O banco custodiante BNY e a gigante de negociação Citadel Securities concluíram uma transação que demonstra como títulos do Tesouro dos Estados Unidos tokenizados podem transitar entre liquidação e financiamento com mais agilidade, segundo o CoinDesk.
A operação mirou um ponto de atrito conhecido do mercado financeiro: a movimentação de títulos públicos usados como colateral para sustentar operações de trading e empréstimos de curto prazo. Deslocar esses ativos entre contas e sistemas de liquidação costuma consumir tempo, deixando recursos imobilizados que poderiam ser realocados para outras operações.
O teste se insere em um movimento mais amplo de Wall Street para levar ativos tradicionais para blockchains. Gestoras e bancos como BlackRock, Franklin Templeton e JPMorgan já adotaram fundos e títulos tokenizados, apostando que a tecnologia pode reduzir prazos de liquidação, automatizar processos e facilitar a transferência de ativos.
Colateral tokenizado em ação
O objetivo da transação entre BNY e Citadel Securities foi demonstrar como títulos do Tesouro tokenizados podem sair da liquidação e entrar diretamente no circuito de financiamento, permitindo que firmas reutilizem o colateral mais rapidamente e liberem caixa para outras negociações.
Dan Doherty, responsável pelas operações de ativos digitais da Citadel Securities, afirmou em comunicado que a movimentação eficiente de colateral de alta qualidade é fundamental para o bom funcionamento dos mercados. Segundo ele, reduzir atrasos ao longo de todo o ciclo da operação pode melhorar o funcionamento dos mercados institucionais.
O BNY informou que pretende ampliar seus serviços de caixa digital e suas capacidades de depósitos tokenizados para dar suporte à liquidação e ao financiamento baseados em blockchain.
Além disso, o banco disse que espera estender o horário de funcionamento de seus sistemas tradicionais de liquidação para títulos elegíveis ao Federal Reserve e para transações triparty nos Estados Unidos, com a meta de alcançar os horários de negociação da Europa e da Ásia no próximo ano. As transações triparty são uma modalidade de financiamento de curto prazo em que um banco administra o colateral entre tomadores e credores.
Carolyn Weinberg, diretora de inovação e transformação de mercado do BNY, declarou em comunicado que o uso de uma representação tokenizada de um título do Tesouro americano, tanto na liquidação quanto no financiamento, contribui para um sistema financeiro mais conectado, eficiente e disponível de forma contínua.
O que isso significa para o investidor
O teste do BNY com a Citadel Securities reforça uma tendência já registrada pela AAR News: a corrida das grandes instituições financeiras para levar ativos tradicionais para blockchains, como mostrou a entrada da Federated Hermes — gestora de US$ 911 bilhões — na tokenização de fundos em parceria com a Prometheum, com emissão prevista a partir de 2027 e acesso via corretoras tradicionais.
Para o investidor institucional, iniciativas como essa sinalizam que o colateral em Treasuries pode, no médio prazo, circular com menos fricção entre liquidação e financiamento, o que tende a beneficiar quem opera com alta rotatividade de caixa e garantias. Ainda é um teste, não uma mudança estrutural já implementada — o ritmo de adoção por outros bancos e corretoras será o indicador a acompanhar.
Vale observar que esse movimento de tokenização ocorre em paralelo a um momento de tensão nos mercados de ações americanos, com estrategistas de Goldman, Morgan Stanley e Deutsche Bank divergindo sobre os riscos de uma dispersão recorde entre o desempenho do S&P 500 e o da ação mediana, conforme cobertura da AAR News. Isso reforça que, para o investidor brasileiro exposto a ativos americanos, infraestrutura de mercado e risco de preço são frentes distintas que merecem monitoramento separado.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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