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Canadá rompe dependência dos EUA e avança para virar sócio associado da UE

Após tarifas de 50% impostas por Trump, Carney busca aliança com a União Europeia enquanto comércio, turismo e investimentos entre Canadá e EUA recuam, segundo a CNN

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O Canadá está dando um passo considerado dramático para reduzir sua dependência histórica dos Estados Unidos, buscando uma aproximação econômica com a União Europeia que pode torná-lo o primeiro país a se tornar “membro associado” do bloco, segundo reportagem da CNN.

O movimento ocorre em meio a uma guerra comercial entre os dois países vizinhos, que por décadas construíram uma das parcerias econômicas mais estreitas do mundo, com cadeias de suprimento, empresas e fluxos de comércio profundamente entrelaçados. Para a CNN, o atual momento marca uma ruptura visível nesse padrão.

A guerra tarifária como pano de fundo

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse a parlamentares europeus no mês passado que “a integração econômica está sendo transformada em arma, e as tarifas estão sendo usadas como instrumento de pressão”, em referência à escalada promovida pelo presidente americano Donald Trump contra o Canadá.

Segundo a CNN, ao longo do verão americano Trump impôs tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, chegando a proibir totalmente a importação de alguns itens. O Canadá respondeu igualando essas tarifas e prometeu replicar qualquer nova medida americana. Dados futuros devem mostrar queda no comércio entre os dois países como resultado direto desse embate, de acordo com a reportagem.

Ainda não está claro como funcionará, na prática, a parceria entre Canadá e UE, nem se ela de fato se concretizará: Carney tem enfrentado resistência de autoridades canadenses que veem na iniciativa um risco à soberania do país, segundo a CNN.

Carney e von der Leyen anunciam a "Aliança para o Futuro"

Na quinta-feira, Carney e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, convidaram outros países a se juntarem à iniciativa batizada de “Aliança para o Futuro”, durante a cúpula Canadá-UE realizada em Montreal, com duração de dois dias.

“Em um mundo de rivalidades crescentes, soberania e independência não significam mais apenas a liberdade de agir sozinho — é a capacidade de agir em conjunto”, afirmou von der Leyen em discurso na quinta-feira. “E é por isso que vamos construir uma aliança para o futuro. E começamos pelo Canadá”, completou, segundo a CNN.

Poucos detalhes foram divulgados sobre o formato exato da associação do Canadá com a UE, mas Carney afirmou no início da semana que pretende usar a cúpula para avançar nos próximos passos concretos da iniciativa.

Embora a ruptura comercial com os EUA tenha sido o estopim para a aproximação com a UE, o impacto da guerra tarifária, segundo a CNN, não ficou restrito ao comércio: ele aparece também em dados de viagens e de investimentos entre as duas economias.

O comércio bilateral em queda consistente

As tarifas de Trump sobre produtos canadenses e as medidas retaliatórias de Carney contra bens americanos ao longo do verão provavelmente pesaram sobre o comércio, mas representariam apenas o capítulo mais recente de um declínio mais amplo que já vinha ocorrendo entre os dois países, segundo a reportagem.

O valor total do comércio entre EUA e Canadá vem caindo desde 2022. Dentro desses três anos, a maior queda anual ocorreu no ano passado, quando Trump impôs tarifas de 50% sobre aço e alumínio — dois dos principais produtos que os Estados Unidos importam do Canadá.

Historicamente, entre 70% e 80% das exportações canadenses têm como destino os Estados Unidos. Ainda assim, embora os EUA continuem sendo de longe o maior mercado de exportação do Canadá, essa fatia caiu de forma acentuada desde o retorno de Trump à Presidência, refletindo a incerteza comercial elevada, de acordo com relatório publicado no ano passado pelo Escritório do Economista-Chefe da Global Affairs Canada, citado pela CNN.

Nesse mesmo período, o Canadá ampliou significativamente suas exportações para a Europa e para a Ásia Central, como parte do esforço para reduzir a dependência do mercado americano.

Carney, em comunicado divulgado na quinta-feira para apresentar uma iniciativa chamada “O Plano para um Canadá Mais Forte”, disse que a mudança busca “criar mais segurança e prosperidade para os canadenses”. Segundo a CNN, o esforço também envolve o fortalecimento da defesa nacional e da segurança pública do país.

O álcool como símbolo da ruptura

O álcool responde por uma fatia relativamente pequena do comércio entre os dois países, mas se tornou um dos símbolos mais visíveis da deterioração da relação econômica bilateral, de acordo com a CNN.

Em março de 2025, conselhos provinciais de bebidas alcoólicas em todo o Canadá retiraram produtos americanos das prateleiras. Consumidores que visitavam as lojas estatais de bebidas se depararam com prateleiras vazias e cartazes com os dizeres “COMPRE CANADENSE EM VEZ DISSO”.

O efeito apareceu de imediato nos dados de comércio, com as exportações americanas de bebidas alcoólicas para o Canadá despencando e permanecendo bem abaixo dos níveis anteriores. As exportações de destilados americanos foram especialmente afetadas, caindo a uma mínima recorde de US$ 9,7 milhões no segundo trimestre de 2025, antes de se recuperarem para mais de US$ 20 milhões em cada um dos dois trimestres seguintes, segundo dados do Distilled Spirits Council citados pela CNN.

A retaliação passou a correr nos dois sentidos: no mês passado, Trump impôs uma proibição à maior parte das remessas de bebidas canadenses para os Estados Unidos.

Canadenses viajam menos e gastam menos nos EUA

Trump já sugeriu repetidamente transformar o Canadá no 51º estado americano, provocando reação negativa em boa parte da população canadense. A tensão aumentou recentemente quando o presidente renomeou o Lago Ontário como “Lake America”.

Essa rejeição tem ficado evidente nos dados de turismo. As visitas de canadenses aos Estados Unidos chegaram a quase 80 milhões no início dos anos 1990, antes de se estabilizar em torno de 40 milhões ao ano nas décadas seguintes. Em 2025, o número caiu para 29,1 milhões — o nível mais baixo fora do período da pandemia desde o início da série histórica, em 1972, segundo a agência estatística Statistics Canada, citada pela CNN.

A queda também afeta diretamente negócios americanos. Canadenses gastaram US$ 16,1 bilhões nos Estados Unidos em 2024, segundo a Statistics Canada, valor que recuou para US$ 13,4 bilhões em 2025 — uma retração de US$ 2,7 bilhões em um único ano.

Investidores canadenses recuam das ações americanas

Depois de aportar 78,1 bilhões de dólares canadenses (cerca de US$ 56 bilhões) em ações americanas no primeiro semestre de 2026, investidores canadenses mudaram de direção de forma abrupta em julho, vendendo um volume recorde de 31 bilhões de dólares canadenses (cerca de US$ 22 bilhões), segundo a Statistics Canada, de acordo com a CNN.

A venda se concentrou em ações de grandes empresas americanas de tecnologia e ocorreu em um momento em que o índice S&P 500 recuava levemente em julho, após fortes ganhos registrados no início do ano, segundo a reportagem.

O que isso significa para o investidor

O episódio descrito pela CNN reforça um ponto que investidores com exposição a ativos norte-americanos já vêm observando: tensões geopolíticas e tarifárias entre parceiros historicamente próximos podem se traduzir rapidamente em fluxos de capital voláteis, como mostrou a venda recorde de ações americanas por investidores canadenses em julho.

Para quem investe no Brasil com exposição a bolsas americanas, o caso ilustra como decisões políticas de proteção comercial — tarifas, embargos setoriais, retaliações cruzadas — podem alterar de forma relativamente rápida o apetite de grandes blocos de capital estrangeiro por ativos dos EUA, independentemente dos fundamentos das empresas envolvidas.

Vale acompanhar os próximos desdobramentos da cúpula Canadá-UE e de eventuais novas tarifas americanas, já que ambos os lados prometeram retaliações recíprocas. Qualquer novo capítulo nessa disputa tende a reverberar em dados de comércio, turismo e fluxos de investimento, com potencial de afetar também o humor de mercado em bolsas correlacionadas ao S&P 500, que fechou o pregão de 30 de outubro de 2026 em queda de 2,07%, aos 7.560,61 pontos, conforme dados de scanner da TradingView.

Por ora, trata-se de um movimento estrutural que começa pelo comércio e pelo turismo, mas já se espalha para os mercados financeiros — um sinal de que investidores devem monitorar não apenas indicadores econômicos tradicionais, mas também a temperatura política entre parceiros comerciais historicamente estáveis.

Agregado por AAR News · fonte: CNN

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos