Os futuros das bolsas americanas pouco se moveram na noite de terça-feira, com investidores na expectativa pela divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de setembro, programada para quarta-feira pela manhã. Os contratos futuros do S&P 500 e do Nasdaq-100 recuaram 0,03% e 0,1%, respectivamente, depois que os índices à vista fecharam em queda pelo segundo pregão consecutivo na terça, segundo a CNBC.
Mais cedo, logo após a abertura do mercado futuro, o Dow Jones havia perdido 17 pontos (0,03%), enquanto S&P 500 e Nasdaq 100 recuavam 0,01% cada um, conforme números citados pela CNBC.
Em meio a esse cenário, as ações do Bank of America caíram mais de 2% no after hours depois que a instituição foi atingida por penalidades federais superiores a US$ 1,2 bilhão. Segundo reguladores citados pela reportagem, o banco deixou de reportar mais de US$ 5 bilhões em transações consideradas suspeitas.
Ásia opera mista
Os mercados da região Ásia-Pacífico abriram de forma mista nesta quarta-feira. O índice australiano S&P/ASX 200 recuou 0,62%. No Japão, o Nikkei 225 avançou 0,32%, enquanto o Topix caiu 0,11%. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 0,82%, ao passo que o Kosdaq, de empresas menores, cedeu 0,45%.
Antes da abertura efetiva, os futuros do índice Hang Seng, de Hong Kong, estavam cotados em 24.340 pontos, ligeiramente abaixo do fechamento anterior de 24.345,22. O S&P/ASX 200 australiano chegou a cair 0,52% na primeira hora de negociação. Já os contratos futuros do Nikkei 225 negociados em Chicago e Osaka indicavam abertura em alta, cotados em 68.055 e 68.100 pontos, respectivamente, ante o fechamento anterior do índice em 67.777,52, de acordo com a CNBC.
Semicondutores pesam e temporada de balanços eleva a régua
Uma queda nas ações de semicondutores pressionou os principais índices americanos na terça-feira. O ETF VanEck Semiconductor (SMH) caiu pela sexta sessão consecutiva, em meio a receios crescentes sobre uma possível bolha de gastos em inteligência artificial e à preocupação com o avanço da concorrência chinesa no setor.
Grandes bancos divulgaram resultados trimestrais considerados fortes, mas as ações fecharam em queda — casos de Goldman Sachs e Citigroup. A reação do mercado, segundo a reportagem, sugere que as empresas enfrentam agora uma régua mais alta para agradar investidores nesta temporada de balanços do terceiro trimestre, especialmente no setor de tecnologia, onde os semicondutores devem ser o maior contribuinte para o crescimento de lucros na comparação anual.
De acordo com dados da FactSet citados pela CNBC, as companhias do S&P 500 devem reportar um crescimento combinado de lucros de aproximadamente 30%, enquanto o segmento de semicondutores e equipamentos para semicondutores deve apresentar expansão de 130%.
Marta Norton, estrategista-chefe de investimentos da Empower, comentou o cenário ao programa "Closing Bell: Overtime", da CNBC: "os fundamentos de negócio são muito fortes. É muito difícil contestar o lado da demanda na história dos chips". Ela acrescentou que a dúvida do mercado está menos na qualidade dos fundamentos e mais em quanto de valorização ainda resta para o setor.
O que esperar do CPI e o pano de fundo dos combustíveis
A divulgação do CPI de setembro está marcada para a manhã de quarta-feira nos Estados Unidos. Economistas consultados pela Dow Jones projetam alta de 3,6% na comparação anual, acima do 3,4% registrado na leitura anterior.
O dado chega em um momento de preços de petróleo elevados, com os consumidores pagando mais pela gasolina: a média nacional está em US$ 4,34 por galão, contra US$ 3,08 por galão um ano atrás, segundo a AAA, citada pela CNBC. Na semana passada, o presidente Donald Trump anunciou a flexibilização temporária das restrições às exportações de diesel russo, mas analistas ouvidos pela reportagem não acreditam que a medida terá efeito relevante na redução dos preços dos combustíveis para caminhoneiros e produtores rurais.
A temporada de balanços segue nesta quarta-feira, com a divulgação de resultados do próprio Bank of America e do Morgan Stanley pela manhã, além do relatório da fabricante holandesa de equipamentos para semicondutores ASML.
Bank of America: penalidade de mais de US$ 1,2 bilhão
O Bank of America foi multado em mais de US$ 1,2 bilhão por reguladores federais na terça-feira, que afirmaram que o segundo maior banco do país deixou de reportar, por anos, mais de US$ 5 bilhões em transações suspeitas e falhou em corrigir problemas antigos de prevenção à lavagem de dinheiro.
Segundo comunicado do Tesouro americano citado pela CNBC, mais de US$ 1 bilhão da atividade não reportada envolvia riscos de segurança nacional e outras questões de alta prioridade, incluindo redes de lavagem de dinheiro ligadas à China e atividades associadas à fronteira sudoeste do país. A penalidade foi anunciada menos de um dia antes de o banco divulgar seus resultados trimestrais, previstos para a manhã de quarta-feira.
Outros movimentos no after hours
Entre as ações que se destacaram no pregão estendido de terça-feira, a GameStop subiu quase 3% depois que o CEO e presidente do conselho, Ryan Cohen, revelou em documento regulatório ter comprado 844 mil ações da companhia.
O que isso significa para o investidor
O mercado americano segue em compasso de espera: segundo o scanner da TradingView, em 13/10/2026 às 21h22 (horário de Brasília), o S&P 500 operava em 7.805,45 pontos, com variação de −0,02% no dia, enquanto o Nasdaq marcava 27.204,38 pontos, recuo de −0,15%. Os números confirmam o clima de cautela relatado pela CNBC, com investidores evitando posições mais arriscadas antes do CPI.
Para quem investe no Brasil e acompanha ativos dolarizados ou expostos à política monetária americana, o dado de inflação de quarta-feira é o principal catalisador de curto prazo. Uma leitura de CPI acima do esperado tende a reforçar a cautela do Federal Reserve quanto a cortes de juros, pressionando ativos de risco globalmente — incluindo bolsas emergentes e o câmbio. Já uma leitura em linha ou abaixo do projetado pode aliviar parte da tensão vista nas últimas sessões.
A penalidade bilionária ao Bank of America e a fraqueza persistente em semicondutores são pontos a monitorar separadamente: o primeiro caso ilustra o risco regulatório crescente sobre o setor financeiro americano, às vésperas da divulgação de resultados do próprio banco; o segundo reflete uma reprecificação de expectativas sobre o ciclo de investimentos em inteligência artificial, tema que tem repercutido em ações de tecnologia negociadas globalmente, inclusive por meio de ETFs e BDRs acessíveis a investidores brasileiros.
Os preços de combustíveis nos Estados Unidos, com a gasolina custando mais do que um ano atrás segundo a AAA, também merecem atenção como variável que pode influenciar a leitura de inflação e, por consequência, as decisões futuras do Fed — com efeitos indiretos sobre o fluxo de capital para mercados emergentes como o brasileiro.
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