Cripto · NFTs

Blur encerra marketplace de NFTs após volume despencar mais de 99%

Plataforma que já liderou negociações de NFTs na Ethereum fecha site em 12 de novembro, dez dias após projeto irmão Blast anunciar fim das operações

A snapshot of the Blur website as of Asian morning hours Tuesday. (CoinDesk)
CoinDesk

Ler na fonte → CoinDesk

A Blur, que já foi o maior marketplace de NFTs construído sobre a Ethereum, vai encerrar seu site em 12 de novembro, depois que o volume de negociações recuou mais de 99% em relação ao auge registrado em 2023. A informação é da CoinDesk, que destaca se tratar do segundo recuo relevante em dez dias entre os projetos ligados ao empreendedor cripto Tieshun Roquerre.

Segundo a CoinDesk, a plataforma informou nesta segunda-feira que, além do fechamento do site, o serviço de empréstimos de NFTs Blend deixará de organizar novos contratos. Tomadores de empréstimo têm até 12 de novembro para quitar suas posições ou deixá-las em default; depois dessa data, a Blur pretende disponibilizar uma ferramenta separada para retirada de ativos vinculados ao Blend.

Contratos inteligentes continuam no ar

De acordo com a reportagem, os contratos inteligentes da Blur na Ethereum continuarão operacionais, o que significa que o encerramento do site não elimina o sistema de negociação baseado em blockchain. Os detentores do token BLUR manterão o controle sobre o chamado fee switch, mecanismo que permite votar se o marketplace deve passar a cobrar taxas de negociação.

A CoinDesk relata que a decisão da Blur vem na sequência do anúncio de encerramento da Blast, em 2 de outubro, rede de escalabilidade da Ethereum também criada por Roquerre — mais conhecido como Pacman — e desenvolvida pela mesma equipe por trás da Blur. A Blast chegou a atrair mais de US$ 2 bilhões em ativos, em parte por meio de recompensas oferecidas a usuários que depositavam fundos na rede.

Conforme a reportagem, esse montante havia caído para aproximadamente US$ 32 milhões quando os desenvolvedores anunciaram o fechamento, alegando que a rede custava mais para operar do que gerava em receita.

Da ascensão meteórica ao colapso de volume

A trajetória da Blur também teve uma ascensão dramática, segundo a CoinDesk. Lançada em 2022, a plataforma desafiou a então líder do setor, a OpenSea, oferecendo transações mais rápidas, taxas baixas e recompensas em token para traders profissionais.

Essa estratégia ajudou a Blur a capturar mais de 70% do volume de negociação de NFTs na Ethereum em março de 2023, quando a atividade na plataforma chegou a aproximadamente US$ 1,43 bilhão, de acordo com dados da DefiLlama citados pela reportagem.

Já em março de 2026, esse volume mensal havia caído para menos de US$ 7 milhões, uma queda superior a 99,5%, aponta a CoinDesk.

A reportagem destaca ainda que, apesar de todo esse volume negociado, o marketplace da Blur não gerou receita de taxas de transação em momento algum: a plataforma sempre cobrou zero dos traders, e dados do Token Terminal registram US$ 0 em receita de protocolo ao longo dos últimos três anos, mesmo com bilhões de dólares em negociações de NFTs. A CoinDesk pondera, no entanto, que esse número não estabelece se a Blur obteve receita por meio de seu serviço de empréstimos ou de outras atividades.

Incentivos agressivos e críticas ao modelo

Segundo a reportagem, os programas de incentivo agressivos da Blur atraíram críticas por estimularem negociações especulativas e pressionarem os royalties pagos a criadores de NFTs. A CoinDesk observa que os números de negociação, isoladamente, não permitem determinar quanto dessa atividade veio de compradores genuínos e quanto veio de traders em busca apenas das recompensas oferecidas.

A reportagem nota que, ao contrário da Blast, a Blur não atribuiu publicamente seu encerramento a prejuízos operacionais. O site da plataforma ainda anuncia taxas zero no marketplace e mais de US$ 7,4 bilhões em volume de negociação acumulado ao longo de sua existência, um lembrete de quão rapidamente o negócio cresceu em seu auge.

De acordo com a CoinDesk, o token BLUR caiu mais de 20% após o anúncio de segunda-feira, sendo negociado em torno de US$ 0,015. Usuários da Blast têm até 26 de outubro para realizar saques pela interface regular da rede, enquanto o encerramento separado da Blur ocorre em 12 de novembro.

O que isso significa para o investidor

O desfecho da Blur reforça um padrão já conhecido no universo cripto: modelos de incentivo agressivo podem inflar volumes de negociação rapidamente, mas não necessariamente constroem receita sustentável. A ausência total de receita de protocolo ao longo de três anos, mesmo com bilhões de dólares em negociações, é um dado que merece atenção de quem avalia projetos similares baseados em recompensas em token.

O fato de os contratos inteligentes da Blur permanecerem ativos na Ethereum, mesmo após o fechamento do site, ilustra uma característica estrutural de projetos descentralizados: a infraestrutura pode sobreviver ao encerramento da camada de interface e governança. Para detentores do token BLUR, o controle remanescente sobre o fee switch é um ponto a monitorar, já que pode definir se ainda existe algum valor residual a ser capturado pelo protocolo.

O episódio ocorre em meio a uma semana de calendário cripto movimentada, com dados de inflação nos EUA, balanços bancários do terceiro trimestre e discussões técnicas sobre a própria Ethereum em pauta, conforme cobertura anterior do AAR News. Segundo cotações do scanner TradingView referentes a 13 de outubro de 2026, às 17h44 BRT, o Ethereum era negociado a US$ 2.506,08, com alta de 2,52% no dia — um contraste que mostra como a rede-base segue ativa mesmo diante do fracasso de aplicações construídas sobre ela.

Para investidores expostos a ecossistemas de NFTs e a tokens de projetos ligados a incentivos de liquidez, o caso Blur e Blast reforça a necessidade de observar não apenas volume negociado, mas também a geração efetiva de receita e a sustentabilidade financeira dos modelos antes de alocar capital.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos