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Drones ucranianos atingem terminais de petróleo em São Petersburgo

Ataque na madrugada deixou ao menos um morto e feridos, e também afetou data center da rede social VK e centro logístico da Ozon

Drones ucranianos atingem terminais de petróleo em São Petersburgo
BBC

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São Petersburgo foi alvo de um ataque noturno que atingiu diretamente dois pontos sensíveis da infraestrutura energética russa: o Terminal de Petróleo da cidade e o depósito de óleo de Ruchyi. Segundo a BBC, o governador da região, Alexander Beglov, confirmou que equipes trabalhavam para apagar incêndios causados pela ofensiva.

De acordo com a apuração, pelo menos uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas em decorrência dos ataques. A autoria não foi reivindicada publicamente por Kiev até o momento da publicação da matéria original.

Alvos além do setor de energia

O ataque não se limitou às instalações petrolíferas. Um centro de logística da Ozon — descrita pela BBC como a “Amazon russa” — e um data center da VKontakte, equivalente russo do Facebook, também foram atingidos na mesma operação.

A VK confirmou que um drone havia mirado seu data center regional, mas afirmou que os serviços seguiam disponíveis “como de costume”, mesmo após usuários relatarem instabilidades nas primeiras horas da manhã. A Ozon, por sua vez, confirmou que seu centro logístico local foi alvo de um drone, o que provocou um incêndio. A empresa informou que os funcionários foram evacuados, que não houve feridos e que o local não estava recebendo remessas de vendedores “por estar atualmente servindo a outros propósitos operacionais”.

Danos na cidade e resposta russa

Segundo o governador Beglov, 12 prédios de apartamentos e duas casas foram danificados nos ataques à cidade, e o Aeroporto de Pulkovo chegou a ser fechado temporariamente. Beglov também alertou para a possibilidade de interrupções no serviço de internet móvel.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter abatido mais de 1.000 drones ucranianos sobre território russo durante a madrugada de sábado para domingo.

Contexto da trégua energética rompida

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse neste sábado que a Rússia havia mirado o setor energético de seu país 76 vezes desde que Donald Trump declarou uma “trégua energética” na semana passada. Segundo a reportagem, a Ucrânia havia suspendido por três dias seus ataques a instalações petrolíferas russas após o anúncio de Trump — ataques que, segundo Kiev, visam limitar a principal fonte de receita do esforço de guerra de Moscou —, ao mesmo tempo em que acusava a Rússia de manter sua ofensiva.

Kiev retomou os ataques no início desta semana, o que gerou reação de Trump, que pediu uma trégua para viabilizar um acordo firmado com o presidente russo Vladimir Putin para o fornecimento de diesel à administração americana.

A BBC lembra que Ucrânia já havia atingido São Petersburgo antes, embora regiões mais próximas do território ucraniano sejam alvo com maior frequência. O terminal de petróleo da cidade havia sido atingido pela última vez em julho.

Além dos ataques recorrentes a instalações de petróleo em diversos pontos da Rússia, a Ucrânia também tem mirado alvos voltados a desestabilizar a economia russa de forma mais ampla. No início deste mês, uma série de ataques contra a Yandex, maior buscador do país, provocou interrupções de serviço.

Tensão entre Washington e Kiev

As relações entre Estados Unidos e Ucrânia se deterioraram depois que Washington fechou um acordo controverso para importar diesel russo, na tentativa de conter preços de energia que, segundo a BBC, dispararam nos EUA durante a guerra no Irã, às vésperas das eleições de meio de mandato. Zelensky sugeriu que o acordo equivale, na prática, a um investimento americano no esforço de guerra russo.

A decisão de Trump de suspender temporariamente uma série de sanções contra a Rússia também gerou críticas adicionais, inclusive de republicanos nos Estados Unidos.

Inverno e escalada mútua

Rússia e Ucrânia vêm intensificando ataques recíprocos contra infraestrutura energética às vésperas do inverno, no quinto ano da invasão em larga escala de Moscou. A Rússia afirma atingir alvos usados pelas forças militares ucranianas, mas a ONU apontou, na sexta-feira, que as duas primeiras semanas de outubro foram as mais letais para civis ucranianos em anos.

Ataques russos a instalações de energia deixaram centenas de milhares de pessoas sem eletricidade, segundo a reportagem, o que alimenta preocupações sobre a população enfrentando mais um inverno rigoroso sem suprimento regular.

Zelensky afirmou neste sábado que dezenas de milhares de pessoas ainda estavam sem energia. Segundo ele, a Rússia lançou quase 2.700 drones, 1.700 bombas aéreas e 66 mísseis na última semana, a maioria direcionada a instalações de energia.

O que isso significa para o investidor

O episódio reforça um padrão que já vinha se consolidando: ataques cruzados a infraestrutura energética como ferramenta central do conflito, com potencial de gerar volatilidade pontual em mercados de petróleo e gás sempre que terminais, refinarias ou dutos russos são afetados. Para quem acompanha ativos ligados a energia, o ponto relevante não é apenas o episódio isolado em São Petersburgo, mas a fragilidade da chamada “trégua energética” anunciada por Trump — que, segundo Zelensky, já teria sido violada dezenas de vezes pelo lado russo.

A suspensão parcial de sanções dos EUA contra a Rússia, combinada ao acordo de diesel entre Washington e Moscou, cria um pano de fundo político incomum: ao mesmo tempo em que tenta mediar uma trégua, o governo americano aprofunda laços comerciais energéticos com o país sancionado, o que tem gerado desconforto até entre republicanos. Esse tipo de ambiguidade tende a manter investidores em alerta quanto à previsibilidade da política externa americana sobre o setor de energia.

No curto prazo, o que vale observar é a frequência e a magnitude dos ataques a terminais e refinarias russas — fatores que, historicamente, têm potencial de interferir em fluxos de exportação de petróleo e, por consequência, em preços internacionais. Também merece atenção a reação de Moscou, tanto no campo militar quanto diplomático, e eventuais novos capítulos na relação entre Washington e Kiev, que parece cada vez mais tensionada pelo acordo de diesel.

Agregado por AAR News · fonte: BBC

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