O temor em torno da corrida por inteligência artificial e a pressão adicional sobre os preços do petróleo têm pesado sobre os mercados globais nas últimas semanas. Mesmo nesse cenário mais turbulento, segundo levantamento da CNBC, alguns papéis continuam despertando otimismo entre analistas bem avaliados por seu histórico de acertos.
A reportagem da CNBC cita três nomes acompanhados de perto por profissionais de alto desempenho segundo a plataforma TipRanks, que ranqueia analistas com base em seus resultados pregressos: a seguradora de saúde UnitedHealth, a controladora de redes sociais Meta Platforms e a fabricante de semicondutores Marvell Technology. A ideia, segundo a publicação, é que investidores com horizonte de longo prazo consigam atravessar a volatilidade de curto prazo observando essas recomendações.
UnitedHealth: turnaround ganha tração após balanço
A UnitedHealth apresentou resultados do terceiro trimestre de 2026 acima do esperado pelo mercado, de acordo com a CNBC. A empresa também elevou sua projeção de lucro para o ano cheio, movimento que, segundo a reportagem, reflete avanço contínuo em seu plano de recuperação operacional.
Após a divulgação do balanço, a analista Erin Wright, do Morgan Stanley, reiterou recomendação de compra para as ações UNH, com preço-alvo de US$ 529. Segundo ela, o resultado acima do esperado combinado com a elevação da projeção reforça o momentum de recuperação da empresa, com melhora nas frentes de Medicare Advantage e Optum Health sustentando uma base mais alta de lucro por ação para 2026 e espaço para superar o consenso em 2027.
Wright, classificada com cinco estrelas pela TipRanks, destacou que o desempenho acima do esperado nos negócios de UnitedHealthcare e Optum Health sustentou nova elevação da projeção de lucro por ação ajustado para pelo menos US$ 20,50 em 2026. A analista observou que a companhia elevou essa projeção mesmo diante de investimentos adicionais planejados para o quarto trimestre de 2026.
A analista também apontou que, segundo a própria administração da UnitedHealth, o consenso de mercado para o lucro por ação de 2027, de US$ 22,63, é conservador demais. Caso a empresa atinja apenas a ponta mais baixa de sua meta de crescimento de lucro por ação de longo prazo, entre 13% e 16%, o resultado implicaria um lucro por ação de US$ 23,17.
Com base nesses fatores, Wright elevou sua própria estimativa de lucro por ação de 2026 para US$ 20,65, ante US$ 19,82 anteriormente, e a de 2027 para US$ 23,24, ante US$ 22,54. A revisão reflete tanto a melhora recente nos números quanto a expectativa de redução no índice de sinistralidade médica (medical loss ratio) para 87,4% em 2026, ante 88,1% projetados antes. A analista afirma que o desempenho operacional da UnitedHealth segue melhorando, o que aumenta sua confiança na execução da estratégia da UnitedHealthcare e na recuperação da Optum Health.
Segundo a TipRanks, Wright ocupa a posição 264 entre mais de 12.500 analistas monitorados pela plataforma, com recomendações bem-sucedidas em 64% dos casos e retorno médio de 15%.
Meta Platforms: expectativa em torno do agente de IA Muse
A Meta Platforms tem chamado atenção desde o lançamento de seu agente de inteligência artificial Muse, que vem registrando tração relevante, segundo a CNBC. O mercado aguarda atualizações sobre a estratégia de IA da companhia quando ela divulgar os resultados do terceiro trimestre, em 21 de outubro.
Antes da divulgação do balanço, o analista Michael Morris, do Guggenheim, manteve recomendação de compra para as ações da Meta e elevou seu preço-alvo de US$ 700 para US$ 850, refletindo estimativas mais altas para 2027. Segundo ele, o ritmo de uso do Muse e os níveis de engajamento devem moldar o sentimento dos investidores até a teleconferência de resultados do terceiro trimestre.
Morris destacou, com base em dados da Apptopia, que o Muse atingiu 1,3 milhão de usuários ativos diários em cinco semanas, ante 300 mil na primeira semana de lançamento. Como essa adoção ainda representa menos de 0,05% da base total de 3,6 bilhões de usuários ativos diários da Meta, o analista espera que a administração priorize o aumento de uso da ferramenta em vez da monetização no curto prazo.
Segundo o analista, classificado com cinco estrelas pela TipRanks, a expectativa é que, ao longo do tempo, o Muse gere receita principalmente por meio de empresas que paguem para alcançar consumidores através de seus agentes, em linha com a lógica do negócio central de publicidade da Meta, e não diretamente via gastos dos consumidores. Ele acrescentou que as integrações de checkout com Shopify e PayPal já refletem essa estrutura de monetização.
Morris reconhece preocupações de que um concorrente possa superar o Muse, ou mesmo a recém-lançada versão Muse Wonder, e levar a Meta a um ciclo prolongado de investimentos excessivos. Ainda assim, ele mantém uma visão otimista, apoiado no histórico da empresa ao escalar o WhatsApp e competir de forma consistente com o TikTok por meio do Reels, além da capacidade de distribuição gratuita para uma base extensa de usuários.
De acordo com a TipRanks, Morris ocupa a posição 629 entre mais de 12.500 analistas monitorados, com índice de acerto de 57% e retorno médio de 13,2%.
Marvell Technology: mercado endereçável ampliado após Investor Day
A terceira empresa citada pela CNBC é a fabricante de semicondutores Marvell Technology. No início deste mês, a companhia realizou seu Investor Day, ocasião em que elevou sua estimativa de mercado total endereçável para US$ 400 bilhões até 2030, refletindo a força da demanda ligada à inteligência artificial.
Após conduzir um roadshow não vinculado a operações com a alta liderança da Marvell na sequência do Investor Day, o analista Tore Svanberg, da Stifel, reiterou recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de US$ 370.
Segundo o analista, classificado com cinco estrelas pela TipRanks, um dos principais focos das conversas foi o mix entre os negócios de XPU e XPU Attach, à medida que a divisão de produtos sob medida (Custom) da Marvell avança rumo à meta de receita de US$ 30 bilhões no ano fiscal de 2031. A administração reiterou expectativa de equilíbrio entre as receitas de XPU e XPU Attach nesse horizonte, embora tenha ponderado que qualquer um dos dois segmentos possa crescer rápido o suficiente para deslocar essa proporção para 60/40 ou 40/60.
Svanberg observou que, no ano fiscal de 2026, o segmento XPU respondeu pela maior parte dos quase US$ 1,5 bilhão em receita da divisão Custom, mas projeta crescimento substancial do negócio de XPU Attach até o fim da década, o que levaria a um mix mais equilibrado. Durante o Investor Day, a Marvell elevou sua meta de receita da divisão Custom para o ano fiscal de 2029 de mais de US$ 10 bilhões para mais de US$ 12 bilhões, impulsionada principalmente pela força esperada no negócio de XPU Attach.
Outro ponto central do roadshow, segundo Svanberg, foi a capacidade da Marvell de garantir fornecimento suficiente para sustentar as metas revisadas. A administração relatou ter se reunido com fornecedores antes do Investor Day para apresentar seus objetivos de cinco anos e obteve compromissos de apoio a essas metas. O analista avalia que esses compromissos na cadeia de suprimentos dão à Marvell uma vantagem competitiva frente a rivais, à medida que clientes buscam parceiros confiáveis para grandes projetos de infraestrutura.
De acordo com a TipRanks, Svanberg ocupa a posição 91 entre mais de 12.500 analistas monitorados pela plataforma, com recomendações lucrativas em 58% dos casos e retorno médio de 31,8%.
O que isso significa para o investidor
As três recomendações aparecem num momento em que o AAR News já havia registrado nervosismo crescente em Wall Street: o índice VIX superou os 22 pontos pela primeira vez em quatro meses, em 16 de outubro, após uma venda generalizada em ações ligadas a IA, com volume de opções sugerindo busca por proteção para novembro. Esse pano de fundo reforça por que a CNBC trata essas três teses como recomendações para quem tem fôlego para atravessar oscilações de curto prazo, e não apostas de retorno imediato.
No caso da UnitedHealth, a elevação de guidance em meio a investimentos adicionais planejados sugere que o mercado pode estar subestimando a capacidade da empresa de sustentar crescimento de lucro mesmo sob pressão de custos médicos — algo que investidores focados no setor de saúde devem monitorar nos próximos trimestres, especialmente a evolução do índice de sinistralidade citado pela analista do Morgan Stanley.
Para a Meta, o ponto de atenção prático é a teleconferência de resultados de 21 de outubro: o ritmo de adoção do Muse, ainda marginal frente à base total de usuários da empresa, será o termômetro inicial de uma aposta que, segundo o próprio analista do Guggenheim, pode demorar para se traduzir em receita direta. Investidores devem acompanhar se a monetização seguirá o modelo publicitário tradicional da companhia, como sugerido, ou se exigirá investimentos mais pesados e prolongados.
Já a Marvell ilustra um padrão comum entre fornecedores de infraestrutura de IA: metas de receita ambiciosas dependem crucialmente de garantias de capacidade produtiva junto a fornecedores. O compromisso relatado pela administração após o Investor Day é um dado a ser monitorado nos próximos balanços, assim como a evolução do mix entre XPU e XPU Attach, que pode alterar a composição de receita da divisão Custom nos próximos anos.
Agregado por AAR News · fonte: CNBC
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