O Federal Reserve anuncia hoje sua decisão sobre a taxa básica de juros às 2 p.m. ET (18h UTC), com coletiva do presidente Kevin Warsh meia hora depois, segundo a newsletter Daybook, da CoinDesk.
A expectativa do mercado é de manutenção da taxa no intervalo entre 3,75% e 4%, cenário já sinalizado desde as projeções de setembro, quando a maioria dos dirigentes do Federal Open Market Committee (FOMC) indicava apenas mais um aumento neste ano, com dezembro como data mais provável para esse movimento, de acordo com a CoinDesk.
Dissidência pode mudar o tom
Justamente por isso, qualquer dissidência dentro do comitê ganha peso incomum nesta reunião. A CoinDesk observa que, se três ou mais membros votantes se opuserem à manutenção da taxa e defenderem elevação, o sinal seria de urgência crescente entre os formuladores de política monetária para apertar as condições financeiras, alimentando apostas em altas mais agressivas nos próximos meses.
Esse cenário, segundo a publicação, tende a fortalecer o Dollar Index e pressionar o bitcoin, negociado a US$ 80.452,40 no momento citado pela CoinDesk.
Condições financeiras em foco
Outro ponto de atenção é a leitura de Warsh sobre as condições financeiras do país. O rendimento do Treasury de 10 anos recuou para 5%, queda de 36 pontos-base desde 7 de outubro, enquanto o título de 30 anos caiu 40 pontos-base no mesmo período, conforme dados citados pela CoinDesk.
Esse afrouxamento nas condições financeiras — que medem a disponibilidade de crédito na economia e têm efeito direto sobre o apetite a risco nos mercados — pode, se reconhecido publicamente por Warsh, reforçar apostas em novas altas de juros nos próximos meses, segundo a análise da CoinDesk.
Inflação e preços de energia pressionam o discurso
A inflação ao consumidor veio acima do esperado por dois meses consecutivos, enquanto os preços do petróleo seguem perto de US$ 100 e o diesel nos Estados Unidos está em máximas históricas, de acordo com a CoinDesk. Esse pano de fundo deixa pouco espaço para Warsh priorizar crescimento em detrimento do combate à inflação em sua comunicação.
A publicação destaca ainda que os comentários do presidente do Fed sobre o tema podem influenciar diretamente o mercado, dado o contexto de pressão inflacionária persistente combinada com energia cara.
Criptomoedas sobem antes da decisão
O bitcoin operava em alta na véspera do anúncio, cotado recentemente a US$ 81.411, avanço superior a 2% em 24 horas, segundo a CoinDesk. Ether, solana (SOL) e XRP também registraram ganhos superiores a 2% no mesmo período, conforme a publicação.
O que está em alta no radar
Entre os destaques do dia, a CoinDesk aponta que o Google vai apresentar um novo sistema de segurança para custódia cripto, batizado de Google Multi-Party Compute, voltado a ajudar bancos e instituições financeiras a proteger e movimentar criptomoedas e ativos tokenizados diante do avanço de ameaças ligadas a inteligência artificial.
A publicação também traz um levantamento histórico: desde sua criação em 2009, o bitcoin passou por quatro eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos. Excluindo 2010, quando o mercado era pequeno e marginal, as outras três ocasiões registraram alta média de 54% no preço do BTC nos 12 meses seguintes, segundo dados analisados pela CoinDesk.
Outro caso citado é o da Datavault AI (DVLT), empresa com reservas em bitcoin, cujas ações caíram quase 50% depois que um documento revelou que a companhia está impossibilitada de sacar bitcoin da exchange Biconomy desde junho e terá de refazer seus resultados financeiros, segundo a CoinDesk.
A CoinDesk também reproduz informação da CNBC de que os rendimentos dos Treasuries subiram antes do anúncio do Fed, com o papel de 10 anos acrescentando mais de 2 pontos-base, para 5,0134%.
Dólar sob o comando de Warsh
Um gráfico citado pela CoinDesk, com dados do banco ING, mostra as oscilações do Dollar Index (DXY) desde janeiro deste ano, índice que acompanha o valor do dólar frente a uma cesta de moedas fiduciárias. Segundo o ING, o DXY tem seguido de perto o tom das falas de Warsh nos meses posteriores às reuniões de juros do Fed.
Isso reforça, na leitura da CoinDesk, a importância da reunião de hoje: os movimentos do dólar a partir desta decisão podem influenciar o comportamento de diversos mercados, incluindo as criptomoedas.
O que isso significa para o investidor
Para quem acompanha ativos de risco a partir do Brasil, a reunião do Fed funciona como um termômetro duplo: por um lado, define o custo do dinheiro em dólar, que afeta o apetite global por ativos como bitcoin; por outro, sinaliza até onde o banco central americano está disposto a tolerar inflação acima da meta em troca de crescimento. O número de votos dissidentes no FOMC, mais do que a decisão em si, tende a ser o dado mais informativo da tarde.
Conforme o scanner da TradingView, em 28/10/2026 às 13h06 (horário de Brasília), o bitcoin era cotado a US$ 80.440,49, com queda de 0,42% no dia, e o Ethereum a US$ 2.330,70, recuo de 0,68% — números que já refletiam parte da cautela do mercado antes do anúncio oficial do Fed. O S&P 500, por sua vez, operava a 7.737,53 pontos, com alta de 0,19% no mesmo horário.
Se a dissidência vier com força — três ou mais votos favoráveis a alta imediata —, o cenário mais provável é de fortalecimento do dólar e pressão adicional sobre criptoativos e ações de crescimento, replicando o padrão descrito pelo ING em relação ao comportamento do DXY após falas de Warsh. Já um tom que reconheça o afrouxamento das condições financeiras, sem dissidência relevante, tende a ser lido como mais acomodatício, favorecendo ativos de risco no curto prazo.
Para o investidor brasileiro com exposição a cripto ou a ativos dolarizados, o recomendável é acompanhar não apenas o número da decisão, mas o detalhamento dos votos e o tom da coletiva de Warsh sobre inflação e preços de energia — variáveis que, segundo a cobertura da CoinDesk, têm potencial de mover tanto o Dollar Index quanto o apetite por bitcoin e demais criptomoedas nas próximas semanas.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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