O bitcoin manteve-se praticamente estável nas últimas 24 horas, negociado perto de US$ 82.100, após recuperar-se de uma mínima intradiária próxima a US$ 81.600 por volta das 03h30 UTC, segundo dados da CoinDesk. O nível está confortavelmente acima da breve quebra abaixo de US$ 80.000 registrada na quinta-feira, a primeira em um mês.
Enquanto o bitcoin oscilou pouco, as altcoins puxaram o mercado para cima. Celestia (TIA) saltou 16%, injective (INJ) subiu 7,7% e layerzero (ZRO) avançou 7,3%, movimento que deixou mais de dois terços dos componentes do índice CoinDesk 100 (CD100) em alta, enquanto o CoinDesk 5 (CD5), mais concentrado em bitcoin, ficou estável.
No cenário macro, o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, evitou sinalizar qual será a decisão do banco central na reunião prevista para este mês, em discurso durante os encontros do FMI e do Banco Mundial em Bangcoc. Com isso, a probabilidade de uma alta de juros em outubro recuou para cerca de 15%, ante quase 30% no dia anterior, de acordo com a ferramenta CME FedWatch citada pela CoinDesk.
O ether (ETH) subiu 0,5%, para perto de US$ 2.450, e o índice CoinDesk 80 (CD80) avançou 0,46%, enquanto o CD5 permaneceu praticamente parado. Quatro em cada cinco integrantes do CD100 fecharam em alta, movimento que elevou o índice de Temporada das Altcoins da CoinMarketCap para 60, ante 50 no dia anterior.
As bolsas asiáticas se estabilizaram após a forte queda de quinta-feira: o Kospi, da Coreia do Sul, fechou em alta de 2,05% e o Nikkei japonês subiu 1,39%. Os futuros do S&P 500 ficaram praticamente estáveis, depois de o índice interromper uma sequência de três dias de perdas. Os juros dos Treasuries americanos permaneceram em grande parte estáveis, segundo a CoinDesk.
Posicionamento em derivativos
O volume de futuros de criptomoedas recuou 20% em 24 horas, para US$ 200 bilhões, enquanto o interesse em aberto (open interest) subiu 2%, para US$ 142,21 bilhões. As liquidações forçadas caíram para US$ 311 milhões, ante quase US$ 1 bilhão no dia anterior — um sinal, segundo a CoinDesk, de que o movimento de venda forçada perdeu força mesmo com posições ainda se formando.
A relação entre volumes de compra e venda agressivas (long/short taker) em 24 horas ficou equilibrada, revertendo o quadro do dia anterior, quando vendas a descoberto representavam 52% do volume. A pressão vendedora mais agressiva arrefeceu.
Os ganhos de bitcoin, ether e solana não vieram acompanhados de apostas compradoras novas relevantes. O interesse em aberto do bitcoin subiu apenas 0,3%, contra uma valorização de 1% no preço — o que indica redução no número de contratos em aberto. Ether e solana mostraram padrão semelhante, com o interesse em aberto crescendo menos que o preço à vista. Para a CoinDesk, os movimentos parecem refletir o fechamento de posições vendidas, e não a abertura de novas posições compradas.
O XRP apresentou um padrão distinto: o interesse em aberto caiu 1% enquanto o preço à vista subiu 1,4%, ou seja, contratos foram encerrados durante a alta. O delta de volume cumulativo ajustado por interesse em aberto, métrica que mede compras e vendas agressivas a preço de mercado, também ficou negativo, sugerindo que a recuperação do token teve pouco respaldo de traders de derivativos.
Já o ZEC liderou entre os tokens com novas apostas compradoras: o interesse em aberto de seus futuros saltou 14%, contra uma alta de 11,5% no preço, indicando que traders adicionaram contratos durante a subida. Seu delta de volume ajustado foi o mais positivo entre os principais ativos monitorados, sinal de que compradores dominaram as negociações. TRX, XAUT e ETH também mostraram leituras positivas, enquanto BTC ficou neutro e UNI, HBAR e XRP registraram leituras negativas.
As taxas de financiamento anualizadas (funding rates) de perpétuos para os principais tokens oscilaram entre 5% e 10%, patamar que mostra viés comprador, mas nada fora do padrão — o que, segundo a CoinDesk, indica que o mercado está longe de aquecido e ainda tem espaço para avançar.
A volatilidade implícita seguiu em queda: o índice BVIV, que mede a volatilidade implícita de 30 dias do bitcoin, recuou para 38%, ante uma máxima de 42% no dia anterior, e a volatilidade implícita do ether também caiu. Para traders de opções, isso reflete a precificação de um mercado mais calmo, em linha com o quadro de funding.
A exchange descentralizada Derive apontou um grande spread de opções de venda (put spread) de bitcoin negociado no início da semana, apostando em uma queda do preço para US$ 78.000. A opção de venda com strike em US$ 80.000 foi a mais negociada na Deribit, a maior corretora centralizada de opções, mostrando que parte dos traders ainda busca proteção contra quedas. Em ether, a opção de compra (call) com strike em US$ 2.600 foi a mais negociada nas últimas 24 horas.
Destaques entre os tokens
Celestia (TIA), token da rede modular de disponibilidade de dados, subiu 16%, para cerca de US$ 0,68 — o maior ganho do CD100 e uma máxima de 2026. O token acumula alta de cerca de 59% em quatro semanas, movimento que coincide com o desempenho da Celestia Fibre, que atingiu 3,07 terabits por segundo em um teste de capacidade, e com a proposta de uma atualização econômica chamada Sustainable Blob Economy.
Injective (INJ), token de camada 1 voltado a finanças, avançou 7,7%, para cerca de US$ 9,19. Não há, segundo a CoinDesk, uma narrativa isolada evidente por trás do movimento, mas há três pedidos pendentes de fundos negociados em bolsa (ETFs) nos Estados Unidos vinculados ao token. A CoinMarketCap registrou US$ 289,7 milhões em volume de INJ nas últimas 24 horas, alta de 128% em relação ao dia anterior.
LayerZero (ZRO), token de mensageria entre blockchains, subiu 7,3%, para cerca de US$ 2,24, estendendo um rali associado à infraestrutura de negociação ATLAS, que direciona a maior parte de suas taxas para a recompra e queima do token. Ether.fi (ETHFI), token de restaking líquido, avançou 4,2%.
Starknet (STRK) foi o pior desempenho do CD100, com queda de 9,6%, para US$ 0,08, revertendo parte do ganho de 11% registrado na quinta-feira. Stacks (STX), token de camada de staking vinculada ao bitcoin, recuou 4,2%.
Entre os ativos de maior capitalização, o desempenho foi misto a positivo: solana (SOL) subiu 1,2%, para cerca de US$ 107; XRP avançou 0,5%; e monero (XMR) ganhou 2,9%, para cerca de US$ 565, enquanto o BNB praticamente não se moveu.
O que isso significa para o investidor
O quadro descrito pela CoinDesk reforça um padrão que o AAR News já vinha observando: altcoins liderando o movimento enquanto o bitcoin permanece contido. Em cobertura anterior, o AAR registrou o CoinDesk 80 subindo cerca de 3% em 24 horas, mais do dobro do CoinDesk 5, em meio a saídas de US$ 681 milhões de ETFs de bitcoin à vista na semana — e, dias depois, uma reversão brusca, com o Kospi despencando 8% e o bitcoin recuando a pouco acima de US$ 80 mil. A rotação para altcoins específicas, como Celestia e Injective, parece responder mais a catalisadores próprios — upgrades técnicos, pedidos de ETF, mecanismos de recompra — do que a um apetite de risco generalizado.
Os dados de derivativos trazidos pela CoinDesk merecem atenção redobrada: a queda nas liquidações forçadas, de quase US$ 1 bilhão para US$ 311 milhões, sugere que o episódio recente de estresse, que o AAR também cobriu ao noticiar que o ether concentrou cerca de 60% dos fechamentos forçados entre as duas maiores criptomoedas, pode ter se esgotado. Ainda assim, o fato de ganhos em bitcoin, ether e solana não terem vindo acompanhados de novas posições compradas — e sim do fechamento de posições vendidas — indica uma recuperação tecnicamente frágil, sem convicção direcional forte por parte dos traders alavancados.
Para quem acompanha o mercado brasileiro, o silêncio de Warsh sobre os próximos passos do Fed é a variável macro mais relevante: a queda na probabilidade de alta de juros em outubro, de quase 30% para cerca de 15%, tende a favorecer ativos de risco, incluindo criptomoedas, caso se confirme. Segundo o scanner da TradingView consultado pelo AAR News em 16/10/2026, às 10h59 (horário de Brasília), o bitcoin era cotado a US$ 81.947,35, com variação de -0,23% no dia, e o ether a US$ 2.456,51, alta de 0,68% — números que mostram estabilidade compatível com o cenário de baixa volatilidade implícita descrito pela fonte.
O investidor que monitora o setor deve observar se a queda na volatilidade implícita do bitcoin e do ether se sustenta nos próximos dias, e se a concentração de ganhos em tokens específicos — como Celestia, com catalisadores técnicos próprios, e Injective, com pedidos de ETF pendentes — se traduz em fluxo mais amplo para o mercado de altcoins ou permanece restrita a casos pontuais. A combinação de funding moderado, liquidações em queda e falta de novas posições compradas sugere um momento de transição, não necessariamente de reversão de tendência.
Agregado por AAR News · fonte: CoinDesk
Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos
