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Hack de US$ 6,3 bi na Binance reabre debate sobre segurança de carteiras cripto

Maior roubo da história das criptomoedas e ataque à Polymarket levantam dúvidas sobre manter fundos em exchanges, segundo especialistas ouvidos pela CNBC

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Dois incidentes de segurança ocorridos na mesma semana reacenderam a discussão sobre a segurança de manter ativos digitais em carteiras hospedadas por exchanges de criptomoedas. O mais grave deles atingiu a Binance, cuja plataforma internacional sofreu um incidente que afetou cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos de clientes, tornando-se o maior roubo de criptomoedas já registrado, segundo a CNBC.

No mesmo dia, a plataforma de mercados preditivos Polymarket suspendeu temporariamente as negociações em sua exchange internacional depois que um provedor de dados terceirizado foi invadido, resultando na drenagem de pelo menos US$ 2,7 milhões das carteiras de usuários. A operação internacional da Polymarket funciona sobre a blockchain Polygon, de acordo com a reportagem.

Especialistas consultados pela CNBC afirmaram que os incidentes não são surpreendentes, especialmente diante do aumento recente de ataques cibernéticos que usam inteligência artificial. A maioria deles disse esperar mais episódios de segurança comprometida no curto prazo, à medida que esse problema se intensifica.

Dúvidas sobre a proteção dos fundos dos usuários

Tyler Moore, professor de cibersegurança da Universidade de Tulsa que acompanha o setor há mais de uma década, classificou a situação como extremamente arriscada. Segundo ele, usuários deveriam ter cautela ao deixar quantias significativas em exchanges, já que não existem proteções embutidas para quando esses ataques, que ele considera inevitáveis, acontecem.

Moore comparou o cenário ao sistema bancário tradicional, em que clientes contam com a cobertura da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) para depósitos de até US$ 250 mil por depositante, por instituição segurada, em caso de falência de um banco. Não existe, segundo ele, uma cobertura equivalente para fundos perdidos em uma exchange de criptomoedas.

Tanto a Binance quanto a Polymarket garantiram que vão ressarcir integralmente os investidores afetados. Para Ido Ben-Natan, CEO da empresa de segurança em blockchain Blockaid, esse compromisso é um sinal de que os usuários podem manter confiança nas exchanges.

Ben-Natan disse acreditar que nenhum usuário terá prejuízo financeiro, já que a Binance afirmou que cobrirá todas as perdas. Ele declarou não considerar uma má ideia que usuários mantenham recursos nessas plataformas, embora tenha ressaltado que as exchanges precisam trabalhar intensamente para evitar que um ataque dessa magnitude se repita.

Apesar de prever mais ataques à medida que o cenário de cibersegurança muda com o avanço da inteligência artificial, Ben-Natan argumentou que esses episódios tendem a fortalecer o setor cripto ao longo do tempo. Segundo ele, uma carteira em exchange pode até se tornar uma opção mais segura do que outras alternativas, porque a indústria acumulará experiência em lidar com esse tipo de ataque.

Vulnerabilidades em plataformas offshore

Um ponto central destacado pela CNBC é que o incidente de segurança atingiu a plataforma offshore da Binance, enquanto sua exchange regulada e centralizada nos Estados Unidos não registrou problema semelhante. O mesmo padrão se repetiu no caso da Polymarket, cuja exchange doméstica não foi afetada.

As plataformas reguladas Coinbase e Robinhood, ambas americanas, também não sofreram impacto direto do ataque à Binance, embora as ações de ambas as empresas tenham caído na sexta-feira seguinte ao episódio, segundo a reportagem.

Em entrevista ao programa Squawk on the Street, da CNBC, Michael Selig, presidente da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) — reguladora federal de derivativos nos Estados Unidos —, afirmou que a natureza offshore desses incidentes é um ponto crítico. Segundo ele, essas plataformas não contam com as mesmas salvaguardas presentes nos mercados financeiros americanos, e a CFTC pretende oferecer uma opção de registro federal a essas exchanges, o que as sujeitaria às mesmas exigências de cibersegurança já aplicadas aos mercados dos EUA.

Brett Falk, professor e diretor do Crypto and Society Lab da Universidade da Pensilvânia, ponderou que a regulação americana provavelmente não teria impedido um incidente como o da Binance. Segundo a própria Binance, em publicação na rede social X, o ataque pode ter envolvido o comprometimento do laptop de um engenheiro de operações de desenvolvimento (DevOps). Falk observou que grande parte da regulação não trata especificamente da pilha de software usada para autenticação de usuários.

Em outra publicação, a Binance informou que sua investigação identificou pontos adicionais de invasão, sem especificar, no entanto, quais seriam eles.

Um alvo singular em um cenário em transformação

Falk reforçou o argumento de Ben-Natan de que usuários individuais dificilmente terão prejuízo, e defendeu que é mais vantajoso para investidores manterem fundos em uma exchange, que conta com respaldo financeiro de uma empresa, do que em uma carteira de autocustódia, na qual não há a quem recorrer em caso de ataque.

Ben-Natan acrescentou que os usuários deveriam se sentir seguros ao considerar quantos incidentes empresas como a dele conseguem neutralizar antes que se tornem notícia, já que a tecnologia de segurança frequentemente funciona e interrompe ataques antes que evoluam para casos graves.

Ainda assim, os especialistas ouvidos pela CNBC apontaram que o setor cripto pode ser um alvo particularmente atraente para hackers num cenário de cibersegurança em transformação, justamente pela quantidade de liquidez que indivíduos conseguem acessar rapidamente em caso de uma invasão bem-sucedida.

É por esse motivo que Ryan Kirkley, CEO da empresa de infraestrutura blockchain Global Settlement Network, recomenda cautela a investidores que mantêm fundos em qualquer carteira sem cobertura de seguro, até que as empresas financeiras aprimorem sua infraestrutura de segurança. Segundo ele, atualmente não existe uma solução comum no mercado que garanta segurança plena para os ativos dos usuários.

Kirkley afirmou ainda que, a menos que o investidor esteja lidando com uma corretora reputada que ofereça seguro de ativos, colocar recursos em qualquer ecossistema cripto hoje envolve risco, dado o grau de incerteza ainda presente no setor, segundo a CNBC.

O que isso significa para o investidor

Para quem investe em criptoativos no Brasil, o episódio reforça uma lição recorrente: a escolha da exchange e da jurisdição onde os fundos ficam custodiados pode pesar tanto quanto a escolha do próprio ativo. O AAR News já noticiou que, após o hack, emissoras de stablecoins como Tether, Circle e Ripple, além da World Liberty Financial, chegaram a congelar ativos relacionados ao ataque — medida que juristas questionam quanto a critérios e que não garante, por si só, a recuperação dos valores roubados.

Ao mesmo tempo, parte de Wall Street, segundo cobertura do AAR News baseada na CoinDesk, já sinalizou enxergar o momento como oportunidade de compra, avaliando que o ataque à maior exchange do mundo não deve interromper a trajetória de recuperação do setor. Essa leitura contrasta com o tom mais cauteloso dos especialistas em cibersegurança citados pela CNBC, o que sugere que o mercado está dividido entre o otimismo de curto prazo com os preços e a preocupação estrutural com a segurança operacional das plataformas.

Na prática, o episódio não impediu uma relativa estabilidade dos preços: segundo o scanner da TradingView, em 31 de outubro de 2026 às 12h21 (horário de Brasília), o Bitcoin era cotado a US$ 77.354,44, com alta de 0,23% no dia, e o Ethereum a US$ 2.245,61, com alta de 0,24% no dia — números que indicam que, até aquele momento, o mercado não precificava um colapso de confiança generalizado.

Para o investidor brasileiro, o episódio reforça a necessidade de diferenciar exchanges reguladas, sujeitas a exigências como as mencionadas pela CFTC, de plataformas offshore com menor supervisão. Também vale acompanhar se promessas de ressarcimento integral, como as feitas por Binance e Polymarket, de fato se concretizam, e se reguladores em diferentes jurisdições avançam em exigências de cibersegurança equivalentes às do mercado financeiro tradicional — um desdobramento que pode redefinir onde e como investidores de varejo decidem manter seus ativos digitais.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos