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CFTC processa Utah para blindar atuação da Kalshi no estado

Agência federal diz ter autoridade exclusiva sobre mercados de previsão e contesta tentativa de Utah de barrar apostas da plataforma

CFTC processa Utah para blindar atuação da Kalshi no estado
CoinDesk

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A Commodity Futures Trading Commission (CFTC), órgão federal dos Estados Unidos que regula derivativos, entrou com uma ação judicial contra o estado de Utah para impedir que autoridades locais restrinjam a operação da Kalshi, segundo reportagem do CoinDesk assinada por Jesse Hamilton.

O movimento é mais um capítulo de uma disputa que já soma mais de uma dezena de ações judiciais movidas pela agência, sob o comando do presidente Mike Selig, para defender o que ele considera ser a competência exclusiva do órgão federal sobre o chamado mercado de previsões (prediction markets).

Utah tem apostas proibidas por determinação constitucional e vinha tentando, por via judicial, suspender as ofertas da Kalshi no estado. A CFTC, no entanto, argumenta que sua autoridade federal se sobrepõe à legislação estadual nesse tipo de produto.

O embate com o procurador-geral de Utah

De acordo com o material, a CFTC pede à Justiça que suspenda a ação de aplicação da lei movida pelo procurador-geral de Utah na semana anterior, que tinha como objetivo restringir a Kalshi de oferecer apostas a residentes do estado — atividade considerada ilegal ali. Até o momento, Utah vinha levando a melhor contra a Kalshi em tribunais federais, e foi nesse contexto que a agência federal decidiu entrar com sua própria ação, segundo informou a CFTC na terça-feira citada pela reportagem.

O presidente da CFTC, Mike Selig, defendeu em comunicado que os contratos sobre eventos não servem apenas a propósitos de proteção financeira e investimento, mas também fornecem ao público informações sobre o desfecho de acontecimentos futuros. Selig reforçou ainda o entendimento de que sua agência é a única com competência legal para regular os mercados de previsão.

Do outro lado, o procurador-geral de Utah, Derek Brown, declarou na semana anterior que qualquer entidade que ofereça apostas a residentes do estado está notificada de que a prática é ilegal ali, e que nenhuma lei estadual autoriza esse tipo de atividade. Segundo o material, Brown acusou a Kalshi de operar como um cassino on-line.

Decisões judiciais divergentes

O CoinDesk destaca que a disputa entre os direitos legais dos estados e a chamada preempção federal — com a Kalshi e outras empresas de mercados de previsão apoiando a tese de que a regra federal prevalece — tem se tornado cada vez mais complexa diante de decisões conflitantes em diferentes tribunais.

Três cortes de apelação federais já emitiram decisões sobre o tema: duas delas favoráveis aos estados, e uma favorável à Kalshi. No caso específico de Utah, um juiz de um tribunal distrital federal decidiu a favor do estado, e essa decisão também está sob recurso.

Segundo a reportagem, a CFTC enfrenta atualmente processos em dez estados simultaneamente, apresentando argumentos jurídicos em diferentes instâncias do sistema judicial — tudo isso em um momento em que a agência teve seu quadro de pessoal reduzido, movimento associado aos esforços do governo do presidente Donald Trump para diminuir as forças regulatórias federais.

Divergência interna sobre o alcance da lei

O material relata ainda que, enquanto Selig mantém posição firme sobre o papel da CFTC nesse debate, outro ex-presidente da agência, o democrata Gary Gensler, apresentou um parecer (brief) à Suprema Corte dos Estados Unidos argumentando que a interpretação de Selig está equivocada.

Gensler, mais conhecido no universo cripto por ter sido recentemente presidente da Securities and Exchange Commission (SEC), afirmou à mais alta corte do país que o Dodd-Frank Act — lei usada pela CFTC como base de sua justificativa legal, e da qual Gensler participou da elaboração — não transferiu dos estados para a CFTC a jurisdição sobre apostas esportivas.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha o setor de mercados de previsão e plataformas como a Kalshi, o episódio em Utah reforça que a insegurança jurídica sobre a competência regulatória nos Estados Unidos ainda está longe de uma resolução definitiva. A existência de decisões conflitantes entre cortes de apelação federais — duas favoráveis aos estados e uma favorável à empresa — indica que o tema pode seguir sendo decidido caso a caso, estado a estado, até que uma instância superior pacifique o entendimento.

O fato de a própria CFTC estar litigando simultaneamente contra dez estados, com equipe jurídica reduzida, é um indicador relevante de custo operacional e de risco regulatório para empresas do setor que dependem de uma interpretação favorável da preempção federal. Investidores e operadores que avaliam exposição a esse mercado precisam monitorar não apenas o desfecho do caso de Utah, mas também o rumo das demais ações em andamento.

A manifestação de Gary Gensler junto à Suprema Corte adiciona um elemento de incerteza adicional: a divergência entre ex-autoridades do próprio órgão sobre a correta interpretação do Dodd-Frank Act sugere que, mesmo internamente ao histórico regulatório americano, não há consenso sobre o alcance da jurisdição federal nesse segmento. O desfecho dessas disputas judiciais tende a ser um dos principais fatores a observar para quem avalia risco regulatório em empresas ligadas a mercados de previsão nos Estados Unidos.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos