O Bradesco (BBDC4) apresentou nesta quinta-feira (22) lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026, segundo divulgação da instituição ao mercado. O número representa avanço de 0,8% em relação ao trimestre anterior e de 14,6% frente ao mesmo período do ano passado, ficando alinhado às projeções compiladas pela LSEG.
A receita total do banco somou R$ 38,0 bilhões no período, enquanto as estimativas de mercado apontavam para R$ 37,7 bilhões, de acordo com os dados divulgados. O resultado chega em meio a uma temporada de balanços do terceiro trimestre que tem concentrado atenção de investidores sobre bancos e outros setores listados na Bolsa brasileira.
Margem financeira e provisões em alta
A margem financeira total do Bradesco atingiu R$ 21,3 bilhões no trimestre, crescimento de 2,4% em relação aos três meses anteriores e de 14,2% na comparação anual. Já as despesas com Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) expandida somaram R$ 10,6 bilhões, com alta de 6,6% na comparação trimestral e de 24,3% no acumulado de doze meses.
O custo do crédito, medido justamente pela despesa de PDD expandida, acompanhou esse movimento de aumento, repetindo os mesmos percentuais de 24,3% ano a ano e 6,6% trimestre a trimestre informados pelo banco.
Carteira de crédito e inadimplência
A carteira de crédito do Bradesco encerrou setembro em R$ 1,15 trilhão, volume 11,1% maior que o registrado um ano antes e 1,1% superior ao fechamento de junho. O índice de inadimplência acima de 90 dias, por sua vez, avançou para 4,6% no terceiro trimestre, ante 4,1% um ano antes e 4,3% no trimestre imediatamente anterior.
Rentabilidade do banco
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) do Bradesco ficou em 15,6% no terceiro trimestre, comparado a 14,7% no mesmo intervalo de 2025 e a 16,2% no segundo trimestre de 2026. Desconsiderando o efeito do aumento de capital realizado recentemente pela instituição, o indicador teria alcançado 16,1%, segundo os dados divulgados pelo banco.
Analistas consultados antes da divulgação do balanço já haviam sinalizado três pontos como centrais para a leitura do resultado: o comportamento das provisões, a trajetória da inadimplência e a capacidade de a operação de seguros e das iniciativas de eficiência do banco compensarem a pressão observada sobre a atividade bancária tradicional, conforme relatado pelo InfoMoney.
O que isso significa para o investidor
O balanço do Bradesco mostra um banco que sustenta crescimento de lucro e de margem financeira, mas convive com deterioração simultânea em dois indicadores sensíveis: a inadimplência acima de 90 dias e o custo do crédito, ambos em trajetória de alta nas comparações anual e trimestral. Para quem acompanha o papel BBDC4, esse é o tipo de combinação que costuma dividir a leitura do mercado entre o apetite de crescimento da carteira e o risco de deterioração de qualidade dos ativos.
Segundo o scanner da TradingView, BBDC4 operava em R$ 20,22 no fechamento de 22/10/2026 às 21h01 (horário de Brasília), com queda de 2,08% no dia — movimento que ocorreu na mesma data da divulgação do balanço e que pode refletir a digestão do mercado quanto aos sinais mistos do resultado.
Nos próximos meses, vale observar se a expansão da carteira de crédito, que cresceu 11,1% em doze meses, seguirá acompanhada de aumento proporcional nas provisões, e se a queda do ROAE frente ao trimestre anterior é pontual ou indica tendência. A fala de analistas sobre o papel da operação de seguros como contrapeso à pressão bancária tradicional também merece acompanhamento nos próximos balanços, especialmente para investidores que buscam entender a sustentabilidade da rentabilidade do banco adiante.
Agregado por AAR News · fonte: InfoMoney
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