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Detentores ricos de bitcoin migram para empréstimos e rendimento, diz CEO da Xapo

Seamus Rocca, da Xapo Bank, afirma à CoinDesk que investidores de longo prazo priorizam tomar crédito com BTC como garantia e gerar renda, em vez de apenas especular

Xapo's Seamus Rocca (courtesy Xapo Bank)
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Investidores de alta renda que detêm bitcoin estão cada vez mais encarando o ativo como peça central de uma estratégia de banco privado, e não apenas como ficha de especulação. É o que afirma Seamus Rocca, CEO da Xapo Bank, em entrevista à CoinDesk, ao descrever uma mudança de comportamento entre os clientes da instituição sediada em Gibraltar.

Segundo Rocca, os clientes da Xapo buscam três movimentos principais: obter dinheiro sem vender suas posições em bitcoin, direcionar parte das reservas para investimentos geradores de renda, ou acumular mais BTC por meio de juros pagos sobre depósitos em dólar. Ele resume a demanda como sendo por rendimento e por retorno diferenciado — fundos e family offices, diz, têm procurado especificamente produtos de acumulação e geração de renda.

Esse comportamento, segundo o executivo, reflete o amadurecimento do bitcoin como classe de ativo. Cinco ou seis anos atrás, lembra Rocca, a criptomoeda era vista sobretudo como instrumento de negociação e especulação; hoje, uma parcela maior de detentores quer serviços financeiros estruturados em torno da riqueza que já acumulou.

A Xapo nasceu de um negócio de custódia de bitcoin conhecido por armazenar os ativos em bunkers na Suíça. A base de clientes inclui adotantes iniciais que já passaram por diversos halvings — as reduções periódicas na emissão de novos bitcoins — e pelos ciclos de alta e queda que costumam acompanhá-los. A instituição cobra uma taxa anual de associação de US$ 1.000, que combina serviços bancários em dólar com acesso a custódia de bitcoin, investimentos e crédito.

Dois perfis de detentores de bitcoin

A experiência acumulada em ciclos anteriores dividiu os clientes da Xapo em dois grupos distintos, segundo Rocca. Parte dos adotantes mais antigos passou a realizar lucros com mais disposição à medida que o bitcoin atingiu preços recordes, depois de ver ganhos se dissiparem em quedas passadas. Outro grupo — que inclui investidores que entraram por volta de 2018 e 2019 — prefere manter as posições e recorrer a empréstimos com o bitcoin como garantia quando precisa de liquidez.

Para quem opta por vender, isso não significa necessariamente abandonar o ativo. Parte desses clientes mantém o produto da venda em contas de poupança em dólar e recebe os juros em bitcoin, reconstruindo gradualmente a posição em cripto enquanto preserva caixa. De acordo com Rocca, cerca de 45% dos clientes da Xapo usam esse recurso.

A Xapo anuncia atualmente uma taxa-base variável de 4,1% ao ano sobre depósitos em dólar, paga em bitcoin, além de uma taxa promocional de 4,6% para novos membros elegíveis. A instituição opera ainda um fundo de crédito em bitcoin separado, que mira retornos anuais de até 4% por meio de operações de empréstimo — o que expõe os investidores a risco de crédito e de contraparte.

O fio condutor entre os dois perfis, diz Rocca, é a busca por tornar produtiva a riqueza já constituída. Ele resume o momento atual do mercado como um ciclo definido por rendimento, acumulação e geração de renda. O endividamento contra o bitcoin permite que os clientes mantenham exposição a futuras valorizações do ativo, embora continuem expostos a quedas de preço enquanto carregam a dívida.

Bancos tradicionais veem demanda, mas avançam devagar

Rocca afirma que os bancos tradicionais já reconhecem o apetite dos clientes por exposição a bitcoin, o que representa uma mudança significativa em relação ao ceticismo que ele encontrou quando começou a trabalhar com cripto em 2016. Ainda assim, segundo ele, construir uma oferta mais ampla de produtos leva tempo nessas instituições.

Ele descreve bancos grandes como lentos, citando estruturas internas em que novos produtos dependem de aprovações de comitês e em que funcionários relutam em defender atividades vistas como arriscadas. A incerteza política e regulatória reforça essa cautela: bancos que antes temiam repercussões por atender empresas de cripto precisam ter confiança de que um ambiente mais favorável vai se manter antes de comprometer recursos, afirma Rocca.

Por ora, algumas instituições atendem a demanda apenas com produtos de investimento, sem avançar para serviços que permitam aos clientes tomar empréstimos com garantia em bitcoin ou gerenciar diretamente essa riqueza. Rocca vê nisso uma oportunidade para instituições especializadas como a Xapo Bank, dada a lentidão dos concorrentes tradicionais. Ele também enxerga vantagens em uma abordagem mais comedida, argumentando que outro episódio de má gestão em empresas de cripto poderia prejudicar a confiança no próprio bitcoin.

Próxima onda de compra institucional

Rocca projeta que a próxima fase de crescimento do bitcoin dependerá de mais instituições fazendo alocações de longo prazo. Ele argumenta que parte da participação institucional via ETFs tem envolvido estratégias de arbitragem, o que é diferente da decisão de um tesoureiro corporativo de destinar parcela dos ativos da empresa ao bitcoin.

Segundo ele, o mercado anunciou o ciclo institucional cedo demais. Na avaliação de Rocca, uma redução da incerteza geopolítica e regulatória poderia destravar essas alocações e, em sua visão, levar o bitcoin a US$ 250 mil nos próximos dois a três anos.

Os próprios clientes da Xapo estão divididos quanto ao cenário imediato: parte compra porque acredita que o mercado já tocou o fundo, enquanto outra parte mantém as reservas em dólar por esperar novas quedas, embora continue recebendo juros em bitcoin. Para Rocca, essa combinação ainda aponta para acumulação e para demanda por serviços bancários que ajudem detentores a construir posições ao longo de vários anos.

O que isso significa para o investidor

O relato da Xapo Bank sugere que uma fatia relevante dos grandes detentores de bitcoin já não trata o ativo apenas como aposta direcional, mas como colateral para crédito e fonte de renda recorrente — um comportamento que se aproxima da lógica de gestão patrimonial tradicional. Para o investidor brasileiro que acompanha o mercado cripto, isso reforça a leitura de que parte da demanda institucional reportada recentemente pode estar menos ligada à especulação de curto prazo e mais a estratégias de acumulação estrutural, tema já presente na cobertura do AAR News sobre a dominância crescente do bitcoin frente a altcoins menores.

A divisão entre clientes que realizam lucro e os que preferem tomar empréstimos ilustra um ponto relevante para quem monitora o ciclo atual: parte da liquidez que sai do bitcoin não necessariamente deixa o ecossistema, podendo retornar via juros pagos em BTC. Isso dialoga com episódios recentes acompanhados pelo AAR, como o possível rompimento do padrão histórico de fundo em ano eleitoral americano e o movimento da Strategy em direção a um golden cross — ambos indicativos de que agentes de mercado estão posicionando-se para um horizonte mais longo, e não apenas reagindo a oscilações de curto prazo.

No scanner da TradingView, o bitcoin era cotado a US$ 80.301,14 em 24 de outubro de 2026, às 15h12 (horário de Brasília), com queda de 0,97% no dia — nível distante da projeção de US$ 250 mil mencionada por Rocca para um horizonte de dois a três anos, o que reforça que essa é uma visão do executivo, condicionada a fatores como redução de incertezas geopolíticas e regulatórias, e não um cenário-base de mercado.

Para investidores locais, o ponto prático é acompanhar se instituições financeiras brasileiras seguirão o mesmo ritmo cauteloso descrito por Rocca para os bancos tradicionais globais, o que tende a manter, por ora, provedores especializados como a Xapo à frente na oferta de crédito e produtos de rendimento lastreados em bitcoin — um nicho que pode ganhar relevância caso o ciclo de alocação institucional, ainda incipiente segundo o próprio executivo, de fato se consolide nos próximos anos.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos