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Dólar encadeia terceira alta seguida após cair abaixo de R$ 5

Moeda avançou 1,17% na quinta-feira e fechou a R$ 5,087; economista da Clear monitora fluxo estrangeiro e níveis técnicos do minidólar

Dólar encadeia terceira alta seguida após cair abaixo de R$ 5
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O dólar voltou a se valorizar frente ao real depois da queda expressiva registrada logo após o primeiro turno das eleições presidenciais. Segundo dados citados pelo InfoMoney, a moeda americana subiu 1,17% na quinta-feira, dia 15, encerrando o pregão cotada a R$ 5,087 — a terceira sessão seguida de ganhos.

O movimento chama atenção por contrastar com a reação observada logo após o pleito, quando a divisa havia recuado para patamares abaixo de R$ 5, depois de ter fechado o último pregão antes da eleição em R$ 5,2165, de acordo com o InfoMoney.

A sequência de altas reacende o debate sobre os rumos do câmbio brasileiro nas próximas semanas, em um cenário que combina expectativas em torno do desfecho eleitoral, o apetite de investidores estrangeiros por ativos locais e a trajetória futura da Selic. Variações na cotação também repercutem sobre companhias com forte exposição à moeda americana, caso de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), conforme destaca a reportagem original.

Rafael Perretti, economista da Clear Corretora, avalia que a valorização do real vista logo depois do primeiro turno esteve ligada sobretudo à entrada de recursos estrangeiros e à melhora no humor em relação à economia brasileira. Para ele, no entanto, a manutenção dessa tendência depende de como os investidores internacionais vão se posicionar daqui para frente e de como evoluem as expectativas sobre as contas públicas do país.

Ele resume o raciocínio afirmando que, caso os investidores internacionais mantenham e ampliem suas posições na bolsa brasileira, esse comportamento tende a contribuir para um dólar mais barato, segundo trecho reproduzido pelo InfoMoney.

O economista pondera que uma eventual inversão nesse fluxo de capital poderia devolver força à moeda americana. No campo técnico, o contrato futuro de dólar tenta reverter parte da queda recente, enquanto o mercado tenta identificar se esse movimento de recuperação tem fôlego e quais faixas de preço podem balizar os próximos passos.

Por que o dólar recuou abaixo de R$ 5 após o primeiro turno

A queda acentuada da moeda americana no início de outubro ocorreu em meio a um ambiente de otimismo renovado dos investidores com as perspectivas da economia brasileira, segundo a reportagem.

No primeiro pregão após o primeiro turno, em 5 de outubro, o dólar à vista abriu cotado a R$ 4,9760, recuo de 4,61% frente ao fechamento do pregão anterior, conforme os dados apresentados pelo InfoMoney.

Perretti aponta duas razões principais para explicar essa reação: de um lado, a chegada de capital estrangeiro; de outro, a revisão nas apostas do mercado sobre o caminho dos juros no Brasil.

Na leitura do economista, a entrada de recursos de fora eleva a oferta de dólares disponível no mercado doméstico, o que tende a beneficiar o real. Simultaneamente, a melhora nas perspectivas para a economia ajudou a fortalecer os ativos brasileiros de forma mais ampla.

As estimativas reunidas no Boletim Focus também mudaram de direção nesse período. Há cerca de um mês, a mediana das projeções apontava uma Selic de 13,75% ao ano para o fim de 2026; em seguida, essa expectativa recuou para 13,50% e, mais recentemente, passou a 13,25%, de acordo com o levantamento citado pela reportagem.

Como a taxa básica de juros está atualmente em 13,75% ao ano, a nova mediana sugere que o mercado já embute a possibilidade de um corte acumulado de 0,50 ponto percentual até dezembro.

Para Perretti, essa revisão nas expectativas sobre juros alimentou o otimismo em torno de um ciclo mais amplo de reduções da Selic, o que ajudou a explicar a reação positiva dos ativos brasileiros no período seguinte ao primeiro turno.

Capital estrangeiro e risco fiscal: o que pode alterar a trajetória do dólar

O comportamento dos investidores estrangeiros aparece como um dos pontos centrais a serem monitorados nas próximas semanas, segundo a reportagem do InfoMoney.

Perretti pondera que, se esses recursos permanecerem alocados no país, essa postura tende a beneficiar o real; já um movimento de realização de lucros, com saída de capital, pode elevar a demanda pela moeda americana.

Em suas palavras, reproduzidas pela reportagem, caso haja realização de lucros por parte dos estrangeiros, isso deve se refletir na cotação do dólar.

O economista destaca ainda que o desenho do cenário eleitoral e a percepção sobre a responsabilidade fiscal do país figuram entre os fatores mais acompanhados pelos investidores de fora. Apesar da reação inicialmente favorável do mercado, a proximidade do segundo turno mantém em aberto a possibilidade de mudanças nessas expectativas.

Perretti também chama atenção para o papel de medidas fiscais eventualmente adotadas pelo governo, que, na avaliação dele, podem interferir diretamente na forma como os investidores enxergam o risco do país.

Segundo o economista, um eventual enfraquecimento das expectativas fiscais pode levar os investidores a mudar de comportamento, recorrendo com mais intensidade à moeda americana como proteção.

Ele resume essa possibilidade afirmando que, caso o país passe a conviver com um risco fiscal mais evidente, os investidores podem buscar refúgio numa moeda de proteção — no caso, o dólar, segundo a citação reproduzida pela reportagem.

Apesar do alerta, Perretti não trata esse cenário como o mais provável no momento atual. Para ele, a manutenção do fluxo de capital estrangeiro ainda tem potencial de sustentar a valorização do real, desde que as expectativas para a economia continuem positivas.

Leitura técnica: dólar futuro esbarra em região de resistência após forte queda

Ao observar o gráfico diário do minidólar futuro, Perretti ressalta a recuperação do contrato depois do ajuste brusco verificado na sequência do primeiro turno.

Antes da eleição, o contrato era negociado perto da marca de 5.250 pontos. A reação inicial ao resultado nas urnas provocou um recuo acentuado, com o ativo abrindo perto dos 5.000 pontos e chegando a operar abaixo desse nível.

De lá para cá, o contrato vem recuperando parte do espaço perdido de forma gradual, se aproximando de uma faixa de preços considerada relevante para indicar os próximos movimentos.

A análise toma como base o gráfico contínuo e ajustado do contrato futuro, que já incorpora efeitos de rolagem e de juros embutidos — por isso, os patamares mencionados não equivalem exatamente à cotação do dólar à vista.

Segundo Perretti, a faixa entre 5.081 e 5.085 pontos funciona como referência técnica importante, já que reúne uma antiga zona de suporte e também a mínima do ano observada nessa série ajustada.

Depois do tombo inicial, o contrato voltou a se aproximar dessa faixa, que passou a atuar como barreira para novas altas em vez de piso, como ocorria antes.

Ele descreve essa inversão afirmando que uma região que antes funcionava como suporte se transformou em resistência, de acordo com trecho reproduzido pelo InfoMoney.

Na interpretação do economista, a dificuldade em romper essa faixa abriu espaço para um recuo de curto prazo, com o contrato passando a oscilar perto dos 5.057/5.060 pontos — uma região que merece acompanhamento nos próximos pregões.

Se o movimento de recuperação ganhar tração e o contrato conseguir romper a resistência localizada entre 5.081 e 5.085 pontos, isso poderia abrir caminho para uma retomada mais consistente, levando o ativo de volta às faixas de negociação vigentes antes da queda pós-eleitoral.

Por outro lado, caso o impulso comprador perca força, o cenário técnico favoreceria novos testes dos níveis de suporte mapeados no gráfico, inicialmente em torno de 4.995,5 pontos, com uma segunda referência situada entre 4.978 e 4.969 pontos.

Essas marcas servem como balizas para avaliar se o movimento recente é apenas uma correção temporária ou se há espaço para uma pressão vendedora mais duradoura, num momento em que o mercado segue de olho tanto nos desdobramentos econômicos quanto nos políticos.

Um dólar mais barato pode pressionar exportadoras

Além do cenário de curto prazo, Perretti chama atenção para os possíveis efeitos de uma valorização mais intensa do real sobre empresas exportadoras.

Ao traçar um cenário hipotético em que o dólar chegasse a R$ 4,50, o economista observa que companhias com receitas atreladas à moeda americana poderiam sentir maior pressão sobre seus resultados financeiros.

Isso porque uma cotação mais baixa do dólar reduz, em termos de reais, o valor das receitas obtidas no exterior — embora o efeito final em cada balanço dependa também da estrutura de custos, do nível de endividamento e do grau de exposição cambial de cada empresa, segundo pondera o economista na reportagem.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha o câmbio como variável de alocação, o sinal mais relevante desta semana é a reversão parcial da euforia inicial do pós-primeiro turno: três pregões seguidos de alta mostram que o mercado está testando até onde vai a confiança no fluxo estrangeiro antes de validar um real mais forte de forma estrutural. Pelo scanner do TradingView, em 18/10/2026 às 10h20 BRT, o dólar operava a R$ 5,0627, com queda de 0,71% no dia — ou seja, ainda bem distante tanto do piso visto logo após o primeiro turno quanto do patamar de R$ 5,2165 anterior à eleição, o que reforça a leitura de um mercado em busca de equilíbrio.

A reportagem do AAR News já vinha monitorando esse ambiente de maior volatilidade em outros mercados de risco — como mostrou a cobertura sobre a venda de ações de chips e a disseminação de dúvidas em torno de uma eventual bolha em inteligência artificial, publicada em 15/10/2026, e a posterior recuperação do bitcoin e das bolsas asiáticas registrada em 16/10/2026. Esse pano de fundo de nervosismo global ajuda a explicar por que movimentos de capital estrangeiro no Brasil tendem a ser mais sensíveis a notícias eleitorais e fiscais neste momento.

Para investidores expostos a exportadoras, vale observar de perto os números de Vale e Petrobras à luz do câmbio: no mesmo horário de referência do TradingView, VALE3 era cotada a R$ 66,21, com leve recuo de 0,32% no dia, enquanto PETR4 avançava 4,04%, a R$ 59,68. Como lembra Perretti, qualquer movimento mais consistente do dólar em direção a patamares mais baixos — como o cenário hipotético de R$ 4,50 citado por ele — tende a pressionar receitas em reais de empresas com forte parcela de faturamento em moeda estrangeira, ainda que o efeito final dependa da estrutura de custos e da dívida de cada companhia.

No curto prazo, os níveis técnicos indicados pelo economista da Clear — a resistência entre 5.081 e 5.085 pontos no minidólar futuro e os suportes nas proximidades de 4.995,5 e da faixa entre 4.978 e 4.969 pontos — funcionam como roteiro prático para quem usa câmbio como proteção de carteira. Romper a resistência sinalizaria espaço para o dólar recuperar parte do território perdido após a eleição; already perder os suportes reforçaria a tese de um real mais forte, dependente da continuidade do apetite estrangeiro e da ausência de sobressaltos fiscais.

Agregado por AAR News · fonte: InfoMoney

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos