O bitcoin voltou a operar abaixo da marca de US$ 80 mil nesta terça-feira, negociado perto de US$ 79.700, com queda de 0,4% desde a meia-noite UTC. O movimento chamou atenção por acontecer justamente no dia em que as bolsas de tecnologia da Ásia registraram forte avanço, segundo dados da CoinDesk.
O ether recuou 0,5%, enquanto o índice DeFi da CoinDesk (DFX) caiu 1,8%, a maior perda entre todos os índices da plataforma e um movimento oposto ao de segunda-feira, quando o DFX havia sido o único a subir.
Descolamento em relação à Ásia
Enquanto o bitcoin recuava, o índice sul-coreano Kospi avançou 3,1%, em um dia de rali nas ações de tecnologia asiáticas. Ainda assim, o movimento não contagiou o mercado cripto, que seguiu trajetória própria e negativa. Os futuros dos índices acionários americanos também operavam em leve queda, em meio à expectativa por balanços de grandes empresas de tecnologia ao longo da semana. O petróleo americano subia, aproximando-se de US$ 102 o barril, segundo a CoinDesk.
Fed em foco
O Federal Reserve iniciou nesta terça-feira uma reunião de dois dias, com decisão sobre juros prevista para quarta-feira. A ferramenta FedWatch, da CME, indicava cerca de 90% de probabilidade de manutenção da taxa atual. Operadores devem buscar sinais sobre a possibilidade de uma nova alta de juros ainda neste ano. Segundo a Farside Investors, os ETFs americanos de bitcoin à vista registraram captação líquida de US$ 110 milhões na segunda-feira, encerrando dois dias seguidos de saídas.
Posicionamento em derivativos
O volume negociado em contratos futuros de criptomoedas subiu 18%, para US$ 152 bilhões em 24 horas, revertendo a queda do dia anterior, enquanto o interesse em aberto (OI) avançou apenas 0,95%. As liquidações recuaram 13%, para US$ 133 milhões. A relação entre ordens compradoras e vendedoras a mercado ficou praticamente equilibrada, em 49,54% contra 50,46%.
Mesmo com o recuo de preços, houve entrada de capital: bitcoin e ether caíram cerca de 1,1% em 24 horas e a solana (SOL) perdeu 1,91%, enquanto o interesse em aberto nos futuros desses ativos subiu aproximadamente 1%, 0,8% e 3,6%, respectivamente — com a SOL registrando a maior entrada proporcional. O financiamento (funding) permaneceu positivo para os três ativos, indicando que posições compradas não foram desmontadas. Já o indicador de volume cumulativo delta (CVD) da SOL terminou negativo, sinalizando vendas via ordens a mercado.
O contrato SOXL, atrelado a um ETF de semicondutores com alavancagem tripla, mostrou movimento inverso: o interesse em aberto caiu 7,4% mesmo com alta de 8% no preço do perpétuo, sugerindo que o ganho foi impulsionado principalmente pelo desmonte de posições vendidas. O contrato SKHYNIX, ligado à fabricante de chips SK Hynix, repetiu o padrão em menor escala, com o funding recuando para 0,0221%, ante 0,0516% anteriormente.
O petróleo seguiu como o único ativo da lista com taxa de financiamento negativa, aprofundando-se para -0,0115%, ante -0,0077% no período anterior, o que aponta para um viés persistente de posições vendidas. Ainda assim, o interesse em aberto subiu 2,18% em meio a uma alta de 0,86% no preço, indicando retorno de capital após a saída registrada no dia anterior.
No mercado de opções, a operação mais negociada em bitcoin nas últimas 24 horas foi uma opção de venda (put) com strike de US$ 72.000 e vencimento em 25 de dezembro. As demais posições entre as cinco mais negociadas foram todas opções de compra (calls). O viés de 25-delta entre puts e calls do bitcoin seguiu positivo em todos os prazos, indicando preferência por proteção contra quedas — padrão também observado nas opções de ether.
Destaques entre os tokens
As moedas de privacidade resistiram melhor que a média do mercado: dash subiu 1,8% e zcash avançou 0,5%, em meio à proposta do cofundador Sean Bowe de encerrar a fatia de 8% das novas moedas emitidas destinada ao programa de doações comunitárias da rede — segundo ele, o tesouro do projeto, de cerca de US$ 125 milhões, seria suficiente para cobrir anos de gastos.
Os tokens de DeFi devolveram os ganhos registrados na segunda-feira: aave recuou 3,6% e sky, token do projeto antes chamado MakerDAO, caiu 3,9%. A organização autônoma da Aave não realiza recompra de tokens desde abril.
Tokens ligados a inteligência artificial também caíram, mesmo com o rali das ações asiáticas de tecnologia: render, rede de computação em GPU, e the graph, protocolo de dados em blockchain, perderam mais de 2% cada.
Celestia, starknet e pump.fun recuaram cerca de 3% cada. A celestia ainda enfrenta um desbloqueio de 5,58 milhões de tokens TIA previsto para sábado, segundo dados da Tokenomist. Já o Índice de Temporada das Altcoins, calculado pela CoinMarketCap, subiu para 57 pontos em 100, ante 53 na segunda-feira.
O que isso significa para o investidor
O recuo do bitcoin em meio ao rali das bolsas asiáticas reforça um padrão observado nas últimas semanas de cobertura do AAR News: o ativo tem oscilado em torno da casa dos US$ 80 mil, alternando entre altas pontuais puxadas por altcoins e quedas associadas a dúvidas macroeconômicas. Segundo cotações do TradingView referenciadas pelo AAR, o bitcoin era negociado a US$ 80.468,32 em 27 de outubro de 2026, às 12h25 BRT, com alta de 0,53% no dia — patamar próximo ao atual recuo abaixo de US$ 80 mil relatado pela CoinDesk, o que indica um mercado ainda sem direção definida.
A reunião do Fed que começa nesta terça-feira é o principal evento a ser monitorado nos próximos dias. Com o mercado precificando cerca de 90% de chance de manutenção de juros, qualquer sinalização sobre o ritmo futuro da política monetária pode reprecificar ativos de risco, incluindo criptomoedas. A captação positiva nos ETFs de bitcoin à vista, após dois dias de saídas, é um dado a acompanhar como termômetro do apetite institucional.
No mercado de derivativos, o viés de proteção contra quedas nas opções de bitcoin e ether, somado à entrada de capital em futuros mesmo com os preços caindo, sugere que parte dos investidores está se posicionando para volatilidade adicional sem necessariamente apostar em uma queda estrutural. Para quem acompanha o mercado cripto com viés de alocação de médio prazo, o desenrolar da reunião do Fed e o comportamento dos índices DeFi e de tokens ligados a IA — ambos sob pressão nesta rodada — são sinais relevantes para calibrar exposição nas próximas semanas.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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