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Bermuda prepara emissão de 'cat bonds' tokenizados para 2027

Harneys e dropRWA querem usar blockchain para ampliar acesso a títulos que financiam riscos de catástrofes naturais, segundo o CoinDesk

Flooding. Natural disasters. Catastrophe. (Chris Gallagher/Unsplash)
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O mercado de títulos ligados a catástrofes naturais ganha um capítulo digital. Segundo reportagem do CoinDesk, o escritório de advocacia Harneys, sediado nas Bermudas e especializado em seguros globais, e a plataforma de tokenização dropRWA planejam lançar no início de 2027 versões tokenizadas dos chamados cat bonds, instrumentos usados por seguradoras para transferir riscos de desastres a investidores de mercado de capitais.

A proposta nasce em meio a um descompasso crescente entre perdas causadas por eventos climáticos e a cobertura oferecida pelo setor segurador. De acordo com dados da Swiss Re citados pela reportagem, desastres naturais causaram US$ 220 bilhões em perdas econômicas no último ano, mas apenas US$ 107 bilhões foram cobertos por seguros — o restante recaiu sobre famílias, empresas e governos.

Mercado de cat bonds bate recorde de emissões

Apesar da lacuna de cobertura, o apetite por esse tipo de ativo não parou de crescer. O volume em aberto de cat bonds somava US$ 65,6 bilhões em junho, e as novas emissões no segundo trimestre alcançaram US$ 11,3 bilhões, o maior total trimestral já registrado, segundo relatório da Artemis mencionado pelo CoinDesk.

Ainda assim, grande parte das perdas provocadas por enchentes, tufões e incêndios florestais segue sem cobertura. Na região da Ásia-Pacífico, 91% das perdas por desastres em 2023 não estavam seguradas, de acordo com dados da OCDE citados na reportagem. A organização aponta que a escassez de dados históricos de sinistros e a limitação dos modelos de catástrofe dificultam a precificação de riscos, sobretudo em áreas mais expostas.

Tokens como registro de propriedade legal

No desenho proposto por Harneys e dropRWA, cada token representaria a propriedade legal de uma fração do título de catástrofe, segundo o CoinDesk. A iniciativa se apoia num mercado tradicionalmente restrito a fundos especializados e grandes instituições, já que muitas ofertas de cat bonds exigem investimentos mínimos de US$ 250 mil ou mais. As duas empresas avaliam uma estrutura capaz de comportar participações menores, mas que continuaria sujeita às regras de valores mobiliários, de seguros e de proteção ao investidor.

Henry Tucker, executivo-chefe do grupo especializado em seguros Hearns, afirmou ao CoinDesk que a tokenização não transforma a cobertura de desastres em um investimento de varejo casual, já que o capital arrecadado fica integralmente comprometido com um risco segurador definido. Em suas palavras, reproduzidas pela reportagem, o investidor "não está comprando o direito de receber de alguém que apostou do lado oposto num cassino".

Tucker citou coberturas contra enchentes e proteção contra tufões no Sudeste Asiático como exemplos de riscos de difícil colocação junto a resseguradoras convencionais, especialmente quando os dados de sinistros são escassos ou as estimativas de perdas são incertas. Segundo ele, uma seguradora especializada poderia usar uma estrutura tokenizada para captar capital voltado a um risco único e definido, deixando claras as premissas e o retorno oferecido aos investidores.

Precedente no Caribe mostra uso de cat bonds em políticas públicas

A reportagem lembra que já existe um precedente concreto de uso de cat bonds para financiar proteção pública contra desastres. O Banco Mundial organizou, em maio, US$ 200 milhões em cobertura contra furacões para a Jamaica, substituindo uma transação anterior que havia pago indenização após o furacão Melissa, em 2025. A ministra das Finanças da Jamaica, Fayval Williams, chamou os cat bonds de "uma peça importante para garantir acesso ao mercado de capitais" dentro da estratégia de resiliência do país, segundo citação reproduzida pelo CoinDesk.

Tucker ponderou, ainda segundo a reportagem, que a tokenização não torna um furacão, uma enchente ou um incêndio florestal mais barato, nem garante seguros mais acessíveis para quem vive em áreas de risco. O argumento das empresas é que o token, atuando como registro de propriedade legal combinado a unidades de participação menores, pode atrair mais investidores para um mercado desenhado para absorver perdas extremas.

O que isso significa para o investidor

Para quem acompanha o mercado brasileiro e latino-americano de ativos alternativos, a iniciativa de Harneys e dropRWA é um sinal de que a tokenização de instrumentos de seguro-risco segue avançando como fronteira de diversificação, ainda que restrita a perfis de maior tolerância a risco e capital comprometido com eventos de cauda. A fração de propriedade menor pode, em tese, abrir espaço para veículos de investimento que hoje ficam de fora desse mercado por causa dos tíquetes mínimos elevados, mas isso não altera a natureza do produto: o capital aportado está exposto a perdas totais em caso de sinistro coberto.

Vale observar que a estrutura ainda depende de aprovação regulatória e segue sujeita a regras de valores mobiliários e de proteção ao investidor nas jurisdições envolvidas — um processo que pode se estender além do cronograma de início de 2027 mencionado pela reportagem. Investidores institucionais com apetite por cat bonds tradicionais devem acompanhar se a versão tokenizada efetivamente amplia a liquidez e o acesso, ou se permanece, na prática, restrita a um público qualificado.

O episódio também reforça um ponto estrutural destacado pela OCDE e pela Swiss Re na reportagem: a lacuna entre perdas econômicas e cobertura de seguros é maior em regiões como a Ásia-Pacífico, onde a escassez de dados dificulta a precificação de risco. Para gestores de recursos e famílias de alta renda interessados em exposição a riscos climáticos como classe de ativo, o desenvolvimento desse mercado tokenizado é um vetor a monitorar, mas não substitui a análise criteriosa de cada emissão específica, suas premissas de perda e o risco real de perda total de capital.

Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos