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Conflito com o Irã completa nove meses e mantém petróleo acima de US$ 100

CNBC traz relato de bastidores do setor de energia, recomendações da Goldman Sachs e alerta sobre o nível da reserva estratégica dos EUA

Conflito com o Irã completa nove meses e mantém petróleo acima de US$ 100
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O setor de energia global se aproxima do nono mês daquilo que analistas ainda hesitam em classificar como guerra ou conflito com o Irã, segundo relato publicado pela CNBC a partir de conversas com fontes do mercado. A única certeza admitida pela reportagem é que há pouca clareza sobre os próximos passos, enquanto o petróleo segue fluindo pelo Estreito de Hormuz com volumes de exportação da maioria das nações do Golfo bem acima das mínimas recentes — exceção feita justamente ao Irã, cujos volumes caíram a ponto de serem quase inexistentes.

A reportagem descreve uma economia iraniana em deterioração, com a moeda local perdendo valor e relatos de familiares de iranianos expressando preocupação crescente com mais dificuldades econômicas pela frente. Como o petróleo é a principal fonte de receita do país, a escassez de recursos reduziria a capacidade iraniana de financiar armas, drones e mísseis usados em ataques na região — o que, segundo a análise, tende a tornar o regime mais desesperado e, por consequência, mais perigoso.

Escalada de ataques na região

Nas últimas semanas, múltiplos navios foram atacados, de acordo com o levantamento. Os houthis do Iêmen, descritos como representantes do Irã na região, teriam matado civis na Arábia Saudita em ataques contra um aeroporto, além de terem provocado explosão em parte da sede da Aramco. O texto da CNBC reconhece que não há previsão confiável sobre os desdobramentos: o mercado estaria a apenas uma manchete, boa ou ruim, de uma movimentação de até US$ 10 no preço do petróleo em qualquer direção.

Petróleo em papel e petróleo físico

Enquanto o mercado aguarda sinais mais claros, os preços seguem elevados, com o petróleo "em papel" cotado perto de US$ 100 por barril. A reportagem destaca, no entanto, que a maior parte de empresas e países não opera com esse preço de referência: o custo de um barril físico estaria consideravelmente acima do valor exibido nas telas, chegando, em alguns casos, ao dobro — informação já antecipada pela própria cobertura em semana anterior, segundo o texto.

Outro ponto tido como relativamente claro é que a destruição de demanda ainda não se materializou. Os preços em geral subiram, mas o consumo tem se mantido relativamente estável. Preços elevados de diesel na Europa devem pressionar a demanda, mas, segundo a reportagem, ainda não representaram um golpe definitivo. A combinação de petróleo a US$ 100 e diesel caro é descrita como algo que já não tem o mesmo peso de outrora, num contexto em que a inflação segue como tema central da economia global desde a pandemia — desta vez, argumenta o texto, por decisão humana, já que os ataques ao Irã resultaram de escolhas políticas, independentemente de serem considerados justos diante da conduta do regime com sua própria população.

Não haveria, segundo a reportagem, sinais de que o mundo esteja mais perto de uma resolução real do que estava meses atrás. Os custos de frete continuam em alta, e o seguro de cargas, embora disponível, está mais caro.

Resultados corporativos como próxima fonte de clareza

Diante da falta de sinais definitivos, a atenção do mercado se volta para os balanços corporativos e para qualquer orientação que as empresas estejam dispostas a fornecer. A companhia de serviços de energia SLB deve abrir a temporada de resultados em 23 de outubro, seguida por Baker Hughes e pela exportadora de gás natural Cheniere Energy. O foco principal, porém, recai sobre 30 de outubro, quando ExxonMobil e Chevron divulgam seus números. A expectativa é de receitas maiores acompanhando a alta do petróleo, com ganhos ainda mais expressivos vindos do refino. A reportagem, no entanto, pondera que o verdadeiro valor estará em qualquer indicação de rumo que as companhias se sintam confortáveis em dar — e a aposta pessoal do autor é de que essas sinalizações serão modestas, já que mesmo as maiores operações de inteligência corporativa do setor estão sujeitas à imprevisibilidade de grupos armados na região.

Goldman Sachs reorienta recomendações no setor

Enquanto o mercado aguarda esses resultados, a Goldman Sachs já divulgou uma lista com dez ações de energia favoritas, segundo relato do analista Neil Mehta e equipe, citado pela CNBC. Mehta, que vinha defendendo havia tempo as ações de refino — aposta classificada pela reportagem como acertada —, estaria redirecionando o foco para outros nomes, não por ter perdido confiança nas refinarias, mas por entender que o ganho já capturado deixa menos espaço para valorização adicional ali.

Entre as large caps, o destaque recai sobre duas companhias que trocaram recentemente de comando: ConocoPhillips e Occidental Petroleum. Na ConocoPhillips, o histórico executivo Ryan Lance deu lugar a Andrew O'Brien, troca que não preocuparia Mehta, mas que estaria sendo acompanhada de perto junto a dois fatores: o projeto Willow, no Alasca, e a situação da planta de gás natural danificada da QatarEnergy, empreendimento em que a ConocoPhillips tem participação.

Já a Occidental Petroleum também tem novo CEO, Richard Jackson, e teve sua recomendação elevada pela Goldman de neutra para compra, com preço-alvo de US$ 69. A ação também passou a integrar a lista "America's Conviction List" do banco. Apesar do histórico de endividamento elevado da companhia, a reportagem cita um novo plano em andamento para melhorar o fluxo de caixa. Os investidores já teriam sido recompensados com ganho de 53% no período de doze meses, e Mehta enxergaria espaço para mais valorização.

A reportagem traz ainda duas apostas de menor porte e menos comentadas na lista da Goldman. A primeira é a Permian Resources, que, apesar do nome, opera principalmente na Bacia de Delaware, localizada no Novo México — detalhe que o autor faz questão de destacar como curiosidade geográfica. A equipe de Mehta projetaria crescimento do fluxo de caixa livre da ordem de 20% nos próximos anos, beneficiado pelo deslocamento da produção da companhia para um perfil mais voltado ao petróleo. Ainda assim, os analistas gostariam de mais clareza sobre o crescimento orgânico da produção de óleo e sobre a dinâmica de preços regionais, mas consideram o ambiente macroeconômico atual favorável à empresa.

A segunda escolha é a canadense TC Energy, operadora de gasodutos que teve forte recuo em suas ações — justamente um dos motivos do interesse de Mehta e sua equipe. Eles esperam o anúncio de novos projetos nos Estados Unidos e dizem estar "mais confortáveis" com a perspectiva de financiamento da companhia. O CEO da TC Energy, François Poirier, já teria manifestado à CNBC, em entrevistas anteriores, frustração com o que classifica como "subinvestimento" dos Estados Unidos em certas infraestruturas de energia.

A reportagem lista nove das dez ações recomendadas pela Goldman, ranqueadas pelo potencial de valorização frente ao preço-alvo mediano do mercado — a TC Energy ficou de fora desse ranqueamento por ser listada no Canadá e não ter um preço-alvo equivalente. Entre os nomes citados, a H.F. Sinclair aparece como a única que já negocia no seu preço-alvo mediano, o que, segundo a análise, ajudaria a explicar por que Mehta e sua equipe estariam deslocando o foco para fora das refinarias: depois de um avanço de 138% em doze meses, a companhia — apelidada de "DINO" — e outras refinarias poderiam em breve perder espaço em novas carteiras.

Entrevistas e reserva estratégica

A cobertura também menciona duas entrevistas da semana: uma com o veterano do setor Dan Yergin, sobre a situação do Oriente Médio, da Rússia e do suprimento de diesel e combustíveis, e outra com o próprio Neil Mehta, detalhando sua aposta nas ações de petróleo. Na seção semanal "Inside Line", o convidado é Dan Pickering, fundador e diretor de investimentos da Pickering Energy Partners, descrito como contato de longa data da emissora.

Por fim, a reportagem chama atenção para a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos (SPR), que continua a cair e atingiu seu nível mais baixo desde que foi reabastecida. A dúvida levantada é até que ponto essa queda pode avançar antes que a retirada do óleo se torne mais difícil e lenta — segundo fontes ouvidas, a física da extração mudaria quando o volume armazenado cair abaixo de 300 milhões de barris. A reportagem lembra ainda que a SPR não é uma única instalação, mas um conjunto de antigas cavernas localizadas no Texas e na Louisiana.

O que isso significa para o investidor

O quadro descrito pela CNBC reforça um ambiente de alta volatilidade para quem investe em ativos ligados a energia: o próprio texto admite que o mercado está a uma única notícia de uma oscilação relevante no preço do barril, em qualquer direção. Para o investidor brasileiro exposto a petroleiras globais ou a fundos setoriais, isso sugere cautela redobrada diante de posições concentradas em nomes cujo desempenho segue de perto a cotação do petróleo.

A recomendação da Goldman Sachs por ConocoPhillips, Occidental Petroleum, Permian Resources e TC Energy ilustra uma rotação dentro do próprio setor — da ênfase anterior em refino para produção e infraestrutura —, mas a própria reportagem traz o contraponto: uma eventual paz duradoura com o Irã tenderia a pressionar os preços do petróleo para baixo, afetando justamente essas ações mais atreladas à commodity. Já o cenário político americano, com possível mudança de maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato, é apontado como fator que reduziria as chances de novos projetos de infraestrutura fóssil — relevante para quem avalia teses de longo prazo em pipelines como a TC Energy.

Os resultados de SLB, Baker Hughes, Cheniere Energy, ExxonMobil e Chevron ao longo de outubro devem funcionar como termômetro mais concreto do que comunicados políticos ou militares, e merecem atenção de quem acompanha o setor de petróleo e gás a partir do Brasil. Por fim, a trajetória de queda da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA é um dado estrutural a monitorar: uma eventual aproximação do patamar de 300 milhões de barris citado na reportagem pode limitar a capacidade de Washington de usar a reserva como instrumento de contenção de preços em momentos de estresse geopolítico, o que tende a manter prêmio de risco embutido nas cotações do petróleo no médio prazo.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos