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Guerra Irã-EUA redesenha rotas do petróleo e mantém preço acima de US$ 100

Ataques no Estreito de Ormuz e em Bab al-Mandeb forçam operações de transporte às escuras e levam países asiáticos a cortar consumo, segundo analistas ouvidos pela CNN

Guerra Irã-EUA redesenha rotas do petróleo e mantém preço acima de US$ 100
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O conflito armado entre Estados Unidos e Irã provocou uma reconfiguração profunda no mercado global de petróleo, com interrupções severas em duas passagens marítimas essenciais para o comércio de óleo bruto: o Estreito de Ormuz e, mais recentemente, o Estreito de Bab al-Mandeb. A informação é da CNN.

Segundo a reportagem, o Irã intensificou ataques a petroleiros que cruzam Ormuz e o Golfo Pérsico, reduzindo o volume de óleo que sai da região e sustentando os preços internacionais do barril acima de US$ 100.

A United Kingdom Maritime Trade Operations, entidade que monitora a segurança marítima na região, registrou 12 ataques a embarcações em ou perto de Ormuz na última semana, de acordo com a CNN. No início desta semana, dois navios cargueiros afundaram após serem atingidos por projéteis não identificados, em incidentes separados.

Transporte às escuras e bloqueio naval

Analistas citados pela reportagem afirmam que a escalada dos ataques iranianos é uma resposta ao volume expressivo de petróleo que conseguiu deixar Ormuz nas últimas semanas. O exército dos Estados Unidos conduziu uma operação para viabilizar esse escoamento, auxiliando transbordos chamados de 'dark transits' — navios que navegam com os transponders desligados, transferindo carga para embarcações que aguardam no Golfo de Omã.

Enquanto isso, o próprio Irã enfrenta dificuldades para fazer seus petroleiros atravessarem o estreito, em razão de um bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, segundo a CNN.

Conflito se espalha para o Iêmen

A guerra, já no oitavo mês, ganhou um novo front com o confronto entre a Arábia Saudita e milícias Houthi apoiadas pelo Irã no Iêmen. Os Houthis passaram a mirar petroleiros sauditas em trânsito pelo Bab al-Mandeb e, nos últimos dias, lançaram ataques fatais contra o principal aeroporto internacional de Riad.

Para os especialistas consultados pela reportagem, a crise terá consequências duradouras sobre o mercado global de petróleo. Georg Zachmann, pesquisador sênior do think tank Bruegel, disse à CNN que os países importadores de petróleo estão cada vez mais convencidos da necessidade de 'reduzir estruturalmente' o consumo de óleo para ficarem menos expostos a choques externos. Segundo ele, essa e outras medidas podem ajudar a 'proteger' essas economias de um mundo 'cada vez mais incerto'.

Bab al-Mandeb ganha peso estratégico

O Estreito de Bab al-Mandeb passou a ter importância estratégica ampliada depois que a guerra comprometeu o funcionamento de Ormuz. Richard Bronze, cofundador da consultoria Energy Aspects, afirmou à CNN que, no auge, cerca de 4,5 milhões de barris de petróleo bruto por dia eram exportados pelo porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, com a maior parte — cerca de 3 milhões de barris diários — saindo justamente via Bab al-Mandeb. Segundo Bronze, esses fluxos 'entraram em colapso' depois que a ameaça Houthi se intensificou neste verão.

Johannes Rauball, analista sênior de petróleo bruto da Kpler, alertou que, se os Houthis passarem a ameaçar navios de todas as nacionalidades, isso representaria 'mais um golpe' para os mercados de petróleo, empurrando os preços para cima e apertando ainda mais o equilíbrio entre oferta e demanda.

Pivô saudita para Ormuz

A reportagem relata que, após um ataque de drones lançados de dentro do Iraque contra o oleoduto East-West da Arábia Saudita — que bombeia petróleo bruto rumo aos portos do país no Mar Vermelho — o governo saudita reagiu rapidamente, ampliando as exportações via Estreito de Ormuz por meio da operação de transbordo assistida pelos militares americanos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o Irã provavelmente estava por trás do ataque de setembro, já que grupos de milícias apoiados por Teerã são conhecidos por operar dentro do Iraque. O ministério das Relações Exteriores do Irã negou 'categoricamente' a acusação, segundo a CNN. De acordo com diversos relatos citados pela reportagem, o oleoduto East-West já voltou a operar.

Ásia e China ajustam consumo

Os países asiáticos, maiores compradores de petróleo saudita, foram os mais afetados pela crise ao longo da guerra, mas se adaptaram cortando o consumo. A China, por sua vez, reduziu significativamente suas importações recorrendo a suas reservas estratégicas, segundo a reportagem.

A crise também levou alguns países do Oriente Médio a explorar novas rotas de exportação por meio de oleodutos ainda não construídos. Rauball, da Kpler, resumiu à CNN: quanto mais o conflito se prolonga, menos capacidade de barganha o Irã efetivamente tem, porque outros países conseguem criar rotas alternativas.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha ativos ligados a energia a partir do Brasil, o episódio reforça um padrão já conhecido: conflitos que afetam rotas marítimas estratégicas tendem a produzir volatilidade persistente nos preços do petróleo, mesmo quando parte do fluxo original é recomposta por rotas alternativas, como o transbordo via Golfo de Omã mencionado pela CNN. Isso tem efeito direto sobre companhias petrolíferas listadas, sobre o câmbio de países exportadores e, no caso brasileiro, sobre a dinâmica de preços de combustíveis e sobre o apetite por ativos de risco ligados a commodities.

A fala de analistas como Richard Bronze e Johannes Rauball, citados pela reportagem, sugere que o mercado já precifica cenários de novos choques — especialmente se os ataques Houthi se ampliarem para embarcações de outras nacionalidades. Investidores expostos a petroleiras, fundos de energia ou ETFs de commodities devem monitorar de perto a frequência de incidentes em Ormuz e Bab al-Mandeb, já que qualquer escalada adicional tende a se refletir rapidamente nos preços do barril.

Por outro lado, o movimento relatado de países asiáticos — e da China em particular — de reduzir consumo e recorrer a reservas estratégicas indica que a demanda pode responder com alguma resiliência a choques de oferta, o que tende a moderar picos de preço no médio prazo. Para o investidor brasileiro, isso reforça a importância de acompanhar não só a evolução militar do conflito, mas também sinais de adaptação estrutural da demanda global, que podem alterar a magnitude e a duração de eventuais repiques nos preços da energia.

Agregado por AAR News · fonte: CNN

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos