A Binance divulgou os primeiros resultados da investigação interna sobre o roubo recorde de US$ 6,3 bilhões sofrido pela exchange, segundo apuração da BBC. A empresa, que opera a maior corretora de criptomoedas do mundo, afirma que os invasores obtiveram acesso aos seus sistemas por meio de uma campanha descrita como sofisticada e composta por múltiplas etapas.
Segundo a companhia, os responsáveis pelo ataque recorreram a diversas técnicas, incluindo o download de softwares maliciosos, para comprometer computadores de engenheiros da Binance e assumir controle de ferramentas usadas para esvaziar carteiras com bilhões de dólares em criptoativos.
A Binance classificou o episódio como um incidente de segurança grave e altamente sofisticado e pediu desculpas publicamente, afirmando que aquilo não deveria ter acontecido, de acordo com a BBC.
Entrevistas de emprego como isca
Em publicação na plataforma X, a Binance disse que os hackers miraram seus engenheiros usando técnicas de engenharia social, método que consiste em enganar pessoas para que revelem dados sensíveis ou pessoais, posteriormente usados para tentar acessar contas e sistemas.
A exchange relatou que um de seus engenheiros foi contatado por meio de uma plataforma legítima de busca de emprego e convidado para entrevistas fraudulentas, conduzidas por supostos representantes de empresas, segundo a BBC.
De acordo com a Binance, os responsáveis pelo golpe utilizaram métodos descritos como mais avançados e enganosos para construir confiança com o profissional, inclusive compartilhando perfis em redes sociais que continham imagens pessoais.
O engenheiro teria sido instruído a baixar um arquivo apresentado como uma tarefa durante uma segunda etapa de entrevista. Esse arquivo continha código malicioso com técnicas de ofuscação capazes de driblar sistemas de detecção, segundo a empresa.
A Binance afirma que, a partir do computador comprometido desse funcionário, os invasores também se aproveitaram de uma ferramenta interna de inteligência artificial comprometida, em outubro, para tomar controle dos notebooks de outros dois engenheiros e dar sequência às próximas fases do ataque.
Saques suspensos e reposição de fundos
O incidente levou a Binance a suspender saques de clientes em todo o mundo, impedindo que usuários retirassem seus criptoativos da plataforma até a normalização do serviço, retomada em um domingo, conforme relatado pela BBC.
A empresa afirmou ter pedido desculpas pela preocupação, pela interrupção e pela incerteza causadas a usuários, parceiros e ao setor como um todo.
Segundo a Binance, a companhia adotou uma série de medidas após o ataque, incluindo cooperação com autoridades policiais para rastrear e congelar ativos afetados.
A exchange informou ainda ter reservado mais de 100% dos recursos necessários para cobrir o prejuízo, destacando que 98% dos ativos em tokens atingidos já haviam sido repostos até o sábado anterior à divulgação.
Suspeita de envolvimento da Coreia do Norte
Agências de segurança dos Estados Unidos, incluindo o FBI e o Secret Service, têm auxiliado a Binance a rastrear os criptoativos retirados das carteiras da própria plataforma, segundo a BBC.
Essas agências, junto a analistas de cibersegurança, afirmaram que o ataque — assim como outras invasões semelhantes no passado — apresenta características associadas à Coreia do Norte.
Kim Yo Jong, alta funcionária da República Popular Democrática da Coreia e irmã do líder Kim Jong Un, classificou as acusações como mais uma tentativa sinistra dos Estados Unidos de prejudicar a imagem pública do país, segundo a reportagem.
A Coreia do Norte tem negado sistematicamente qualquer envolvimento em diversos ataques cibernéticos de grande escala atribuídos ao país nos últimos anos.
A BBC relata que, até então, a Binance não havia respondido a questionamentos sobre a suposta participação norte-coreana no episódio. Na terça-feira, porém, a empresa afirmou em publicação no X que as informações mais recentes divulgadas pelo FBI indicam que a República Popular Democrática da Coreia é responsável pelo incidente.
Como parte das medidas de segurança adotadas após o ataque, a Binance disse que pretende ampliar investimentos em ferramentas de inteligência artificial voltadas à detecção de ameaças, além de contratar especialistas externos em cibersegurança para conduzir uma revisão completa do incidente.
A companhia afirmou também que buscará criar um fundo de pesquisa em segurança e trabalhar com empresas líderes em IA e cibersegurança em iniciativas direcionadas.
O que isso significa para o investidor
O caso se soma a uma sequência de eventos que já vinha sendo acompanhada pelo AAR News: em 1º de novembro de 2026, a própria Binance informava ter recuperado US$ 3 bilhões dos ativos furtados, com parte ainda em posse de hackers não identificados. Pouco depois, em 2 de novembro, a exchange brasileira Mercado Bitcoin suspendeu saques após a drenagem de US$ 40 milhões em carteiras em pelo menos dez blockchains, episódio associado à onda de instabilidade gerada pelo ataque original.
Para quem investe em criptoativos, o episódio reforça um ponto estrutural: falhas de segurança não ficam contidas em uma única exchange. O efeito de contágio observado no Mercado Bitcoin dias após o ataque à Binance mostra que incidentes dessa magnitude podem gerar ondas de desconfiança e movimentos defensivos em outras plataformas, independentemente de vínculo direto entre os ataques.
A reposição de 98% dos ativos afetados e a reserva de mais de 100% dos fundos necessários, segundo dados divulgados pela própria Binance, tendem a ser fatores que a exchange usará para tentar conter danos reputacionais. Ainda assim, o uso de engenharia social sofisticada — com perfis falsos e processos de entrevista fraudulentos — expõe uma camada de risco que vai além de falhas puramente técnicas, atingindo diretamente a gestão de pessoas e processos internos das plataformas.
Investidores que mantêm posições em exchanges centralizadas devem acompanhar os desdobramentos da investigação conduzida com FBI e Secret Service, bem como eventuais novas medidas de segurança anunciadas pela Binance, como o fundo de pesquisa em segurança e a parceria com empresas de IA. A atribuição do ataque à Coreia do Norte, se confirmada de forma mais ampla, também pode influenciar discussões regulatórias sobre segurança em exchanges de criptoativos nos próximos meses.
Agregado por AAR News · fonte: BBC
Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos
