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AMD dispara 8% após lucro superar projeções e receita de data center quase dobrar

Fabricante de chips reporta alta de 45% na receita no terceiro trimestre e eleva projeções com expansão da demanda por IA, segundo a CNBC

AMD dispara 8% após lucro superar projeções e receita de data center quase dobrar
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A Advanced Micro Devices (AMD) divulgou nesta terça-feira resultados do terceiro trimestre que superaram as expectativas do mercado, com receita total crescendo 45% e vendas da divisão de data center praticamente dobrando na comparação anual. As ações da companhia subiram 8% no after-hours, segundo a CNBC.

Pelos números reportados pela empresa, o lucro ajustado por ação ficou em US$ 2,09, acima da estimativa de consenso da LSEG de US$ 1,95. A receita somou US$ 13,38 bilhões, também acima da projeção de US$ 13,09 bilhões, e avançou frente aos US$ 9,25 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior, de acordo com comunicado da própria AMD citado pela reportagem.

A divulgação dos resultados teve efeito imediato sobre outras empresas do setor: ações de provedoras de infraestrutura em nuvem voltadas a IA, como CoreWeave e Nebius, já haviam subido mais cedo na terça-feira e se mantiveram em alta após o balanço da AMD.

Projeções para 2027 e aceleração da demanda por IA

A CEO da AMD, Lisa Su, afirmou durante a teleconferência de resultados que espera que a receita de servidores dobre na comparação anual em 2027, com o crescimento do segmento de IA em data centers acelerando em ritmo superior ao projetado pela própria companhia 90 dias antes. Segundo Su, a divisão de data center deve responder pela maior parte do crescimento de receita e lucro da AMD daqui em diante.

"We have worked across our supply chain to secure the wafers, substrates, advanced packaging, memory, and other key components needed to support much higher growth next year", disse Su na teleconferência, segundo a CNBC, referindo-se aos esforços da empresa para garantir insumos-chave da cadeia de suprimentos diante da expectativa de crescimento mais forte no próximo ano.

O resultado da AMD veio poucos dias depois de a Intel divulgar crescimento semelhante em sua própria divisão de data center, com receita do segmento subindo 78% no terceiro trimestre. Mas a reação de mercado foi oposta: as ações da Intel caíram 29% na sexta-feira anterior, pressionadas por preocupações com uma orientação de resultados fraca e dúvidas sobre a capacidade da companhia de atender à demanda.

A divisão de data center já representa a maior parte do negócio da AMD, respondendo por 64% da receita total da companhia, ante 47% um ano antes, conforme os dados reportados.

CPUs ganham força com avanço da IA agêntica

Depois de anos correndo atrás da Nvidia no mercado de GPUs voltadas à inteligência artificial, as unidades centrais de processamento (CPUs) da AMD vivem um momento de forte retomada com a ascensão de aplicações de IA agêntica, como o Muse, da Meta. Segundo a reportagem, os CPUs de servidor da AMD são peça central para esse tipo de aplicação porque alimentam máquinas virtuais capazes de operar de forma autônoma por horas seguidas.

Essa demanda ligada à IA agêntica já havia levado as ações da AMD a uma máxima histórica em outubro. Na teleconferência com analistas, Su afirmou: "Adoption is just starting, and we expect demand to grow sharply as agents are deployed more broadly and take on more complex work".

Mercado de PCs segue em dificuldade

As ações da AMD acumulam alta de cerca de 125% no ano, mas a companhia chegou a registrar três dias consecutivos de perdas antes do movimento de recuperação desta terça-feira, em meio a uma venda generalizada no setor de tecnologia associada a temores sobre excesso de investimento em IA.

A empresa também é uma das principais players do enfraquecido mercado de computadores pessoais, fator que a Intel citou como causa de sua projeção fraca na semana anterior. AMD e Intel são as maiores fabricantes de processadores x86 tradicionais, usados em boa parte de notebooks e desktops, enquanto outros modelos de laptop recorrem a processadores baseados em arquitetura Arm, de empresas como Qualcomm e Apple.

Segundo dados da Counterpoint Research citados na reportagem, os embarques globais de PCs caíram 4% no segundo trimestre na comparação anual, pressionados pela escalada nos custos de memória e de outros componentes.

A AMD reporta as vendas de chips para PC combinadas com as de chips para games em um único segmento. Nessa divisão, a receita caiu 8% na comparação anual, para US$ 3,7 bilhões, com a receita de games recuando 40% frente ao mesmo período do ano anterior.

Projeção para o quarto trimestre e parcerias estratégicas

Para o quarto trimestre, a AMD projetou receita de cerca de US$ 17 bilhões, acima da média das estimativas de analistas de US$ 16,2 bilhões, segundo a LSEG. A companhia espera margem bruta de 55% para o período, ligeiramente abaixo da média estimada de 55,3%, segundo dados da StreetAccount citados pela reportagem.

A empresa também vende GPUs para data center e sistemas completos em escala de rack chamados Helios, que concorrem diretamente com os sistemas Grace Blackwell e Vera Rubin, da Nvidia. Segundo a CNBC, Meta, Microsoft, Anthropic, OpenAI e Oracle já começaram a usar o Helios em seus data centers. A Meta informou na semana anterior que seus racks Helios já estão em operação, e a AMD concordou em investir US$ 1 bilhão na oferta de ações da Meta.

A AMD também se comprometeu a investir até US$ 5 bilhões na Anthropic, que divulgou na semana passada seu prospecto para uma oferta inicial de ações (IPO) considerada potencialmente histórica pelo mercado.

Durante uma visita a Taiwan em outubro, Su afirmou que planeja "substantially increase our supply in 2027". A reportagem destaca que tanto Su quanto o CEO da Nvidia, Jensen Huang, fizeram diversas viagens a Taiwan e à Coreia do Sul neste ano para reuniões com fornecedores-chave, como a TSMC e as fabricantes de memória SK Hynix e Samsung.

Em setembro, a AMD anunciou a aquisição da World Labs por US$ 8,2 bilhões em uma transação totalmente em ações. A startup de IA, sediada em São Francisco e fundada pela pesquisadora Fei-Fei Li, desenvolve um chamado modelo de mundo, voltado a simular ambientes tridimensionais para auxiliar no desenvolvimento de robôs e outras aplicações de IA com interação física.

O que isso significa para o investidor

O resultado da AMD reforça a tese de que a demanda por infraestrutura de inteligência artificial segue em expansão, mesmo em meio a um cenário de maior cautela do mercado com o ritmo de investimentos do setor — fator que, segundo a própria reportagem, vinha pressionando as ações da companhia nos dias anteriores ao balanço. A reação divergente entre AMD e Intel, que também reportou forte crescimento em data center mas viu suas ações despencarem por causa da orientação fraca e de dúvidas sobre capacidade produtiva, mostra que o mercado está diferenciando empresas pela capacidade de converter demanda em execução e garantia de suprimentos, não apenas pelo crescimento isolado de receita.

A concentração crescente da receita da AMD em data center — já 64% do total — eleva a sensibilidade da ação a qualquer sinal de desaceleração nesse segmento específico, ao mesmo tempo em que reduz a exposição relativa ao mercado de PCs, que segue enfraquecido por custos mais altos de memória e outros componentes. Para quem acompanha o papel, os compromissos de investimento da AMD em clientes estratégicos, como os US$ 5 bilhões direcionados à Anthropic e o aporte de US$ 1 bilhão na oferta da Meta, também merecem atenção: são movimentos que amarram parte da receita futura a parcerias específicas, o que pode ampliar o crescimento, mas também concentra risco em poucos nomes.

Vale acompanhar, nos próximos trimestres, se a aceleração projetada por Lisa Su para a receita de servidores em 2027 se confirma e se a cadeia de suprimentos — wafers, substratos, embalagem avançada e memória, mencionados pela própria executiva — consegue sustentar o ritmo de crescimento sem gargalos, cenário que foi justamente o ponto fraco apontado pelo mercado no caso da Intel.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos