A presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack, afirmou nesta segunda-feira que uma política monetária mais restritiva pode ser necessária para conter a inflação nos Estados Unidos, defendendo que o banco central promova mudanças de juros pequenas, mas em ritmo relativamente rápido.
As declarações foram feitas durante o encontro anual da National Association of Business Economics, em discurso preparado por Hammack, que é membro votante do comitê de política monetária do Fed neste ciclo.
Segundo ela, quando viável, é preferível realizar ajustes menores com mais frequência do que esperar e correr o risco de precisar de uma correção de rumo mais drástica no futuro. Hammack acrescentou que, considerando o conjunto de fatores que orientam sua leitura da economia, uma postura monetária restritiva é adequada para garantir o retorno da inflação à meta de 2% dentro de um prazo razoável.
Sinalização de novas altas de juros
A fala de Hammack reforça a leitura de que o Fed pode promover novos aumentos de juros à frente. A ata da reunião de setembro já havia indicado que os dirigentes do banco central consideram a possibilidade de votar por uma nova alta, embora sem apontar um prazo claro para essa decisão.
O Fed elevou os juros no mês passado pela primeira vez em três anos, um movimento que marca uma inflexão na condução da política monetária americana recente.
De acordo com a ferramenta FedWatch, da CME, o mercado precifica uma probabilidade superior a 78% de que o Fed mantenha os juros inalterados na reunião de política monetária deste mês. Para a última reunião do ano, em dezembro, os operadores veem uma chance de quase 88% de uma nova alta.
Inflação persistente e riscos para as expectativas
Hammack disse que a inflação resistente representa desafios tanto para consumidores e empresas quanto para os formuladores de política monetária. Segundo a dirigente do Fed de Cleveland, a amplitude das pressões inflacionárias atuais faz com que seja necessário algum tempo até que o crescimento anual de preços volte à meta de 2% do banco central.
O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) registrou alta de 3,4% na comparação anual em agosto. Já o núcleo do indicador, que exclui itens voláteis de alimentos e energia e é a métrica preferida do Fed, avançou 3% no mesmo período.
Hammack observou que as expectativas de inflação de longo prazo permaneceram notavelmente bem ancoradas, mesmo com a inflação efetiva acima da meta por mais de cinco anos. Ainda assim, ela fez questão de dizer que não considera essa ancoragem garantida.
"Com cada mês que passa, a inflação persistentemente elevada aumenta os riscos de uma mentalidade inflacionária se enraizar na economia", afirmou a dirigente, segundo a CNBC.
O que isso significa para o investidor
A fala de Hammack reforça um cenário em que o Fed mantém a porta aberta para novas altas de juros, mesmo após ter retomado o ciclo de aperto no mês passado pela primeira vez em três anos. Para quem investe em ativos de renda fixa e variável atrelados aos EUA, isso significa monitorar de perto a reunião deste mês e, principalmente, a de dezembro, dado que o mercado já precifica probabilidade elevada de nova alta no encontro final do ano.
O quadro de inflação ao consumidor ainda rodando acima da meta — com o PCE em 3,4% e o núcleo em 3% na leitura mais recente — sustenta a cautela dos dirigentes do Fed em relação a cortes, e justifica a preferência por ajustes graduais e frequentes defendida por Hammack. Investidores que operam com expectativa de afrouxamento monetário nos EUA devem reavaliar esse cenário à luz dessas sinalizações.
Para o investidor brasileiro, o desdobramento dessa política nos EUA tem efeito direto sobre o fluxo de capital para mercados emergentes e sobre o custo de capital em dólar. Uma postura mais restritiva e prolongada do Fed tende a manter o dólar fortalecido e a pressionar ativos de risco fora dos Estados Unidos, reforçando a importância de acompanhar as próximas atas e comunicados do banco central americano antes de ajustar posições em renda fixa, câmbio ou bolsa.
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