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Câmara dos EUA aprova sanções à Rússia com poder ampliado de tarifas a Trump

Projeto batizado em homenagem ao senador Lindsey Graham segue para sanção presidencial, mas gera divisão até entre republicanos, segundo a CNN

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O Congresso dos Estados Unidos entregou ao presidente Donald Trump uma vitória política pouco antes das eleições de meio de mandato: um amplo projeto de sanções à Rússia que, segundo críticos, também abre caminho para novas tarifas comerciais com potencial de afetar a economia americana, de acordo com reportagem da CNN.

A Câmara dos Representantes deu aprovação final ao projeto na quarta-feira, por 262 votos a 159, com apoio de dezenas de democratas. A proposta leva o nome do falecido senador Lindsey Graham e segue agora para a mesa de Trump, que deve sancioná-la.

Divisão silenciosa entre republicanos

Embora a maioria dos parlamentares republicanos apoie o texto, a CNN apurou que cerca de uma dezena deles pressionou, em conversas privadas, a liderança do partido para retirar do projeto os novos poderes tarifários. O receio, segundo duas pessoas com conhecimento das conversas, é de que a medida eleve preços justamente às vésperas das eleições de meio de mandato.

O presidente da Câmara, Mike Johnson, e sua equipe de liderança rejeitaram as mudanças propostas por esses parlamentares, de acordo com as mesmas fontes ouvidas pela reportagem.

Tarifas de até 100% sobre compradores de petróleo russo

Pelas novas autoridades tarifárias previstas na legislação, o governo Trump poderá impor tarifas de até 100% sobre países que comprem petróleo e gás da Rússia, incluindo China e Índia. Críticos afirmam que essa medida poderia representar um choque relevante, dado o peso desses países como compradores de energia russa.

Caberá ao representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, definir o nível final da tarifa a ser aplicada. Ainda assim, essa possível salvaguarda não tem sido suficiente para conter as preocupações de democratas que se manifestaram publicamente, nem de republicanos que expressaram receios em conversas reservadas — ambos os grupos veem no texto um instrumento que amplia o poder de Trump sobre a política comercial.

Defensores do projeto, em ambos os partidos, contra-argumentam que a autoridade tarifária concedida é limitada e cuidadosamente delimitada, e que os temores sobre um poder presidencial ampliado no comércio exterior não se sustentam.

Mais de um ano de negociações e o legado de Graham

O projeto foi apresentado pela primeira vez em abril de 2025 e passou por mais de um ano de negociações até obter o apoio da Casa Branca, processo conduzido pelo senador Lindsey Graham. Sua última aparição pública, um dia antes de morrer, foi em Kiev: diante de tanques nas ruas da capital ucraniana, ele anunciou que Trump apoiaria a proposta.

O texto impõe sanções obrigatórias a figuras de alto escalão do governo russo, incluindo o presidente Vladimir Putin, além de oligarcas russos, empresas estatais e companhias estrangeiras que apoiem a base industrial de defesa da Rússia.

Rachadura entre os democratas

Para boa parte dos democratas, o voto foi difícil. A maioria do partido queria apoiar o pacote de sanções, mas o tema gerou tensões internas. Aliados históricos da Ucrânia, como o deputado sênior Steny Hoyer, de Maryland, fizeram uma defesa enfática do projeto, mesmo com a própria liderança do partido expressando reservas.

Um dia antes da votação final, dois democratas de centro chegaram a contrariar a orientação da liderança do partido para ajudar os republicanos a levar o projeto ao plenário, quando os votos do próprio GOP não foram suficientes.

O Senado já havia aprovado o projeto em agosto, em votação bipartidária ampla.

O senador Richard Blumenthal, principal copatrocinador democrata do projeto no Senado, disse a jornalistas nesta semana estar 'muito esperançoso de que a Câmara reconheça que temos uma responsabilidade profunda'.

Segundo Blumenthal, há urgência no tema: 'Em meu último encontro com o presidente Zelensky, ele insistiu que deveríamos aprovar o projeto de sanções à Rússia', afirmou o senador, de acordo com a CNN.

Oposição de peso na bancada democrata

Ainda assim, muitos democratas na Câmara votaram contra o projeto. O líder da minoria democrata, Hakeem Jeffries, anunciou durante o debate que não apoiaria a medida, citando justamente a autoridade tarifária adicional contestada por colegas de partido.

'Por que este Congresso daria a este presidente autoridade adicional para causar esse tipo de dano econômico ao povo americano?', questionou Jeffries, segundo a CNN.

Três democratas de peso, todos à frente de comitês ligados a política externa ou comércio, alertaram que o projeto 'faria mais mal do que bem'. Os deputados Gregory Meeks, de Nova York, Richard Neal, de Massachusetts, e Don Beyer, da Virgínia, afirmaram que a proposta 'expandiria drasticamente as autoridades tarifárias presidenciais, ao mesmo tempo em que falha em determinar sanções obrigatórias à Rússia, o que é inaceitável em ambos os aspectos'.

Meeks é o principal democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, Neal ocupa o mesmo posto no Comitê de Formas e Meios (Ways and Means), e Beyer é o democrata mais graduado no Comitê Econômico Conjunto do Congresso.

Segundo os três parlamentares, citados pela CNN, essas falhas 'elevariam os preços para os americanos, ao mesmo tempo em que minariam o apoio à Ucrânia no longo prazo'.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha ativos ligados a comércio internacional e energia, o ponto central não é a sanção à Rússia em si, mas o precedente de poder tarifário que o texto concede ao Executivo americano. Se sancionado, o dispositivo dá a Washington uma ferramenta discricionária para pressionar parceiros comerciais de peso, como China e Índia, compradores relevantes de petróleo e gás russos — o que introduz um fator de incerteza regulatória que tende a ser monitorado por mercados de commodities e câmbio.

A divisão bipartidária relatada pela CNN — com republicanos reticentes em público apoiando o texto, mas pressionando em privado por mudanças, e democratas fraturados entre apoiar sanções à Rússia e rejeitar a ampliação de poder tarifário — sinaliza que o tema pode voltar à pauta política americana, especialmente às vésperas de eleições de meio de mandato, quando o debate sobre preços ao consumidor ganha peso eleitoral.

Investidores expostos a cadeias de energia, comércio exterior com China e Índia, ou a ativos sensíveis à política tarifária dos EUA devem acompanhar os próximos passos: a sanção presidencial ao texto, a regulamentação a cargo do representante de Comércio Jamieson Greer para definir o nível efetivo das tarifas, e eventuais reações diplomáticas de Pequim e Nova Délhi. Até que esses desdobramentos se concretizem, o cenário permanece de incerteza qualitativa, sem que o material disponível permita estimar magnitudes de impacto.

Agregado por AAR News · fonte: CNN

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos