Os futuros ligados à Nasdaq-100 recuaram na noite de quinta-feira depois que as ações da Amazon e da Intel caíram em reação aos balanços trimestrais das duas companhias, segundo reportagem da CNBC. Os contratos futuros da Nasdaq-100 perderam 1,7%, enquanto os do S&P 500 cederam 0,7% e os do Dow Jones recuaram 13 pontos.
Na Ásia, o Nikkei 225 do Japão caiu 0,68%, enquanto o Topix avançou 0,26%. O Kospi, da Coreia do Sul, recuou 3,11% na abertura, e o Kosdaq, de small caps, cedeu 2,35%. Já o S&P/ASX 200 australiano subiu 0,65%, de acordo com os dados citados pela CNBC.
Amazon e Intel decepcionam o mercado
As ações da Amazon caíram 6% no after-hours depois que a companhia divulgou lucro e receita do terceiro trimestre abaixo das expectativas de Wall Street. A empresa reportou lucro de US$ 1,89 por ação sobre receita de US$ 201,94 bilhões, enquanto analistas consultados pela LSEG projetavam US$ 1,96 por ação e US$ 202,31 bilhões em receita, segundo a CNBC. A Amazon também registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 42,4 bilhões e manteve a previsão de investimentos em capital (capex) para 2026 em US$ 220 bilhões.
A Intel foi a maior perdedora do dia, com queda de cerca de 21% após divulgar uma projeção fraca para o trimestre atual, citando desaceleração no mercado de computadores pessoais. A companhia projeta lucro ajustado de 25 centavos por ação sobre receita entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões, enquanto analistas da LSEG esperavam lucro por ação de 43 centavos e receita de US$ 17,1 bilhões. A receita do grupo de computação para clientes e inteligência artificial física da Intel caiu 5% em relação ao ano anterior, para US$ 8,1 bilhões.
A Sandisk também recuou no pregão estendido, com queda de 3%, mesmo após superar as estimativas de lucro e receita no primeiro trimestre fiscal. A fabricante de dispositivos de armazenamento de dados reportou lucro ajustado de US$ 49,51 por ação, acima da projeção de US$ 46,22 da LSEG. A empresa também anunciou um desdobramento de ações na proporção de oito para um.
Segundo a CNBC, as quedas ocorrem em meio a um escrutínio mais amplo do mercado sobre o chamado 'trade de IA' — o conjunto de apostas em companhias ligadas à infraestrutura de inteligência artificial.
Alphabet arrasta Nasdaq no pregão regular
No pregão regular de quinta-feira, as ações da Alphabet caíram 12% após a controladora do Google errar as expectativas de lucro e receita do terceiro trimestre e registrar fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,07 bilhões. A queda da Alphabet puxou o Nasdaq Composite para uma perda de 1,4% na sessão regular, enquanto o S&P 500 recuou 0,3%, de acordo com a CNBC.
A reportagem destaca ainda que as ações da Alphabet formaram um padrão técnico conhecido como 'cruz da morte' durante o tombo de quinta-feira, quando a média móvel de 50 dias do papel (cerca de US$ 340,26) cruzou abaixo da média móvel de 200 dias (cerca de US$ 340,93). Foi a primeira vez que a Alphabet registrou esse padrão desde julho de 2025.
Outubro turbulento para o setor de IA
A sexta-feira marca o último pregão de outubro, mês descrito pela CNBC como volátil para o trade de inteligência artificial, com investidores atentos aos gastos das empresas com a expansão da infraestrutura do setor. As gigantes de tecnologia Alphabet e Microsoft não elevaram suas projeções de capex, nota a reportagem.
Ao mesmo tempo, as chamadas 'neoclouds' — companhias de computação em nuvem que sustentam a infraestrutura necessária para os datacenters de IA — enfrentam escrutínio dos investidores sobre seus níveis de endividamento. A CoreWeave, que viu seus rendimentos de títulos dispararem, é apontada pela CNBC como o principal símbolo dessa preocupação, com as ações da empresa acumulando queda de 30% em outubro. A Nebius, por sua vez, caminha para um recuo de 27% no mês.
O ETF Roundhill Memory (DRAM), que inclui nomes de memória ligados à IA como Micron e Seagate Technology, acumula queda de 14% em outubro, enquanto o iShares A.I. Innovation and Tech Active ETF (BAI) recua 10%, segundo os dados citados pela CNBC.
Com o fechamento do mês se aproximando, o Nasdaq Composite caminha para uma queda mensal de 2,5%. Já o S&P 500 está no caminho para um avanço de 0,9% em outubro, e o Dow Jones projeta alta de 2,8% no período.
Ásia replica perdas de Wall Street
As ações de tecnologia na Ásia caíram nesta sexta-feira, pressionadas tanto pelos resultados abaixo do esperado de empresas americanas quanto pela notícia de um hack cripto de US$ 5,7 bilhões ligado à Binance, segundo a CNBC.
No Japão, a SoftBank Group recuou 4,66%, enquanto a fabricante de equipamentos para chips Tokyo Electron caiu 3,93% e a Advantest perdeu 5,43%. Na Coreia do Sul, a SK Hynix caiu 6,36% e a Samsung Electronics recuou 3,45%. A reportagem observa que as ações de tecnologia vêm registrando volatilidade elevada nas últimas sessões, com o mercado sul-coreano, concentrado em semicondutores, alternando entre perdas acentuadas e ganhos recordes.
Antes da abertura da sexta-feira, os futuros do Nikkei 225 indicavam viés de baixa, com o contrato em Chicago cotado a 63.775 pontos e o correspondente em Osaka em 64.100 pontos, ante o fechamento anterior do índice em 64.659,47 pontos. Os futuros do índice Hang Seng, de Hong Kong, estavam em 23.108 pontos, contra o último fechamento de 22.958,65 pontos. O S&P/ASX 200 australiano era negociado com alta de 0,39% antes da abertura, segundo a CNBC.
Hack ligado à Binance pressiona Circle
A Circle Internet Group informou ter congelado mais de 800 milhões em USD Coin associados a um potencial incidente de segurança ligado à corretora de criptomoedas Binance. Em publicação nas redes sociais na quinta-feira, a Binance afirmou estar investigando 'um potencial problema de segurança' em sua plataforma de negociação.
Um porta-voz da Binance declarou à CNBC: 'Nossas equipes estão cientes de relatos de um potencial problema de segurança e estão investigando ativamente. Garantimos que os fundos dos usuários estão completamente seguros. Nossas equipes de segurança estão revisando todas as informações relevantes com urgência, e forneceremos atualizações pelos canais oficiais da Binance assim que tivermos informações verificadas.'
O CEO da Circle, Jeremy Allaire, confirmou na noite de quinta-feira o congelamento de mais de 800 milhões em USD Coin relacionado ao incidente. As ações da Circle fecharam o último pregão em queda de 4%, de acordo com a CNBC.
O que isso significa para o investidor
O conjunto de eventos relatados pela CNBC reforça um padrão que já vinha se desenhando em outubro: o mercado deixou de recompensar crescimento de receita ligado à IA de forma automática e passou a cobrar disciplina de capital e consistência de geração de caixa. Os casos de Amazon, Intel e Alphabet mostram que mesmo empresas com presença relevante no ecossistema de tecnologia não estão imunes a correções bruscas quando os números — ou as projeções — decepcionam.
Para quem investe no Brasil com exposição a ativos globais, via BDRs, ETFs internacionais ou fundos multimercado com posições em tecnologia americana, o episódio é um lembrete de que a volatilidade do trade de IA pode se propagar rapidamente para índices amplos: segundo o scanner da TradingView, em 29/10/2026 às 22h08 (horário de Brasília), o S&P 500 era cotado a 7.720,39 pontos, com queda de 0,30% no dia, e o Nasdaq a 26.184,72 pontos, recuo de 1,38% — movimento que já refletia parte da reação do mercado aos balanços citados na reportagem.
O escrutínio sobre o endividamento das neoclouds, mencionado pela CNBC no caso de CoreWeave e Nebius, é outro ponto a ser acompanhado de perto: se o custo de financiamento dessas empresas continuar subindo, isso pode encarecer a expansão da infraestrutura de IA e pressionar ainda mais as avaliações de empresas dependentes desse ciclo de investimento. Já o episódio envolvendo Binance e Circle acrescenta um fator de risco adicional ao universo cripto, que tende a reagir com mais intensidade a notícias de falhas de segurança.
Na prática, o investidor brasileiro com exposição internacional deve observar, nas próximas semanas, se os hyperscalers elevam ou mantêm suas projeções de capex, como evoluem os rendimentos de dívida das neoclouds e se o padrão técnico de 'cruz da morte' formado pela Alphabet se traduz em pressão vendedora adicional sobre o papel — fatores que, juntos, ajudarão a definir se a correção de outubro no setor de tecnologia é pontual ou o início de um movimento mais prolongado.
Agregado por AAR News · fonte: CNBC
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