O Dow Jones Industrial Average encerrou a quinta-feira em alta expressiva, impulsionado por uma realocação de capital que tirou recursos das apostas ligadas à inteligência artificial e os direcionou para outros setores. Segundo a CNBC, o movimento ocorreu em meio à digestão, pelos investidores, de dados econômicos americanos que reforçaram o quadro de inflação persistente.
O índice blue-chip somou 556,21 pontos, equivalente a 1,08%, fechando em 52.177,69 pontos. O S&P 500 avançou 0,33%, a 7.744,06 pontos, enquanto o Nasdaq Composite, mais exposto a tecnologia, subiu apenas 0,08%, a 26.713,03 pontos, depois de ter caído até 1,4% durante o pregão, segundo a reportagem.
Pressão sobre memória e concorrência chinesa
Ações de Seagate Technology e Western Digital ampliaram as perdas da semana, movimento acompanhado pelos papéis da SK Hynix, que, de acordo com a CNBC, provocaram uma forte queda no índice Kospi da Coreia do Sul durante a madrugada. O mercado passou a temer um excesso de oferta de chips de memória, à medida que a Coreia do Sul enfrenta concorrência crescente da China. O executivo-chefe da Tesla, Elon Musk, comentou o tema em publicação na rede social X, afirmando que a China produzirá uma grande quantidade de memória RAM em 2028, segundo o levantamento da emissora americana.
Anthropic reacende dúvidas sobre o ritmo de crescimento da IA
Fontes ouvidas pela CNBC informaram que a receita da Anthropic cresceu para US$ 16,8 bilhões no terceiro trimestre. Parte dos investidores, no entanto, questiona se esse ritmo de expansão é suficiente para sustentar os ganhos elevados acumulados pelas fabricantes de chips, o que ajudou a alimentar o clima de cautela em torno do setor de IA ao longo do dia.
CoreWeave e Micron revertem perdas
Nem todas as ações ligadas à inteligência artificial fecharam no vermelho. A CoreWeave subiu quase 6%, revertendo o tombo de mais de 15% registrado na sessão anterior, quando investidores temeram endividamento excessivo da empresa para financiar sua expansão em infraestrutura de IA — movimento que também provocou alta nos rendimentos dos títulos corporativos da companhia. A Micron Technology, por sua vez, recuperou-se de perdas iniciais e fechou com avanço de quase 2%, segundo a CNBC.
Alex Shahidi, co-CIO da Evoke, unidade da MAI Capital Management, comentou o cenário à reportagem: "quando os Treasuries rendem 5%, o maior patamar desde o início dos anos 2000, os investidores passam a pesar essa alternativa diante de uma grande aposta em IA". Para ele, a questão não é mais estar dentro ou fora da IA, mas sim o grau de concentração que cada investidor deseja assumir.
Varejo e consumo sustentam o pregão
Parte do suporte ao mercado veio de setores fora da tecnologia. As ações do Walmart subiram 1,5%, enquanto os papéis da Nike saltaram mais de 5%, segundo os dados citados pela CNBC.
Dados de inflação reforçam cautela com o Fed
A leitura de setembro para os preços ao produtor (PPI) mostrou alta de 1,3% no mês e de 6,3% em doze meses — os maiores avanços mensal e anual desde 2022, de acordo com a reportagem. O resultado veio um dia depois de dados mostrarem que os preços ao consumidor de setembro subiram mais do que o esperado na comparação anual, o que já havia pressionado as ações na quarta-feira em meio a temores de que o Federal Reserve possa endurecer a política monetária mais rapidamente antes do fim do ano.
David Russell, chefe global de estratégia de mercado da TradeStation, disse à CNBC que o PPI de quinta-feira, somado ao CPI do dia anterior, confirma que a inflação está piorando com os preços de energia ainda elevados. Segundo ele, independentemente do calendário eleitoral, os preços seguem subindo e o Fed pode ser forçado a agir.
Fechamento dos três principais índices
Ao final do pregão de quinta-feira, as três principais referências de Wall Street terminaram em terreno positivo. O S&P 500 avançou 0,33%, encerrando em 7.744,06 pontos; o Nasdaq Composite subiu apenas 0,08%, a 26.713,03 pontos; e o Dow Jones saltou 556,21 pontos, ou 1,08%, para 52.177,69 pontos, segundo os números compilados pela CNBC.
Barclays vê sinais de interesse em fusão entre SpaceX e Tesla
Analistas do Barclays afirmaram, em nota de quarta-feira, perceber indícios de que executivos estariam avaliando uma eventual combinação entre SpaceX e Tesla. O analista Dan Levy escreveu aos clientes que comentários recentes da administração sugerem que a cúpula das empresas enxerga benefícios relevantes nessa integração, embora não tenha detalhado quais seriam, segundo a CNBC.
Levy avalia que a integração vertical das cadeias de produção das duas companhias, somada à eliminação de redundâncias administrativas, agregaria valor ao conjunto. O analista colocou o data center Terafab, no Texas — já estruturado como uma joint venture —, no centro dessa possível combinação, destacando que Elon Musk acredita fortemente que o projeto será necessário para atender às necessidades de computação tanto da Tesla quanto da SpaceX.
Amplitude de mercado melhora no S&P 500
A reportagem da CNBC destacou que o desempenho do S&P 500 está se tornando mais distribuído entre os setores. Mais da metade das ações do índice está sendo negociada acima de suas médias móveis de 200 dias, uma melhora em relação a menos de 40% no fim de setembro, período em que os ganhos estavam concentrados principalmente em ações de tecnologia.
Entre os papéis que voltaram a superar essa média móvel de longo prazo pela primeira vez em mais de um mês estão Walmart, Kroger, HCA Healthcare e Universal Health Services, segundo o levantamento assinado pelos jornalistas Nick Wells e Tobias Burns.
Setor de semicondutores acumula oito sessões de queda
O ETF iShares Semiconductor (SOXX) caiu pela oitava sessão consecutiva, a primeira sequência dessa duração desde setembro de 2015 — a maior série negativa desde nove sessões seguidas em maio de 2006. Segundo a CNBC, o fundo acumula queda superior a 15% nesse período e, na última atualização do dia, recuava cerca de 2%.
O ETF VanEck Semiconductor (SMH) também está em sua oitava sessão seguida de perdas, igualando a sequência mais longa desde maio de 2006, quando o fundo caiu por nove pregões consecutivos, de acordo com os dados citados pela reportagem.
Baird eleva recomendação do Bank of America mesmo após balanço fraco
A casa de análise Baird elevou a recomendação do Bank of America para outperform, ante neutra, mantendo o preço-alvo em US$ 62 — o que implica um potencial de valorização de 21% em relação ao fechamento de US$ 51 registrado na quarta-feira, segundo a CNBC.
A revisão para cima ocorre mesmo após o banco divulgar um trimestre fraco antes da abertura do mercado na quinta-feira. O Bank of America reportou lucro por ação abaixo do esperado, receita não vinculada a juros fraca e despesas mais altas na quarta-feira, o que levou as ações a recuarem naquele pregão.
O que isso significa para o investidor
O pregão de quinta-feira, com cotações de 7.744,06 pontos para o S&P 500 e 26.713,03 pontos para o Nasdaq Composite às 20h43 (horário de Brasília) de 15/10/2026, segundo o TradingView, ilustra um momento de transição na composição dos ganhos em Wall Street. A alta do Dow, puxada por nomes de varejo e consumo, contrasta com a fraqueza relativa do Nasdaq, sinalizando que parte do capital está deixando as apostas mais concentradas em IA e chips em busca de ativos com valuations menos esticados.
Para quem investe no Brasil e acompanha ativos globais, a combinação de inflação ao produtor em alta nos EUA com rendimentos de Treasuries próximos de 5% — mencionados por Alex Shahidi como referência de oportunidade de custo — reforça a necessidade de monitorar o rumo da política monetária americana. Um Fed mais hawkish tende a pressionar ativos de risco de forma ampla, inclusive os emergentes, e pode elevar a volatilidade cambial.
A sequência de oito sessões de queda nos ETFs de semicondutores, a maior desde 2006 segundo os dados citados pela CNBC, é um indicador relevante para quem monitora o apetite por risco no setor de tecnologia. Enquanto nomes como CoreWeave e Micron conseguiram reverter perdas pontuais, a origem do movimento — receio sobre o ritmo de crescimento de receita da Anthropic e sobre o nível de endividamento do setor — ainda não foi dissipada, o que sugere espaço para novos episódios de volatilidade nas próximas semanas.
Por fim, a melhora na amplitude do S&P 500, com mais da metade das ações acima da média móvel de 200 dias, pode ser lida como um sinal de que o mercado americano está buscando bases mais sólidas para sustentar a alta, menos dependentes de um punhado de gigantes de tecnologia. Para investidores brasileiros com exposição a fundos internacionais ou ETFs ligados a Wall Street, esse é um ponto a acompanhar: uma rotação mais ampla tende a reduzir a concentração de risco, mas também pode significar menor retorno potencial caso o ciclo de IA volte a liderar os ganhos.
Agregado por AAR News · fonte: CNBC
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