar com a IA a teoria antiga de que as sementes vinham de uma frase esquecida, relata a CoinDesk.

O modelo levou menos de meia hora para rastrear cinco sementes de curvas do NIST até o lrand48, um gerador de números aleatórios encontrado em bibliotecas de software C mais antigas. Claude reproduziu a sequência por trás da P-256, uma curva amplamente utilizada, e encontrou uma correspondência exata para sua semente publicada no 1.842º candidato testado.

Segundo o registro de raciocínio do próprio modelo, citado pela CoinDesk, Claude chegou a questionar se estava operando dentro de um teste simulado antes de concluir: 'Isso é espantoso: resolve o mistério de 25 anos'. Mais adiante, acrescentou: 'Hmm, é plausível na realidade? Até onde eu sei... a recompensa não havia sido resolvida... Todos os bits superiores zerados — 20 bits, chance de 1 em 1 milhão. Então, de fato, é real.' Em outro trecho reproduzido pela reportagem, o modelo escreveu: 'Uau, é uma descoberta real.'

A Anthropic afirma que qualquer pessoa agora pode rodar novamente o programa e obter os mesmos números que a NSA forneceu originalmente. Segundo a empresa, isso torna uma fragilidade oculta muito menos provável, embora a equipe ainda não consiga explicar por que o programa descartou alguns candidatos utilizáveis nem como outros elementos das curvas foram escolhidos.

Por que a previsibilidade seria um problema

A reportagem destaca que a previsibilidade do lrand48 — o mesmo mecanismo que permitiu a Claude reconstruir os números da NSA — seria um desastre caso estivesse presente dentro de uma carteira digital. Uma chave secreta gerada com esse método poderia ser recriada por qualquer pessoa que soubesse aproximadamente quando ela foi criada, dando a essa pessoa tudo o que precisa para esvaziar os fundos associados.

No caso das sementes da NSA, porém, elas eram públicas desde o início, de modo que nunca houve, segundo a CoinDesk, um segredo de fato a ser roubado.

O bitcoin nunca esteve nessa lista

O bitcoin, segundo a reportagem, jamais fez parte desse jogo de adivinhação. Suas carteiras funcionam sobre a secp256k1, uma curva construída a partir de uma equação mais simples.

A versão usada pelo bitcoin é definida por dois números pequenos e fixos, que deixam quase nenhum espaço para ajustes, enquanto a versão da P-256 carrega um número de 77 dígitos originado da semente não explicada da NSA. Com tão poucos parâmetros ajustáveis, há pouco espaço para que alguém tenha inserido discretamente uma fragilidade na curva do bitcoin — um ponto que, segundo a CoinDesk, criptógrafos há muito citam a favor da moeda.

O criador Satoshi Nakamoto nunca explicou publicamente por que escolheu essa curva, que era raramente usada antes de o bitcoin a tornar famosa. O Ethereum adotou-a posteriormente, e o bitcoin a manteve mesmo quando sua atualização Taproot, em 2021, introduziu um estilo mais novo de assinatura.

A ameaça quântica continua em aberto

A CoinDesk lembra que um computador quântico suficientemente potente representaria um perigo diferente, já explorado pelo veículo anteriormente neste ano: ele poderia trabalhar de trás para frente a partir de uma chave pública visível no blockchain do bitcoin até chegar à chave secreta correspondente, independentemente de como a curva foi escolhida.

Avanços de hardware têm reduzido a distância entre essa possibilidade teórica e um ataque funcional. A reportagem cita que o Google afirmou nesta semana que seu chip Willow reduziu em cerca de 40 vezes a taxa de erros em uma das etapas mais custosas que uma máquina desse tipo precisaria executar.

Ainda assim, ninguém construiu até agora um computador quântico próximo do tamanho ou da confiabilidade necessários para quebrar uma chave de bitcoin, e não há cronograma definido para quando isso poderia acontecer, segundo a CoinDesk.

A Anthropic afirmou em seu blog, de acordo com a reportagem, que usuários das curvas do NIST não precisam alterar nada em seus sistemas. Após décadas de dúvidas sobre a origem das sementes, qualquer pessoa agora pode executar o programa e refazer o caminho até os números publicados originalmente.

A busca também envolvia um prêmio: os US$ 36.864 da recompensa serão destinados ao Internet Security Research Group, organização sem fins lucrativos por trás do Let's Encrypt, que oferece certificados de segurança gratuitos para sites.

O que isso significa para o investidor

Para quem investe em cripto, a descoberta reduz uma incerteza de fundo que pairava sobre padrões de criptografia usados em larga escala na internet, mas não altera o cálculo de risco específico do bitcoin, que nunca dependeu das curvas do NIST. A moeda, negociada a US$ 81.701,23 às 20h21 (BRT) de 18 de outubro de 2026, com alta de 0,40% no dia, segundo o scanner da TradingView, segue exposta a um risco distinto: o avanço da computação quântica.

Esse tema já havia aparecido na cobertura do AAR News em 16 de outubro, quando nove empresas do setor cripto formaram a Quantum Alliance diante de um alerta sobre 6,4 milhões de bitcoin potencialmente vulneráveis a esse tipo de ataque — ainda que as companhias divirjam sobre o prazo do risco e sobre congelar ou não moedas expostas. O avanço anunciado pelo Google com o chip Willow, citado na reportagem da CoinDesk, reforça que esse é um vetor a monitorar com mais atenção do que a questão das sementes da NSA, já encerrada.

Vale separar os dois riscos: o episódio Claude resolve uma dúvida histórica sobre possível manipulação deliberada em padrões do NIST, algo que nunca afetou diretamente ativos cripto. Já o risco quântico é estrutural e de prazo incerto, mas relevante para quem detém posições de longo prazo em bitcoin ou ether — negociado a US$ 2.388,42 às 20h21 de 18 de outubro, com queda de 0,46% no dia, segundo a TradingView.

Para o investidor, o episódio funciona menos como gatilho de curto prazo para preços e mais como lembrete de que a segurança criptográfica por trás dos ativos digitais é um tema vivo, com desenvolvimentos técnicos frequentes. Acompanhar iniciativas como a Quantum Alliance e marcos de hardware como os anunciados pelo Google segue sendo mais relevante do que o desfecho do mistério das sementes da NSA, que a própria Anthropic classificou como um fator que reduz, e não aumenta, a desconfiança em padrões amplamente usados na internet.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos