Empresas de capital aberto compraram apenas cerca de 5.900 bitcoins nos últimos três meses, volume muito inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, segundo dados da Glassnode citados pela CoinDesk. O número reforça a leitura de que uma das principais fontes de demanda por trás do rali de 2024-25 perdeu fôlego justamente no momento em que o bitcoin tenta sustentar uma recuperação.
O preço médio de aquisição dessas tesourarias corporativas está em torno de US$ 80.500, patamar acima da cotação atual do bitcoin, que a reportagem situa perto de US$ 76.400. Isso deixa o conjunto de empresas com posições no vermelho, segundo a Glassnode.
Strategy segue como principal comprador
A companhia listada na Nasdaq Strategy (MSTR) foi responsável pela maior parte das compras recentes, incluindo uma aquisição no fim de agosto de 4.603 BTC. Aos preços atuais, os 5.900 bitcoins adquiridos no trimestre valem cerca de US$ 451 milhões — quantia relevante em termos absolutos, mas pequena frente ao mesmo intervalo de um ano antes, quando o bitcoin ainda era negociado acima de US$ 100 mil.
Segundo a CoinDesk, as tesourarias corporativas haviam adicionado mais de 100 mil BTC naquele período anterior, incluindo 89 mil moedas somente em julho. Em comparação, os 5.900 BTC do trimestre recente representam menos de 7% do total registrado em julho de 2025. Com o bitcoin acima de US$ 100 mil à época, aquele volume de compras valia mais de US$ 8,9 bilhões — cifra que superava o valor de mercado da maioria das criptomoedas fora do top 15.
"As tesourarias corporativas foram grandes compradoras ao longo de 2025, e recuaram", afirmou a Glassnode, citada pela CoinDesk. A empresa de análise destacou que o custo médio de entrada desse grupo, batizado de Corporate Treasury Cost Basis, está em US$ 80,5 mil, cerca de 6% acima do preço à vista, o que mantém o conjunto no prejuízo. O bitcoin chegou a superar esse nível recentemente, mas não sustentou os ganhos.
Volume total de tesourarias e posição da Strategy
De acordo com a fonte de dados Bitcoin Treasuries, citada pela reportagem, as holdings de companhias públicas somam hoje cerca de 1,22 milhão de BTC distribuídos entre 181 empresas listadas. A Strategy permanece como maior compradora e detentora isolada, com aproximadamente 845.050 BTC. A japonesa Metaplanet, listada em Tóquio, figura entre as maiores posições corporativas seguintes. Como grupo, essas tesourarias ainda operam no vermelho aos preços atuais.
"Uma retomada de US$ 80,5 mil devolveria as tesourarias ao lucro e removeria uma camada de oferta latente; até lá, o preço de entrada delas é mais um teto", acrescentou a Glassnode, segundo a CoinDesk.
Outros indicadores de demanda também mostram fraqueza
Os ETFs à vista de bitcoin listados nos Estados Unidos atraíram bilhões de dólares desde o início de agosto, sinalizando uma recuperação da demanda institucional. Ainda assim, segundo a SoSoValue, citada pela reportagem, esses fundos permanecem cerca de US$ 1 bilhão abaixo de um resultado positivo acumulado no ano.
O chamado Coinbase premium, indicador que compara o preço do bitcoin na Coinbase com o praticado na exchange offshore Binance, permaneceu majoritariamente negativo desde maio, com uma breve incursão em território positivo em 5 de setembro, segundo dados da CoinGlass citados pela CoinDesk. Uma leitura negativa indica que o bitcoin é negociado com desconto na Coinbase em relação à Binance, sugerindo demanda mais fraca de compradores dos Estados Unidos frente a traders de outras regiões.
A oferta total de stablecoins, métrica acompanhada por analistas como referência de entrada de novo capital fiduciário no mercado cripto, permaneceu praticamente estável entre US$ 300 bilhões e US$ 310 bilhões ao longo do ano, segundo a reportagem. Essa oferta também ficou estagnada nas últimas semanas, mesmo com a alta do bitcoin em meados de agosto, o que sugere que o ingresso de capital novo via stablecoins segue morno.
O que isso significa para o investidor
A combinação de compras corporativas em desaceleração, ETFs ainda negativos no ano e oferta de stablecoins estagnada compõe um quadro de demanda estrutural mais fraca do que a observada no pico do ciclo anterior. Segundo o scanner TradingView, em 19/09/2026 às 20h00 BRT o bitcoin era cotado a US$ 81.238,16, com alta de 0,52% no dia — acima tanto do preço médio de compra das tesourarias corporativas quanto do patamar de US$ 76.400 mencionado na reportagem, o que, se sustentado, tenderia a aliviar a pressão vendedora desse grupo.
Para quem acompanha o ativo como parte de portfólio, o ponto de atenção é a chamada camada de oferta latente: enquanto o preço do bitcoin permanecer perto do custo médio de entrada das empresas listadas, há risco de realização de lucro assim que essas posições voltarem a ficar positivas. A cobertura recente do AAR News sobre a alta de juros do Banco do Japão e sobre o padrão de recuo do bitcoin em ciclos anteriores de aperto monetário do Fed reforça que o ativo segue sensível a variáveis macro além da demanda corporativa direta.
Vale monitorar três frentes nas próximas semanas: o ritmo de compras de ETFs à vista nos EUA, que precisam reverter o déficit acumulado no ano apontado pela SoSoValue; a evolução do Coinbase premium, como termômetro de apetite doméstico americano; e eventuais novos aportes de tesourarias corporativas, sobretudo da Strategy, que concentra a maior parte do estoque privado do ativo.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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