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Chip Willow, do Google, avança em etapa-chave contra criptografia do bitcoin

Nova pesquisa reduz erros na preparação de 'estados mágicos' usados em cálculos quânticos, mas CoinDesk destaca que ataque a carteiras ainda está longe de ser viável

Ler na fonte → CoinDesk

O Google anunciou que seu chip quântico Willow conseguiu reduzir em cerca de 40 vezes a taxa de erros na preparação de 'estados mágicos', recurso necessário para certos tipos de cálculo quântico que, no limite, poderiam ameaçar a segurança de carteiras de bitcoin. A informação foi publicada pela revista Science nesta semana e repercutida pela CoinDesk.

Segundo a CoinDesk, o experimento atingiu fidelidade de aproximadamente 99,99% entre os estados que passaram pelos testes de verificação, mas apenas cerca de 8% das tentativas de preparação tiveram sucesso. A publicação ressalta que desafios de escala significativos ainda precisam ser superados antes de qualquer aplicação prática contra a criptografia do bitcoin.

A reportagem é taxativa ao afirmar que os resultados não tornam um eventual ataque ao bitcoin 40 vezes mais barato. O que o avanço representa, segundo a CoinDesk, é o aperfeiçoamento de um método de engenharia que pode ajudar futuros computadores quânticos a sustentar a produção de cerca de 500 mil estados mágicos confiáveis por segundo — volume estimado como necessário em um modelo de ataque específico.

A CoinDesk observa que o debate público sobre a ameaça quântica ao bitcoin costuma se concentrar no tamanho da máquina que um atacante precisaria construir, mas raramente aborda quanto dessa capacidade seria consumida apenas na etapa de preparação para o cálculo propriamente dito.

Por que as moedas mais antigas dão mais tempo a um atacante

Uma carteira de bitcoin usa uma chave secreta para aprovar pagamentos e uma chave pública correspondente, que permite à rede validar essas aprovações. Gastar bitcoin normalmente revela a chave pública, e alguns formatos de pagamento a expõem desde o início, segundo a explicação da CoinDesk.

Reverter esse processo — ir da chave pública até a secreta — exigiria, na prática, um poder computacional inviável com a tecnologia atual, o que torna a engenharia reversa de carteiras cripto impraticável hoje. A publicação lembra que um computador quântico suficientemente grande, rodando o algoritmo de Shor, poderia em teoria realizar esse cálculo. Quem recuperasse a chave secreta poderia assinar transações como se fosse o dono legítimo, e a rede aceitaria essas transações como genuínas. O matemático Peter Shor publicou o método originalmente em 1994, mas ninguém ainda demonstrou sua aplicação prática nesse contexto.

A CoinDesk destaca que guardar a frase de recuperação em uma gaveta física não oferece proteção alguma nesse cenário, já que o atacante trabalharia a partir de informação já disponível publicamente na blockchain.

Alguns formatos de pagamento mais recentes escondem a chave pública atrás de um hash — uma espécie de impressão digital criptográfica — até o momento em que o proprietário gasta os fundos. Um atacante que mirasse uma chave antes oculta teria de esperar essa exposição e, possivelmente, recuperar a chave secreta rápido o suficiente para interferir no pagamento.

Isso também explica por que moedas perdidas representam um problema difícil de resolver. O bitcoin pode, em tese, incorporar proteções de gasto mais fortes, mas alguém ainda precisaria das chaves existentes para migrar as moedas antigas para esses novos esquemas. Se essas chaves foram perdidas, o dono não consegue fazer essa movimentação, e a chave pública exposta permanece disponível para um eventual atacante futuro. Segundo a CoinDesk, algumas das moedas mais antigas do bitcoin têm suas chaves públicas expostas desde a época em que foram mineradas.

A reportagem também associa o debate quântico à movimentação recente de moedas antigas. Em 7 de outubro, 100,02 bitcoins parados desde julho de 2010 foram movimentados após mais de 16 anos de inatividade, em uma transação avaliada em cerca de US$ 8,5 milhões. Em agosto, seis carteiras inativas desde o período entre 2011 e 2014 movimentaram outros 553,59 bitcoins, avaliados em aproximadamente US$ 40 milhões à época.

A CoinDesk pondera, no entanto, que essas transferências não comprovam isoladamente que os detentores estão reagindo ao temor quântico, já que mover moedas também pode significar simples troca de carteira, reorganização de ativos ou preparação para venda.

O custo de se preparar para o ataque

Computadores quânticos armazenam informação em unidades chamadas qubits, extremamente frágeis. Calor, vibração e sinais indesejados podem perturbá-los e introduzir erros, e quanto mais qubits são adicionados, mais oportunidades de erro surgem, segundo a explicação da CoinDesk.

Para lidar com isso, engenheiros organizam vários qubits físicos em grupos capazes de detectar e corrigir erros entre si. Cada grupo funciona como uma unidade mais confiável, chamada de qubit lógico.

Essas unidades, por sua vez, precisam do equivalente digital a um combustível para executar determinadas operações: os chamados 'estados mágicos', estados quânticos preparados de forma especial. Cada estado mágico é consumido no momento do uso, o que obriga o computador a produzi-los continuamente ao longo de um cálculo.

A CoinDesk usa a analogia de uma cozinha de restaurante em que cada prato exige um lote fresco de um molho que não pode ser reaproveitado — parte da equipe precisa ficar dedicada a produzir o molho enquanto o restante cozinha. Em um computador quântico, o hardware dedicado a gerar estados mágicos é hardware que fica indisponível para outras tarefas do cálculo.

O método do Google, batizado de 'cultivation', parte de uma versão bruta do estado quântico, verifica a existência de erros e descarta as tentativas falhas. O objetivo é produzir estados limpos usando menos hardware do que métodos anteriores exigiam.

A empresa relatou fidelidade de cerca de 99,99%, medida que indica o quanto os estados finalizados se aproximaram do resultado pretendido pelos pesquisadores. Esse número, porém, se aplica apenas aos estados que passaram pela inspeção: o Willow manteve cerca de 8% das tentativas após as checagens de preparação e medição — ou seja, a cada 100 tentativas, cerca de oito foram bem-sucedidas.

Segundo a CoinDesk, os próximos passos incluem rodar o processo em escala muito maior e manter esses estados úteis enquanto alimentam cálculos mais longos. Os pesquisadores afirmam que ainda é necessário avançar em operações em tempo real e na transferência desses estados para configurações de correção de erro mais robustas.

Como o avanço se encaixa em pesquisas anteriores

Em março, o Google estimou que um futuro computador quântico supercondutor com menos de 500 mil qubits físicos poderia quebrar a criptografia de carteiras usada por bitcoin e ethereum, sob um conjunto específico de premissas de hardware.

Em setembro, a CoinDesk já havia noticiado pesquisadores que conseguiram reduzir a carga de trabalho de um cálculo central usado nesse tipo de ataque. Aquele estudo, porém, cobria apenas um componente do processo, deixando de fora o ataque completo e os custos de hardware físico necessários para executá-lo.

Segundo a publicação, esses estudos anteriores reduzem a quantidade de matemática que um atacante precisaria processar. Já o método de cultivação do Google ataca outro gargalo: o custo de abastecer a máquina enquanto ela realiza esses cálculos.

A CoinDesk é enfática ao afirmar que os ganhos não podem simplesmente ser multiplicados entre si. A estimativa de março do Google já partia do pressuposto de uma produção eficiente de estados mágicos — o experimento recente testa parte dessa abordagem de engenharia, e não representa uma nova redução de 40 vezes no custo estimado de um ataque ao bitcoin.

O próprio estudo de março também estimou o volume de 'combustível' que um ataque consumiria: para um ataque modelado com duração de cerca de nove minutos após a exposição de uma chave pública, o Google calculou que a máquina precisaria de aproximadamente 500 mil estados mágicos suficientemente confiáveis por segundo.

O que isso significa para o investidor

Para quem detém bitcoin, o avanço do Google é um lembrete técnico relevante, mas não um gatilho imediato de risco. A própria CoinDesk reforça que o resultado não barateia um ataque real à criptografia do bitcoin — ele resolve apenas uma etapa de engenharia dentro de um processo que ainda exige avanços em escala, hardware e integração que a pesquisa reconhece como distantes.

O tema, porém, já mobiliza o setor: como mostrou cobertura anterior do AAR News, uma aliança de nove empresas cripto criou a Quantum Alliance após alertas sobre 6,4 milhões de bitcoins potencialmente vulneráveis à computação quântica, ainda que haja divergência entre os próprios participantes sobre o prazo real do risco e sobre a necessidade de congelar moedas expostas. Isso sugere que o setor trata a ameaça como estrutural de médio a longo prazo, não como evento iminente.

A movimentação de moedas antigas — como os 100,02 bitcoins parados desde 2010 e os 553,59 bitcoins inativos desde o início da década de 2010 — tende a ser monitorada como indicador indireto de percepção de risco por parte de detentores de longa data, ainda que, como a própria CoinDesk pondera, essas transferências possam ter motivações completamente alheias ao tema quântico.

Com o bitcoin cotado a US$ 81.407,37 (-0,13% no dia) e o ether a US$ 2.423,60 (+0,14% no dia), conforme scanner da TradingView de 17/10/2026 às 10h01 BRT, o mercado segue precificando o ativo sem sinais de reação direta à notícia. Para o investidor de longo prazo, o racional prático é acompanhar a evolução de padrões de endereço mais resistentes a ataques quânticos e o ritmo de adoção de protocolos de migração de chaves, mais do que reagir a cada anúncio pontual de avanço em hardware quântico.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos