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Binance tenta recuperar US$ 6,3 bi roubados em hack ligado à Coreia do Norte

Exchange diz ter recuperado US$ 3 bi dos ativos digitais furtados, mas parte ainda está em posse de hackers não identificados, segundo a BBC

Binance tenta recuperar US$ 6,3 bi roubados em hack ligado à Coreia do Norte
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A Binance, uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo, afirmou ter recuperado cerca de US$ 3 bilhões de um total de US$ 6,3 bilhões roubados em um ataque hacker, mas uma parcela significativa dos ativos segue em poder de invasores não identificados, segundo reportagem da BBC.

A empresa inicialmente atribuiu a invasão ao comprometimento do laptop de um engenheiro, o que teria permitido saques não autorizados, mas depois reconheceu que o ataque foi mais amplo do que se pensava inicialmente.

Ataque ligado à Coreia do Norte

Diversas firmas de análise de blockchain associaram o episódio a uma unidade de hackers norte-coreana. O caso supera em volume o roubo de US$ 1,5 bilhão sofrido pela exchange Bybit em 2025, que também havia sido atribuído a agentes ligados a Pyongyang, segundo a BBC.

A empresa de investigações baseada em inteligência artificial TRM Labs afirmou que vários elementos do ataque à Binance se assemelham a incidentes anteriores ligados à Coreia do Norte, incluindo o próprio caso Bybit. Já a firma de análise cripto Chainalysis disse ter "alta confiança" de que um agente norte-coreano está envolvido no ataque.

Segundo a reportagem, nos últimos cinco anos a indústria de criptomoedas tem sofrido perdas expressivas provocadas por hackers, e em quase todos os casos as investigações apontaram para criminosos cibernéticos associados ao chamado Lazarus Group, também conhecido como TraderTraitor — nomes usados para designar grupos de hackers acusados de atuar diretamente a serviço do regime norte-coreano.

A Coreia do Norte é descrita como um país pobre, com pouca atividade industrial própria e sob pesadas sanções internacionais, e especialistas citados pela BBC afirmam que o regime recorre ao crime cibernético como forma de obter recursos financeiros. Pyongyang sempre negou qualquer envolvimento, mas o conjunto de evidências de análise de fluxo de criptoativos e relatos de desertores é considerado consistente pelos investigadores, que apontam o país como um caso raro de nação que recorre a hackers para arrecadar fundos públicos.

Investigação e resposta das autoridades

O Serviço Secreto dos Estados Unidos (US Secret Service) declarou estar trabalhando continuamente para identificar, congelar, rastrear e recuperar os fundos roubados. A agência, principal órgão federal americano para investigação de crimes financeiros, afirmou ainda que pretende identificar os responsáveis pelo crime cibernético e levá-los à Justiça. A Binance disse estar colaborando também com o FBI nas apurações.

Embora a Binance tenha afirmado que sua plataforma voltada ao público americano não foi afetada, os Estados Unidos ainda têm jurisdição para investigar o caso e auxiliar no rastreamento dos fundos desviados, esforço que costuma exigir cooperação entre autoridades de diferentes países. O ataque também envolveu ativos vinculados aos EUA, como as stablecoins Tether e Circle — criptomoedas atreladas ao valor do dólar.

A resposta da Binance aos usuários

A Binance comunicou a seus usuários que o dinheiro deles está seguro e que a empresa está cobrindo cada perda registrada no episódio. A corretora chegou a suspender temporariamente todos os depósitos e saques na plataforma, mas posteriormente informou, em atualização, que os depósitos voltaram a funcionar normalmente.

O co-CEO da Binance, Richard Teng, declarou que o ataque não foi executado por uma única pessoa. Segundo ele, a investigação inicial sugeria que o incidente de segurança poderia ter envolvido um laptop comprometido, mas apurações subsequentes revelaram pontos adicionais de violação. Teng descreveu ainda que os invasores utilizaram um mecanismo de autodestruição capaz de apagar ferramentas e rastros à medida que agiam, dificultando o trabalho de rastreamento e investigação da empresa.

Em atualização posterior, a Binance afirmou ter destinado recursos próprios da companhia para cobrir os ativos roubados e disse estar comprando ativamente uma série de tokens de criptomoedas no mercado.

Reação do mercado

O episódio abalou os mercados de criptomoedas na sexta-feira. Segundo a BBC, o preço do Bitcoin recuou 5%, para US$ 76.800, durante o pregão da tarde em Nova York. As ações da Coinbase caíram 12%, em meio à reação dos investidores também aos resultados trimestrais da corretora, que reportou receita ligeiramente abaixo do esperado pelo mercado. Os papéis da Robinhood, empresa de serviços financeiros que também opera com criptoativos, recuaram 7,8%.

A Binance, fundada na China em 2017, permite a negociação de ativos digitais e é estimada em mais de 300 milhões de usuários registrados em todo o mundo. Em 2024, a empresa afirmou deter mais de US$ 160 bilhões em ativos sob custódia.

Dúvidas sobre a capacidade de cobertura

Parte do temor entre usuários da Binance e do setor cripto em geral é se a empresa terá, de fato, capacidade de arcar com uma perda financeira dessa magnitude. A companhia tem repetido que os fundos dos clientes serão cobertos e que possui solidez suficiente para enfrentar a crise.

Observadores do histórico do setor cripto, no entanto, têm notado nas redes que esse tipo de discurso é semelhante ao que o ex-CEO da FTX, Sam Bankman-Fried, usou antes do colapso de sua exchange em 2022, episódio que gerou perdas significativas para clientes e para a indústria como um todo.

Diversos especialistas alertaram os usuários a não tratarem a promessa da Binance de cobrir as perdas como algo juridicamente garantido, afirmando que pode ser necessário recorrer à Justiça para reaver os valores. Daniel Tunkel, do escritório de advocacia londrino Edwin Coe, disse que tudo dependerá do que foi efetivamente prometido aos clientes em contrato, e de onde a Binance pode ser processada em caso de descumprimento. A corretora já foi alvo de escrutínio regulatório em diversos países, segundo a BBC.

O que isso significa para o investidor

O episódio reacende, para quem investe em criptoativos, a discussão sobre o risco de concentrar recursos em exchanges centralizadas. Como já destacou cobertura do AAR News, o próprio caso levou especialistas ouvidos pela CNBC a questionarem se manter fundos em corretoras é a melhor estratégia, especialmente após o ataque também ter atingido a plataforma Polymarket.

O desfecho financeiro do episódio ainda é incerto. Segundo apuração publicada pelo AAR News em 1º de novembro de 2026, a Binance já havia coberto a maior parte das perdas e o FBI apontava a Coreia do Norte como responsável pelo ataque — mas a capacidade da exchange de honrar integralmente seus compromissos com os usuários seguirá sendo testada enquanto parte dos fundos permanecer em posse dos invasores.

Para o investidor, vale acompanhar três frentes: o ritmo de recuperação dos ativos ainda em posse dos hackers, eventuais movimentos regulatórios sobre a Binance em diferentes jurisdições e a reação de preço de ativos como o Bitcoin, que, segundo dados do scanner TradingView referentes a 1º de novembro de 2026, às 16h44 (horário de Brasília), era cotado a US$ 77.685,72, com alta de 0,29% no dia — nível que sugere estabilização parcial do mercado após o choque inicial provocado pelo hack.

Episódios como este reforçam a importância de diversificação entre custódia própria e custódia em exchanges, além de atenção redobrada a termos contratuais de corretoras que prometem cobrir perdas em caso de ataque, já que, como lembram advogados ouvidos pela BBC, tais promessas nem sempre têm força jurídica automática.

Agregado por AAR News · fonte: BBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos