O bitcoin perdeu o patamar de US$ 82 mil nesta quinta-feira, com queda de até 2,9% desde a meia-noite UTC, segundo dados da CoinDesk. O movimento reverteu a alta registrada na quarta-feira à noite, quando o ativo havia chegado perto de US$ 84.800, e marcou o pior desempenho em duas semanas para a criptomoeda.
O recuo foi puxado por resultados mistos de Tesla e Meta Platforms, que reacenderam dúvidas sobre os gastos das empresas de tecnologia com inteligência artificial e pressionaram as bolsas globais. A reação se espalhou pelos mercados asiáticos antes mesmo da abertura em Nova York.
Equities e Ásia sob pressão
Segundo a CoinDesk, as ações chinesas entraram em um mercado baixista, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou mais de 3%. O Kospi, da Coreia do Sul, caiu 3,5%, e o Nikkei 225, do Japão, cedeu 2,7%. Nos Estados Unidos, os futuros do Nasdaq 100 recuaram 1,32% e os do S&P 500 caíram 0,66%, refletindo o receio de que o ciclo de investimentos em IA esteja perdendo fôlego.
No mercado cripto, o índice CoinDesk 80 (CD80), que reúne ativos de menor capitalização, caiu 3,2%, desempenho pior que o do CoinDesk 5 (CD5), que recuou 2,5%. O ether acompanhou o movimento com queda de 2,6%, para perto de US$ 2.400. O setor de finanças descentralizadas foi o mais castigado: o índice DeFi da CoinDesk (DFX) despencou 5,6%.
Apesar da aversão a risco, os ETFs de bitcoin à vista captaram mais de US$ 1 bilhão nos três primeiros dias da semana, de acordo com dados da SoSoValue citados pela CoinDesk. Durante a madrugada, a rede Solana também ativou a atualização Alpenglow, embora o token SOL tenha caído 2,4%, para cerca de US$ 104. Investidores ainda aguardam a divulgação dos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos, programada para mais tarde no dia.
Posicionamento em derivativos
O volume negociado em derivativos de criptomoedas saltou 19%, para US$ 226,6 bilhões, mesmo com o interesse em aberto recuando 2,46%, para US$ 141,8 bilhões, e as liquidações subindo 52%, para US$ 431,1 milhões. Segundo a CoinDesk, o padrão indica que os traders estavam majoritariamente encerrando posições, não abrindo novas apostas — e, como posições compradas e vendidas ficaram quase equilibradas, as perdas não se concentraram em um único lado do mercado.
Em bitcoin e ether, os principais ativos do setor, o volume subiu 36% e 27%, respectivamente, mas o interesse em aberto caiu em proporção parecida com a queda de preço. Isso sugere que o número de contratos mantidos variou pouco e que a redução em dólares do interesse em aberto decorreu principalmente da desvalorização dos preços. O financiamento (funding) segue apenas levemente positivo, sem indícios de aposta concentrada em alta ou baixa.
Já em altcoins como ZEC, NEAR, UNI, LINK e SUI, o interesse em aberto recuou com velocidade muito maior que o preço, segundo a análise. O caso mais evidente é o do zcash, cujo interesse em aberto caiu 6,99% enquanto o preço cedeu 2,34%. O near protocol (-8,83%) e o uniswap (-10,17%) mostraram padrão semelhante, o que, segundo a CoinDesk, sugere encerramento de posições compradas em vez de resistência à queda.
Na direção oposta, contratos perpétuos de commodities atraíram capital enquanto o dinheiro saía de cripto. O interesse em aberto do ouro subiu 12% mesmo com o preço em leve queda, o que implica alta de cerca de 13% no número de contratos. O ouro tokenizado (XAUT) avançou 10% e a prata, 6,8%, no mesmo indicador. A CoinDesk observa que interesse em aberto crescente com preço em queda costuma indicar aumento de posições vendidas ou compradores aproveitando a baixa para entrar, mesmo pagando para manter a posição. No petróleo, o interesse em aberto subiu 6,29%, com funding negativo de -0,0126%, o que mostra que posições vendidas estão pagando para permanecer no mercado.
O indicador de fluxo de ordens a mercado ajustado pelo interesse em aberto (CVD normalizado) também mudou de sinal. Havia predominância de compras a mercado há cerca de 24 horas, com pico durante a madrugada, mas o quadro se inverteu pela manhã, quando vendas a mercado passaram a dominar na maioria dos principais tokens, incluindo bitcoin e ether.
Um destaque isolado apareceu no mapa de taxas de financiamento: o monero (XMR) opera com funding anualizado próximo de 70%, muito acima de qualquer outro ativo. Segundo a CoinDesk, isso mostra que posições compradas estão pagando um prêmio elevado para se manter no mercado — um sinal de alavancagem que o próprio veículo já havia identificado na quarta-feira e que se mantém como o principal ponto de atenção para um eventual evento de liquidação caso o preço se reverta.
Os indicadores de volatilidade implícita seguem próximos das mínimas do ano. O BVIV do bitcoin e o EVIV do ether estão pouco acima das mínimas de 2026, sinalizando que os operadores de opções não estão pagando por grandes oscilações de preço, o que aponta para um mercado relativamente calmo apesar da queda à vista.
Na Deribit, as opções de compra dominaram o volume negociado: os contratos de US$ 85 mil e US$ 86 mil com vencimento em 30 de outubro foram as apostas mais negociadas nas últimas 24 horas. Ainda assim, os prêmios de curto prazo seguem favorecendo opções de venda, o que torna a proteção contra queda mais cara que as apostas de alta — um padrão que, segundo a CoinDesk, indica que os investidores querem surfar uma eventual recuperação sem abrir mão de suas proteções. As opções de ether mostraram comportamento semelhante.
Movimento nos tokens individuais
As moedas de privacidade tiveram trajetórias opostas nesta quinta-feira. O monero avançou 4,9%, para cerca de US$ 651, um dos cinco componentes do CoinDesk 100 (CD100) em alta desde a meia-noite, acumulando cerca de 19% de ganho no mês — com interesse em aberto em futuros superando US$ 300 milhões nesta semana, perto do recorde de janeiro, segundo a SoSoValue. Já o zcash recuou 4,8%, para cerca de US$ 1.252.
O setor DeFi liderou as perdas do dia. O curve caiu 8,2%, para 37 centavos de dólar, embora ainda acumule alta de cerca de 4% na semana. O ethena recuou 7,2%, ampliando para cerca de 25% a queda do mês desde o pico de final de setembro. O uniswap cedeu 5%, ficando com perda de cerca de 20% em outubro apesar da receita recorde em taxas registrada em setembro, segundo dados da Token Terminal citados pela CoinDesk.
O celestia recuou 3,7%, levando a queda da semana a 9% e reduzindo o ganho mensal para cerca de 31%, véspera de um desbloqueio de 5,58 milhões de tokens TIA previsto para 31 de outubro. O layerzero perdeu 4,2% e o worldcoin, token de identidade por escaneamento de íris, caiu 7,3%.
O sandbox e o starknet recuaram 5,1% e 6,1%, respectivamente. O sandbox havia subido após as corretoras sul-coreanas Upbit, Bithumb e Coinone retirarem alertas de negociação sobre o token, enquanto o starknet havia avançado após a rede sinalizar que estuda se tornar resistente a computação quântica em sua camada 1. Já o pump.fun, token da plataforma de lançamento de memecoins na Solana, caiu 6,0% e segue com perda de cerca de 19% no mês.
O que isso significa para o investidor
A combinação de dúvidas sobre gastos em inteligência artificial, queda generalizada em bolsas asiáticas e recuo mais acentuado em DeFi reforça um padrão que a cobertura do AAR News já havia identificado: o bitcoin segue oscilando junto com ativos de risco tradicionais, e os tokens de menor capitalização amplificam esses movimentos. Na matéria de 22 de outubro, o AAR já mostrava a dominância do bitcoin subindo para 60% em meio a fluxos instáveis de ETFs — cenário que ganha reforço agora com a saída de posições compradas em altcoins como ZEC, NEAR e UNI, segundo os dados de derivativos da CoinDesk.
Para quem acompanha o mercado à vista, vale notar a divergência entre a volatilidade implícita baixa — próxima das mínimas de 2026 — e o apetite por opções de compra de curto prazo na Deribit, mirando níveis de US$ 85 mil e US$ 86 mil. Isso sugere que parte dos investidores aposta em uma recuperação rápida, mas sem abandonar proteções contra nova queda, o que tende a manter o mercado sensível a qualquer notícia adicional sobre o setor de tecnologia.
O funding anormalmente elevado do monero, próximo de 70% ao ano, é o ponto de atenção mais concreto no curto prazo: alavancagem concentrada costuma preceder liquidações bruscas caso o preço perca força, como o próprio AAR já havia sinalizado em cobertura anterior sobre o acúmulo de posições na criptomoeda. Segundo o scanner da TradingView em 22 de outubro às 21h01 (BRT), o bitcoin era cotado a US$ 81.258,11, com variação de -0,13% no dia, e o ether a US$ 2.384,15, com -0,14% — níveis próximos aos atuais, o que indica que o mercado segue em compasso de espera por um catalisador mais claro antes de retomar direção.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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