O candidato da oposição à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), voltou a afirmar neste domingo (11) que, se eleito, preservará o reajuste do salário mínimo e o Bolsa Família. "Ninguém vai tocar em programas sociais", disse ele, durante um encontro com prefeitos e vereadores da região metropolitana de São Paulo, realizado em um restaurante no centro da capital paulista.
O encontro reuniu lideranças municipais sob a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que ajudaram a viabilizar o evento com os parlamentares locais.
Flávio disse que pretende ir além do que classificou como atuação social do governo atual, ao defender que o Bolsa Família venha acompanhado de mecanismos voltados a estimular a autonomia dos beneficiários, resumida na ideia de "fazer as pessoas andarem com as próprias pernas". Ele classificou como "merreca" o reajuste promovido pela gestão de Lula, dizendo que equivaleria a "R$ 3 por dia".
Discurso de confiança na reta final
O candidato afirmou enxergar um cenário favorável nas ruas e disse estar "preparado e motivado" para assumir o governo, descrevendo sua candidatura como um "projeto de Deus". Segundo ele, "estamos só a duas semanas de pôr fim à Era Lula no Brasil" — embora tenha reconhecido que a campanha não pode se dar por satisfeita, usando a expressão de que não pode "subir no salto".
Na leitura de Flávio, a disputa eleitoral teria se transformado em um confronto de "todo mundo contra o Lula", e o principal argumento de persuasão do eleitorado seria o contraste entre as gestões petista e a que ele promete liderar. Ele voltou a chamar o governo atual de "mentiroso" e manifestou expectativa de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acelere o combate à desinformação na campanha.
Promessa de décadas sem o PT no poder
O candidato do PL afirmou que, a partir do próximo ano, o país ficará "30, 40, 50 anos" sem o PT no comando, caso vença a eleição. Segundo ele, a intenção é construir uma gestão sólida o suficiente para que a legenda não volte a disputar espaço relevante, acrescentando que o investimento em educação de qualidade evitaria que a população mais pobre seja "enganada" politicamente, em suas palavras.
Juros, Congresso e segurança pública
Sobre política monetária, Flávio disse que pretende reduzir a taxa de juros "em pouquíssimo tempo", citando uma queda na faixa de 3 a 4 pontos percentuais, sem detalhar as medidas que adotaria para viabilizar esse movimento. A Selic está atualmente em 13,75% ao ano.
O candidato afirmou ainda que sua equipe avalia aprovar um conjunto de projetos já durante o período de transição, caso seja eleito, apostando em um Congresso que, segundo ele, estaria alinhado ao seu perfil político.
Na área de segurança pública, Flávio defendeu o endurecimento das penas e declarou que quem for condenado por roubo de celular deveria cumprir pena mínima de oito anos, apresentando a proposta como uma das prioridades de sua plataforma de combate a crimes patrimoniais.
Ele também voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando que o petista "teve que vender até a alma para o STF" para retornar à Presidência, em referência ao Supremo Tribunal Federal.
O que isso significa para o investidor
As falas de Flávio Bolsonaro se somam a um movimento mais amplo de disputa de narrativa sobre política social e fiscal na reta final da campanha. Como mostrou o AAR News, Lula já havia acusado planos de corte de gastos do adversário do PL de ameaçar o Bolsa Família, em ato de campanha em Natal — o que indica que o tema seguirá sendo central até o fim do pleito, com impacto potencial sobre expectativas de gasto público e trajetória fiscal.
A promessa de reduzir a Selic em 3 a 4 pontos percentuais "em pouquíssimo tempo", sem detalhamento de medidas, é um ponto que o mercado tende a observar com cautela: cortes de juros sem lastro em sinalização de política monetária concreta costumam gerar ruído em vez de direção clara para os ativos. A Ágora já havia apontado, em cobertura anterior do AAR News, que um eventual descompasso entre juros no Brasil e nos Estados Unidos poderia abrir espaço para migração de recursos à Bolsa — cenário que ganharia contornos distintos a depender de quem conduza a política econômica a partir do ano que vem.
Para o investidor, o ambiente eleitoral ainda carece de detalhamento técnico das propostas apresentadas pelos candidatos, o que mantém a incerteza como fator relevante na precificação de ativos brasileiros. Acompanhar o desenrolar da disputa, as reações do mercado a cada declaração e eventuais sinalizações mais concretas sobre política fiscal e monetária seguirá sendo essencial nas próximas semanas, especialmente diante da proximidade do pleito mencionada pelo próprio candidato.
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