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Governo britânico promete reforma no setor de óleo de aquecimento após alta de preços

Ministério anuncia regras mais rígidas e revisão de pedidos mínimos, mas não estende teto de preço aos consumidores desse combustível

Nick Nick smiling at the camera on coastline. He is wearing a white polo shirt, glasses and has a bag over his shoulder.
BBC

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O governo do Reino Unido anunciou que vai reforçar a regulação do mercado de óleo de aquecimento, segmento que vem registrando aumentos expressivos de preços e que hoje opera com proteções ao consumidor mais frágeis do que as aplicadas a clientes de gás e eletricidade. Segundo a BBC, autoridades prometem regras mais rígidas, estímulo à concorrência e caminhos mais claros de compensação para quem for prejudicado por falhas no fornecimento.

A revisão também vai incluir os volumes mínimos de pedido exigidos de alguns consumidores. De acordo com a reportagem, os preços chegaram perto de dobrar no último ano, o que levou grupos de defesa do consumidor a pedir que os clientes de óleo de aquecimento passem a contar com o mesmo teto aplicado às tarifas variáveis padrão de gás e eletricidade na Inglaterra, na Escócia e no País de Gales. Até o momento, porém, não há indicação de que o governo pretenda adotar essa medida, nem um prazo definido para a entrada em vigor das regras mais rígidas.

O que o governo propõe

Em comunicado citado pela BBC, os ministros afirmaram que vão trabalhar com o setor para desenvolver um regime regulatório para o mercado de óleo de aquecimento, com foco em proteção ao consumidor e promoção de concorrência. Enquanto essa estrutura não é implementada, os usuários já contam com descontos para instalação de bombas de calor e com um código de conduta em vigor no setor.

A prática de exigir pedidos mínimos de 500 litros para alguns consumidores também será revisada. O governo observou que essa exigência obrigava parte dos clientes a pagar por mais óleo do que efetivamente precisavam, já que os tanques domésticos costumam ter capacidade entre 1.000 e 2.000 litros.

Origem da crise de preços

A matéria aponta que os preços do óleo de aquecimento dispararam desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Em março, o governo britânico já havia anunciado um pacote de apoio de 53 milhões de libras destinado a famílias de baixa renda que utilizam esse combustível, com a distribuição dos recursos feita pelas autoridades locais, cada uma definindo seus próprios critérios de elegibilidade.

Uma investigação subsequente conduzida pela Competition and Markets Authority (CMA), órgão de defesa da concorrência do Reino Unido, apurou que 1.700 famílias foram forçadas a 'refazer o pedido a preços significativamente mais altos ou ficar sem combustível' após o início do conflito, com custo adicional de até 350 libras para esses consumidores. Segundo a reportagem, famílias que tiveram pedidos cancelados e preços elevados foram informadas de que tinham direito a compensação. O governo confirmou que vai acatar a recomendação da CMA de fortalecer a regulação do setor.

A ministra de Energia, Polly Billington, afirmou que milhares de clientes de óleo de aquecimento sentiram que não tinham a quem recorrer diante do aumento dos custos de óleo e gás no início do ano. Segundo ela, isso 'não será aceito', já que energia é um bem essencial e as pessoas não deveriam precisar duvidar se estão protegidas no mercado — motivo pelo qual o setor será reformado, nas palavras da ministra.

'Ponto cego' da política energética

A BBC ouviu Nick, consumidor de óleo de aquecimento em West Suffolk, que descreveu os domicílios fora da rede de gás como um 'ponto cego' relevante na política do governo. Segundo ele, qualquer proteção vinda do governo britânico será bem-vinda, desde que alcance todos os usuários domésticos de óleo de aquecimento.

Nick, de 28 anos, aluga um imóvel de três quartos com a parceira e relatou que os preços mais do que dobraram em um ano, chegando a cotações de 111 pence por litro. Ele afirmou que aquecer a casa deixou de ser apenas mais uma conta doméstica para se tornar quase um investimento. O consumidor defendeu cortes de impostos para os clientes do setor ou a extensão do teto de preços ao óleo de aquecimento — demanda também feita pela instituição de caridade National Energy Action.

Tim Buckman, executivo-chefe do site de comparação de preços Boiler Juice, disse à BBC que apoia proteções mais fortes ao consumidor, mas destacou que o problema central é que o óleo de aquecimento está duas vezes mais caro do que estava antes da guerra. Segundo ele, apenas instituir regulação não vai reduzir o preço pago pelos clientes, e a alternativa preferida seria retirar o IVA (imposto sobre valor agregado) do óleo de aquecimento ou direcionar medidas específicas a esse item.

Alcance limitado da regulação

A reportagem destaca que cerca de 1,5 milhão de famílias no Reino Unido dependem de óleo de aquecimento, mas não contam com as mesmas proteções ao consumidor aplicadas a clientes de eletricidade e gás. A Ofgem, reguladora que define o teto para as tarifas variáveis padrão, atua apenas na Inglaterra, no País de Gales e na Escócia.

A maior parte dos consumidores de óleo de aquecimento, no entanto, está na Irlanda do Norte, onde 60% das famílias dependem desse combustível e onde a regulação é separada. Segundo a BBC, é provável que a Ofgem passe a regular o óleo de aquecimento na Inglaterra, na Escócia e no País de Gales, enquanto o governo britânico afirmou que vai dialogar com o Executivo da Irlanda do Norte à medida que essa administração avalia as recomendações da CMA em paralelo.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha o mercado de energia no Reino Unido, o anúncio sinaliza um movimento regulatório ainda em fase inicial, sem cronograma definido nem confirmação de que o teto de preços será estendido ao óleo de aquecimento. Isso mantém incerteza sobre o desenho final das regras e sobre como distribuidores do setor vão se adaptar a exigências de concorrência e compensação mais rígidas, especialmente diante da possibilidade de atuação da Ofgem em território hoje menos regulado.

A fala do executivo da Boiler Juice chama atenção para um ponto relevante: regulação, por si só, não resolve a pressão de custos originada na dinâmica geopolítica que elevou os preços do óleo desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Isso significa que o desfecho financeiro para consumidores e para empresas do setor depende tanto da evolução do conflito quanto do desenho regulatório que venha a ser adotado.

Vale observar também a divisão geográfica do problema: a Irlanda do Norte, onde a dependência do óleo de aquecimento é maior entre as famílias, segue com regulação separada da Ofgem, o que pode gerar um cenário de duas velocidades dentro do próprio Reino Unido. Investidores e empresas com exposição a distribuidores de combustíveis domésticos devem monitorar os próximos passos do diálogo entre o governo britânico e o Executivo da Irlanda do Norte, além de eventuais sinalizações sobre isenção ou redução de impostos sobre o produto, mencionadas como alternativa por fontes ouvidas na reportagem.

Agregado por AAR News · fonte: BBC

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