O governo dos Estados Unidos pode autorizar novos carregamentos de diesel russo para o mercado internacional, a depender da conduta de Moscou na guerra contra a Ucrânia. A declaração foi dada pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, em entrevista à CNBC nesta terça-feira.
Wright descreveu a suspensão das sanções americanas às exportações de diesel russo, decidida no início deste mês, como um estímulo para que a Rússia encerre o conflito. Segundo ele, a medida ajuda no abastecimento de combustível apenas de forma marginal.
Pelo menos dois navios já estão em movimento sob esse arranjo. O petroleiro de bandeira russa Talisman tem chegada prevista à costa leste dos Estados Unidos em 9 de novembro, de acordo com a plataforma de rastreamento marítimo MarineTraffic. Outro navio, o Leruo, deixou a Rússia rumo à 'costa do Atlântico', sem declarar explicitamente os EUA como destino final.
Em entrevista ao programa 'Power Lunch', da CNBC, Wright afirmou que mais petroleiros carregando diesel russo poderiam 'muito possivelmente' zarpar sob a dispensa das sanções americanas. Ele classificou a abordagem como uma tentativa de oferecer um incentivo a Moscou.
O acordo em questão foi firmado entre o presidente Donald Trump e o presidente russo Vladimir Putin, prevendo a exportação de 800 mil toneladas métricas de diesel russo ao mercado global entre outubro e novembro, com um segundo lote adicional de um milhão de toneladas a seguir.
Trump negocia o acerto com Putin em meio a pressão política para conter a alta dos preços do diesel nos Estados Unidos, às vésperas das eleições de meio de mandato marcadas para a próxima terça-feira. Os preços de combustíveis subiram desde que EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, segundo a reportagem.
Volumes pequenos diante da demanda global
Analistas ouvidos pela CNBC avaliam que os volumes previstos no acordo Trump-Putin não devem reduzir os preços de forma relevante, já que representam parcela pequena frente à demanda global de diesel, estimada em cerca de 28 milhões de barris por dia.
O primeiro carregamento, de 300 mil toneladas métricas, equivale a aproximadamente 75 mil barris por dia caso distribuído ao longo de um mês. Já o segundo lote, de 500 mil toneladas, equivale a cerca de 124 mil barris por dia.
Críticas de Kiev e do Congresso americano
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy criticou duramente o acordo. A Ucrânia tem atacado refinarias russas ao longo deste ano como estratégia para reduzir a receita que o Kremlin obtém com exportações de energia e limitar a capacidade de Moscou de sustentar a guerra.
Os ataques ucranianos levaram a Rússia a impor um banimento às exportações de diesel em julho. O Kremlin posteriormente suspendeu parcialmente essa proibição para viabilizar o cumprimento do acordo fechado com Trump.
No Congresso americano, o acordo também foi alvo de críticas duras. Senadores republicanos se uniram a colegas democratas na assinatura de uma carta que classificou o entendimento como um presente ao adversário dos Estados Unidos e uma traição aos aliados do país, segundo a CNBC.
O que isso significa para o investidor
Para quem acompanha o mercado de energia, o episódio reforça que o alívio de preços de combustíveis nos EUA tem limites estruturais: mesmo com a flexibilização das sanções, os volumes de diesel russo autorizados são pequenos diante do consumo global, o que tende a restringir o impacto sobre cotações no curto prazo.
O calendário político também é um fator a observar. Com as eleições de meio de mandato marcadas para a próxima terça-feira, decisões como essa suspensão de sanções tendem a ser lidas pelo mercado dentro de um contexto mais amplo de pressão doméstica sobre o governo Trump — tema que já aparece na cobertura do AAR News sobre a queda na aprovação do presidente em pesquisas recentes da própria CNBC.
Investidores expostos a ativos ligados a sanções, geopolítica e commodities energéticas devem monitorar se o governo americano de fato amplia as dispensas para novos carregamentos russos, e como Moscou reage a esse incentivo. A reação do Congresso, incluindo críticas bipartidárias, também é um sinal de que o tema pode gerar instabilidade regulatória adicional sobre o fluxo de diesel russo nos próximos meses.
Agregado por AAR News · fonte: CNBC
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