O mercado de criptomoedas operou em queda generalizada neste sábado, com o bitcoin recuando ao nível mais fraco em mais de um mês. O movimento acompanha o avanço da tensão geopolítica no Oriente Médio, que levou Washington a acelerar a retirada de pessoal diplomático e militar da região.
Segundo reportagem do Wall Street Journal, os Estados Unidos estão evacuando rapidamente funcionários de embaixadas e bases militares em diversos pontos do Oriente Médio, diante de inteligência que aponta preparativos do Irã para ataques contra americanos.
Em memorando enviado na sexta-feira ao secretário de Estado Marco Rubio, o diretor de inteligência nacional, Jay Clayton, escreveu que o Irã "aumentou substancialmente os esforços para atingir pessoal dos EUA" e que os planos contra cidadãos americanos "atingiram estágios avançados tanto no Oriente Médio quanto em outros países".
As evacuações relatadas agora vão além do que havia sido informado nos dias anteriores, quando os EUA já haviam orientado parte do staff diplomático na Arábia Saudita a deixar o país.
Trump sinaliza nova escalada após eleições de meio de mandato
O presidente Donald Trump voltou a ameaçar uma reescalada do conflito com o Irã, mas apenas após as eleições de meio de mandato, em novembro. Em comício na Flórida na sexta-feira, Trump afirmou que os EUA "podem fazer outra pequena 'Epic Fury'", referência a uma operação militar anterior.
Criptomoedas em mínimas de semanas
Com o aumento da aversão a risco, o bitcoin chegou a cair 2,2% em 24 horas, para US$ 79.700. Ether, XRP e solana também recuaram, com perdas na faixa de 3% a 4% no mesmo período, segundo o levantamento da reportagem.
O que isso significa para o investidor
O recuo do bitcoin para a casa dos US$ 79.700 ocorre num momento em que a moeda já vinha concentrando atenção do mercado cripto: cobertura recente da AAR News mostrou a dominância do bitcoin alcançando 60% em 22/10/2026, maior patamar desde maio, enquanto altcoins menores perdiam espaço em meio a fluxos instáveis de ETFs. O episódio de tensão geopolítica reforça esse padrão, já que ativos de maior liquidez tendem a concentrar fluxos em momentos de aversão a risco, enquanto o restante do mercado cripto sofre quedas proporcionalmente maiores.
Também vale observar o pano de fundo corporativo: a Strategy, maior acumuladora pública de bitcoin, estava, segundo cobertura da AAR News de 19/10/2026, próxima de confirmar um golden cross em suas ações. Um cenário de maior volatilidade geopolítica pode interferir tanto na trajetória do ativo quanto na percepção de risco sobre empresas com exposição concentrada em bitcoin.
Para referência de preço, o scanner da TradingView registrava o bitcoin em US$ 80.301,14 às 15h12 (horário de Brasília) do dia 24/10/2026, com queda de 0,97% no dia — nível próximo ao relatado após o episódio de evacuações, o que sugere que o mercado ainda processava a notícia sem uma recuperação consistente até aquele momento.
O investidor deve acompanhar o desdobramento das tensões no Oriente Médio e eventuais sinalizações adicionais de Washington sobre uma escalada militar, já mencionada por Trump como possível após as eleições de novembro. Esses fatores têm potencial de manter a volatilidade elevada tanto no bitcoin quanto em ativos de risco de forma mais ampla, o que reforça a importância de observar dados de fluxo de ETFs e o comportamento da dominância do bitcoin nas próximas semanas.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
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