A economia chinesa cresceu 4,5% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas do país, informou a CNN. O número representa uma leve melhora frente à mínima de mais de três anos registrada no trimestre anterior, de 4,3%, e fica no limite inferior da meta anual de 4,5% a 5% estabelecida por Pequim.
O desempenho ocorre enquanto a China tem mostrado resiliência diante de choques econômicos, incluindo a ofensiva tarifária do presidente americano Donald Trump — atualmente em pausa após uma trégua entre os dois países — e os efeitos da guerra dos Estados Unidos com o Irã, que afetou o crescimento de outras economias, segundo a reportagem. Nos primeiros nove meses de 2026, a economia chinesa acumulou expansão de 4,6%.
O desequilíbrio de duas velocidades
Segundo a CNN, o resultado trimestral reforça um desafio persistente para a liderança chinesa: o aprofundamento de um desequilíbrio que torna o país cada vez mais dependente da manufatura e dos mercados externos. Economistas citados pela reportagem descrevem o fenômeno como uma "economia de duas velocidades" — um motor exportador pujante, apoiado em manufatura de alta tecnologia, convivendo com investimento fraco e consumo doméstico estagnado.
A crise no mercado imobiliário, já no quinto ano, continua sendo um fator de arrasto, já que uma estimativa citada pela CNN aponta que cerca de 70% da riqueza das famílias chinesas está concentrada em imóveis. O investimento em propriedades despencou 20,2% nos primeiros três trimestres do ano, sinal de que os problemas no setor imobiliário persistem.
O investimento em geral, historicamente um pilar da economia chinesa, também veio fraco nos dados divulgados nesta segunda-feira. O investimento em ativos fixos — que inclui gastos com infraestrutura, fábricas e imóveis — caiu 7,2% nos primeiros nove meses do ano frente ao mesmo período de 2025, mantendo o mesmo ritmo de queda já observado nos primeiros oito meses.
Por outro lado, as vendas no varejo, principal termômetro do consumo, mostraram recuperação relevante: cresceram 1,1% em setembro, acima do avanço modesto de 0,4% em agosto, no que foi o ritmo mais rápido desde março, segundo os dados oficiais citados pela reportagem.
O discurso oficial de Pequim
Mao Shengyong, vice-ministro do Escritório Nacional de Estatísticas, afirmou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira que "a economia avançou sob pressão e se desenvolveu em uma direção mais nova e melhor, com aumento de mudanças positivas em indicadores-chave", segundo a CNN.
Ao mesmo tempo, Mao reconheceu dificuldades: "o ambiente internacional é complexo e volátil, o problema da demanda doméstica insuficiente permanece relativamente proeminente, e a base para um crescimento econômico estável e positivo ainda precisa ser consolidada", disse, de acordo com a reportagem.
Pequim fez da ampliação da demanda doméstica uma prioridade para 2026. No mês passado, o governo anunciou um conjunto de medidas de estímulo limitadas, incluindo subsídios hipotecários para compradores de primeira moradia e cortes de juros direcionados, depois que o gabinete se comprometeu a reforçar o apoio para cumprir a meta anual de crescimento, segundo a CNN.
Economistas ouvidos pela reportagem avaliam que pode ser necessário mais suporte caso o ritmo de crescimento não se sustente no quarto trimestre.

FMI revisa projeções para baixo
Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional rebaixou sua projeção de crescimento para a China neste ano de 4,6% para 4,5%, citando fraqueza persistente da demanda doméstica. O FMI também revisou para baixo sua projeção para 2027, de 4,1% para 4%, segundo a CNN.
Em seu relatório mais recente de perspectivas globais, o FMI afirmou que "a sonolência no consumo doméstico e o enfraquecimento do investimento, em meio a tensões contínuas no setor imobiliário, foram apenas parcialmente compensados pelo desempenho robusto das exportações". Ao mesmo tempo, o organismo elevou sua projeção de crescimento global para este ano de 3,0% para 3,1%.
Exportações batem recorde impulsionadas por IA
O comércio exterior seguiu como o principal motor da economia chinesa no terceiro trimestre, abrindo caminho para que o país alcance um novo recorde em superávit comercial neste ano, segundo a reportagem. As exportações chinesas saltaram 36,3% em setembro na comparação anual, o maior avanço desde o início de 2021, de acordo com dados da alfândega do país divulgados na semana passada. As exportações para os Estados Unidos também cresceram 39,6% no mesmo período.
Exportações ligadas à inteligência artificial e produtos de tecnologia verde, como baterias, impulsionaram a maior parte desse boom, contribuindo para um superávit comercial de US$ 938,1 bilhões nos primeiros nove meses do ano, ante US$ 875,1 bilhões no mesmo período de 2025, segundo os dados citados pela CNN.
Embora as exportações do que a reportagem chama de "fábrica do mundo" tenham gerado atrito crescente com diversos países, Pequim conseguiu até agora conter tensões comerciais com parceiros importantes, como Estados Unidos e União Europeia.
Em cúpula realizada no mês passado, o líder chinês Xi Jinping e o presidente americano Donald Trump garantiram a extensão da trégua comercial entre os dois países até janeiro do próximo ano, além de concordarem com reduções tarifárias sobre US$ 60 bilhões em mercadorias. Os dois devem se reunir novamente em novembro, na cúpula da APEC em Shenzhen, segundo a CNN.
Pequim e Bruxelas também chegaram a um acordo inicial sobre comércio neste mês, incluindo um teto para as exportações chinesas de veículos híbridos à UE e melhorias no acesso ao mercado, evitando por pouco uma guerra comercial generalizada entre o país e o bloco. Especialistas citados pela reportagem avaliam, no entanto, que o acordo pode prejudicar o crescente setor de exportação automotiva.
O que isso significa para o investidor
Os números divulgados por Pequim confirmam um padrão que já vem sendo observado: a China segue dependente de seu motor exportador — hoje turbinado pela demanda global por semicondutores, eletrônicos e tecnologia verde ligada à inteligência artificial — enquanto a demanda interna, pressionada pela crise imobiliária e pelo investimento fraco, segue incapaz de sustentar sozinha o crescimento. Para investidores expostos a ativos chineses ou a cadeias de suprimento asiáticas, isso reforça a leitura de que o país segue mais como fornecedor de insumos tecnológicos do que como mercado consumidor em expansão no curto prazo.
A combinação de trégua tarifária com os Estados Unidos, acordo preliminar com a União Europeia e recorde de superávit comercial sugere um ambiente externo relativamente mais estável para as exportações chinesas até pelo menos janeiro, quando a trégua com Washington vence. Isso é um fator a monitorar de perto, já que qualquer ruptura nessa trégua — ou no acordo com Bruxelas sobre veículos híbridos — tem potencial de reverter rapidamente parte do fôlego exportador que vem sustentando o PIB chinês.
O rebaixamento das projeções do FMI para a China em 2026 e 2027, combinado à contração persistente do investimento em ativos fixos e do setor imobiliário, indica que o governo chinês pode ser obrigado a ampliar os estímulos já anunciados — como subsídios hipotecários e cortes de juros direcionados — caso o ritmo de crescimento não se sustente no quarto trimestre, conforme apontado por economistas citados na reportagem. Investidores que acompanham políticas de estímulo chinesas devem ficar atentos a eventuais novos anúncios nas próximas semanas, que tendem a mover ativos ligados a commodities, câmbio e bolsas emergentes.
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