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Bolsas americanas se recuperam com queda de petróleo e juros longos

S&P 500 e Nasdaq sobem após tombo provocado pela alta de juros do Fed; tecnologia lidera ganhos e analistas veem divergência crescente sob a superfície do mercado

Bolsas americanas se recuperam com queda de petróleo e juros longos
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As principais bolsas dos Estados Unidos fecharam em alta nesta quinta-feira, revertendo parte das perdas da véspera, impulsionadas pela queda dos rendimentos dos Treasuries e dos preços do petróleo, além do desempenho positivo de grandes nomes de tecnologia. O movimento ocorre um dia depois de o Federal Reserve promover seu primeiro aumento de juros em três anos, decisão que havia derrubado os índices, segundo a CNBC.

O Dow Jones Industrial Average avançou 363 pontos, equivalente a 0,7%. O S&P 500 subiu 1,1%, enquanto o Nasdaq Composite teve o melhor desempenho entre os três, com ganho de 1,6%, de acordo com o levantamento da emissora.

O setor de tecnologia puxou o mercado mais amplo para cima. Entre as chamadas 'Magnificent Seven', Nvidia e Amazon subiram 2% cada, enquanto a Microsoft avançou 1%. Outras companhias ligadas ao tema de inteligência artificial também se destacaram: a Qualcomm avançou 2% e a Intel disparou 9%, conforme dados citados pela CNBC.

Do lado dos juros, o rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos recuou para baixo da marca de 5%, caindo mais de 5 pontos-base, para 4,945%. O indicador havia voltado a superar esse patamar na quarta-feira, logo após a decisão do Fed sobre a taxa básica de juros.

Os preços do petróleo também cederam, o que ajudou a sustentar as ações. O barril do WTI recuou menos de 1%, para cerca de US$ 101, enquanto o Brent caiu 1%, para aproximadamente US$ 104. Segundo a CNBC, o alívio nos preços da commodity ocorreu depois que a Arábia Saudita teria decidido disponibilizar mais cargas de petróleo a refinarias asiáticas por meio de transferências navio a navio próximas ao porto de Sohar, em Omã, reduzindo temores de disrupção na oferta.

A recuperação de quinta-feira contrasta com as perdas de quarta-feira, registradas após o Fed elevar a taxa básica de juros em um quarto de ponto percentual. Na ocasião, autoridades do banco central também sinalizaram a possibilidade de novo aperto ainda este ano, com o presidente da instituição, Kevin Warsh, afirmando que a inflação permanece elevada.

Robert Conzo, CEO da The Wealth Alliance, resumiu o movimento do mercado nesta quinta-feira como uma reação de alívio. Segundo ele, em declaração à CNBC, há um sentimento de que o Fed está enfrentando de frente um problema de inflação persistente.

Ainda assim, o executivo pondera que o mercado segue exposto a uma volatilidade potencialmente intensa, a depender da evolução do conflito no Oriente Médio. Ele explicou à CNBC que, caso os preços do petróleo permaneçam elevados, a pressão inflacionária tende a ser repassada pelos varejistas aos consumidores, tornando o combate à inflação progressivamente mais difícil.

Macquarie eleva recomendação para Trip.com

A Macquarie elevou a recomendação para as ações da Trip.com, plataforma líder em viagens on-line na China, citando fundamentos sólidos e expansão internacional crescente, segundo nota divulgada nesta quinta-feira e reproduzida pela CNBC.

A casa de análise mudou a recomendação de neutra para outperform, destacando a trajetória de crescimento internacional e o sucesso de um sistema de níveis premium mais flexível, mesmo diante de projeções fracas para o mercado doméstico chinês. O preço-alvo definido foi de US$ 53,20, o que implica potencial de valorização de 32%.

A analista Ellie Jiang, da Macquarie, escreveu que a companhia segue apresentando forte impulso internacional, melhora gradual de margens e uma estratégia de expansão disciplinada, focada em retorno sobre investimento, fatores que, na visão dela, devem compensar a fraqueza doméstica. Ela acrescentou que as ações oferecem potencial de valorização à medida que a visibilidade de lucros melhora e as pressões regulatórias diminuem.

A revisão de recomendação ocorre após a Trip.com divulgar, no início da semana, resultados do segundo trimestre acima das expectativas, mesmo tendo absorvido uma multa antitruste de 5 bilhões de yuans no período, segundo a CNBC.

BTIG vê mais fraqueza pela frente para as ações

O estrategista técnico Jonathan Krinsky, da BTIG, avalia que uma deterioração nos indicadores internos do mercado, somada a um excesso de complacência entre investidores, aponta para novas quedas nas bolsas, segundo nota citada pela CNBC.

Krinsky escreveu, na quarta-feira, que o percentual de ações do S&P 500 negociadas acima da média móvel de 200 dias fechou em 49% — a primeira vez desde abril de 2000 em que esse indicador ficou abaixo de 50% com o índice ao menos 4% acima de sua própria média de 200 dias e a até 4% de uma máxima histórica.

Segundo o estrategista, o mercado não está recompensando quem compra força, com um número crescente de ações rompendo suportes e perdendo suas médias móveis de longo prazo. Para ele, a correção só terá se esgotado quando o sentimento dos investidores ficar menos complacente, surgirem condições mais sobrevendidas e o índice de correlação entre ativos passar a recuar de forma mais consistente.

O setor bancário foi apontado como um dos pontos mais fracos, tendo registrado seu pior dia desde fevereiro, segundo o técnico. O Goldman Sachs perdeu sua média móvel de 200 dias. Krinsky também citou os setores industrial e de transportes como exemplos de segmentos que estão perdendo momento de longo prazo.

Ações em destaque: Workday, Lucid Group, SiTime

Entre as ações que mais se movimentaram durante o pregão, a Workday, plataforma de software de recursos humanos baseada em nuvem, subiu 5%. Segundo reportagem de David Faber, da CNBC, citando fontes não identificadas, seguem em curso esforços para viabilizar financiamento a uma oferta para fechar o capital da companhia.

A Lucid Group, fabricante de veículos elétricos, avançou quase 9% depois que seu principal executivo afirmou à Bloomberg que o trabalho de reestruturação com assessores havia sido concluído, conforme informação repassada pela FactSet e citada pela CNBC.

Já a SiTime, fabricante de produtos de temporização baseados em sistemas microeletromecânicos sediada no Vale do Silício, disparou quase 10% depois que o Morgan Stanley iniciou cobertura do papel com recomendação overweight e preço-alvo de US$ 730, o que representa potencial de valorização de 33% em relação ao fechamento de quarta-feira.

Metade do S&P 500 opera abaixo das médias de longo prazo

A amplitude do mercado mostra sinais de enfraquecimento por trás do desempenho dos índices principais: pouco mais da metade das companhias que compõem o S&P 500 negocia atualmente abaixo de suas médias móveis de 200 dias, segundo a CNBC.

A média móvel de 200 dias é um indicador amplamente acompanhado para medir o momento de longo prazo de um ativo. Uma parcela crescente de ações abaixo desse patamar costuma ser interpretada como sinal de que a força aparente do índice principal está se deteriorando por baixo da superfície.

Entre as companhias que recentemente passaram a negociar abaixo dessa média de longo prazo estão nomes de setores como varejo, transporte rodoviário, bancos, semicondutores, defesa e bens de consumo, segundo o levantamento da CNBC.

A gigante do transporte rodoviário J.B. Hunt caiu abaixo desse patamar na quarta-feira, após emitir um alerta de lucro relacionado a custos mais altos. A KLA Corp fechou recentemente abaixo desse nível pela primeira vez desde maio de 2025. Já o Goldman Sachs encerrou a quarta-feira abaixo de sua média de 200 dias pela primeira vez desde março, movimento associado à decisão do Fed de elevar os juros.

Salesforce apresenta IA como 'revolução de interface' em evento para investidores

No início do ano, parte do mercado chegava a dar o setor de software praticamente como ultrapassado, diante do avanço de grandes modelos de linguagem vistos como ameaça a boa parte do segmento, segundo a CNBC.

Mas modelos de linguagem de ponta e software legado vivem agora um momento de aproximação, com o ETF de software iShares, o IGV, acumulando alta de cerca de 40% desde meados de abril, de acordo com a reportagem.

O evento para investidores promovido pela Salesforce na quarta-feira trouxe uma série de iniciativas ligadas a inteligência artificial bem recebidas por parte do mercado, ainda que as ações da companhia recuassem cerca de 2,5% no pregão desta quinta-feira pela manhã.

Analistas do Citi descreveram a abordagem de IA da Salesforce como uma 'revolução de interface', em que usuários passam a interagir diretamente com agentes de inteligência artificial em vez de aplicativos de software tradicionais. Segundo Tyler Radke, do Citi, em nota citada pela CNBC, a gestão da empresa apresentou a IA como uma nova camada de interação entre usuários, dados corporativos e os modelos mais avançados, por meio de ferramentas como ClaudeForce, SlackForce e Agentforce Coworker.

Parte do mercado tem usado o termo 'headless' para descrever essa incorporação da inteligência artificial às interfaces de software já existentes. Arjun Bhatia, do William Blair, afirmou em nota de quinta-feira que esse é o caminho a seguir, destacando que o lançamento do AIforce reforça essa lógica ao levar a experiência 'headless' para Claude, Slack e Agentforce Coworker, com mais interfaces previstas para o futuro.

Cobre atinge maior nível desde 10 de setembro

Entre as commodities, o cobre chegou ao maior patamar desde 10 de setembro, segundo a CNBC, em meio ao cenário mais amplo de reprecificação de ativos após a decisão do Fed e à queda do petróleo no mercado internacional.

O que isso significa para o investidor

O comportamento do mercado nesta quinta-feira reforça um padrão observado desde a decisão do Fed: os índices reagem com força tanto para cima quanto para baixo a qualquer sinal sobre a trajetória dos juros e do petróleo. Como mostrou a cobertura anterior do AAR News, Kevin Warsh negou que a decisão de elevar juros tenha sido ditada pelo mercado de Treasuries, mas a queda simultânea dos yields e do petróleo nesta quinta-feira, seguida da recuperação das bolsas, sugere que esses dois fatores continuam sendo o principal termômetro de humor para os investidores no curto prazo.

Vale observar que, segundo o scanner da TradingView referente a 17/09/2026 às 16h29 BRT, o S&P 500 operava a 7.640,24 pontos, com alta de 1,17% no dia, e o Nasdaq a 26.417,39 pontos, com ganho de 1,69% — números que dialogam com o movimento de recuperação puxado por tecnologia relatado pela CNBC. Para o investidor brasileiro exposto a ativos americanos, isso indica que o apetite por risco em nomes de IA segue firme, mas condicionado à trajetória de juros longos e do barril de petróleo.

Ao mesmo tempo, os alertas técnicos citados pela CNBC — como a leitura de Jonathan Krinsky sobre a deterioração da amplitude de mercado e a informação de que mais da metade das ações do S&P 500 negocia abaixo de suas médias de longo prazo — indicam que a alta dos índices principais pode mascarar fragilidades setoriais, especialmente em bancos, transporte e indústria. Investidores com exposição a fundos ou ETFs amplos de ações americanas devem observar essa divergência entre o desempenho de poucos nomes de peso e o comportamento do restante do mercado, além de acompanhar de perto novos sinais do Fed sobre possíveis altas adicionais de juros ainda este ano, tema já destacado na cobertura anterior do AAR News sobre a pressão do mercado de títulos e as declarações de Trump a respeito de Warsh.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos