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Desaceleração da dívida de margem acende alerta para Wall Street

Crescimento do endividamento para comprar ações caiu de 53,7% em maio para 31,4% em setembro, segundo BofA, em padrão associado a topos de mercado anteriores

Desaceleração da dívida de margem acende alerta para Wall Street
CNBC

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O ritmo de crescimento da dívida de margem nos Estados Unidos perdeu força de forma expressiva nos últimos meses, um movimento que analistas monitoram de perto por seu histórico de anteceder correções no mercado acionário. Segundo dados da FINRA citados pelo estrategista técnico Paul Ciana, do Bank of America, em nota publicada na sexta-feira, o crescimento anual da dívida de margem recuou para 31,4% em setembro, ante 53,7% em maio.

Ciana observa que a perda de fôlego no ritmo de endividamento a partir de níveis extremos já esteve associada a picos anteriores do mercado. A leitura de maio deste ano, segundo análise do BofA, foi a quarta mais alta desde 1998 — atrás apenas dos períodos de 2000, 2007 e 2021, todos seguidos de quedas nas ações.

Endividamento crescia mais rápido que as ações

No início do ano, o volume de dinheiro emprestado para investir em ações estava aumentando em ritmo superior ao da própria valorização do mercado. Analistas tratam níveis elevados de alavancagem como um sinal contrário, de maneira semelhante aos indicadores de sentimento entre otimistas e pessimistas sobre o mercado (bull-bear).

Em termos absolutos, a dívida de margem somava US$ 1,48 trilhão em setembro, valor 1,5% abaixo do recorde de US$ 1,5 trilhão registrado em junho.

O risco do efeito cascata

Operar com alavancagem elevada pode amplificar movimentos de queda no mercado. Quando os preços caem, surgem chamadas de margem — exigências de reforço de garantia — que forçam vendas adicionais e aceleram o movimento de baixa.

O material cita o caso do investidor Hy Luu, acionista da Tesla, que hipotecou novamente sua casa para levantar US$ 30 mil e quitar dívida de margem durante a queda das ações da montadora em 2022 — um exemplo de como a alavancagem pode atingir diretamente investidores individuais.

Outros sinais de alerta apontados pelo BofA

Além da desaceleração da dívida de margem, o Bank of America lista outros sinais de cautela, como o alargamento dos spreads de crédito high-yield e uma rotação de investidores para setores defensivos, como saúde e consumo básico.

Paradoxalmente, essa migração para setores considerados mais seguros levou essas ações a patamares que a equipe de derivativos de ações do BofA classificou, em nota de terça-feira, como níveis de "risco de bolha". Segundo o banco, movimentos semelhantes ocorreram no fim dos anos 1990, durante a bolha das pontocom, e também na alta do mercado durante a pandemia de Covid-19. A equipe do BofA afirmou que essas dinâmicas reforçam evidências de que o mercado caminha para um estado mais próximo de uma bolha.

O argumento otimista

Nem tudo é alerta negativo, segundo Ciana. Ele aponta que as eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos podem reduzir parte da incerteza do mercado e provocar um rali de alívio. O estrategista destaca que ativos de risco como o S&P 500 costumam se recuperar após as eleições de meio de mandato, a menos que riscos de queda mais graves se concretizem.

O que isso significa para o investidor

Os sinais descritos pelo BofA — desaceleração da dívida de margem, alargamento de spreads de crédito e rotação para setores defensivos em níveis considerados esticados — não indicam uma queda iminente, mas compõem um quadro de maior vulnerabilidade para o mercado acionário americano. Para o investidor brasileiro com exposição a ações e ETFs dos EUA, vale acompanhar esses indicadores como termômetro de apetite ao risco global, já que movimentos de desalavancagem em Wall Street tendem a se propagar para outros mercados, incluindo o brasileiro.

Segundo o scanner da TradingView, o S&P 500 era cotado a 7.725,25 pontos às 17h07 (horário de Brasília) de 27 de outubro de 2026, com alta de 0,63% no dia — um nível que ainda reflete apetite ao risco elevado, mesmo diante dos alertas levantados pelo BofA sobre dívida de margem e concentração em setores defensivos.

Como o próprio BofA pondera, o cenário não é unânime: as eleições de meio de mandato nos EUA podem funcionar como gatilho de um rali de alívio, caso riscos mais severos não se materializem. Para quem investe no exterior, o racional é de cautela tática — sem abandonar posições, mas monitorando de perto sinais de reversão em crédito corporativo e no comportamento de setores defensivos, que têm servido de termômetro para movimentos mais amplos do mercado.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos