As ações da Alphabet, controladora do Google, recuaram mais de 12% na quinta-feira, segundo a CNN, registrando a maior queda diária da história da companhia — um tombo mais acentuado do que qualquer sessão vivida durante a pandemia de Covid-19 ou a crise financeira de 2008.
O movimento eliminou cerca de meio trilhão de dólares em valor de mercado da empresa, o segundo maior apagão de valor em um único dia já registrado, atrás apenas do recuo de quase US$ 600 bilhões sofrido pela Nvidia no início de 2025, de acordo com a reportagem.
Gastos com IA entram na mira dos investidores
A reportagem da CNN destaca que investidores têm examinado com lupa os gastos das gigantes de tecnologia com inteligência artificial e como esses investimentos afetam o restante dos negócios. A Alphabet, segundo o veículo, tornou-se o alvo mais recente dessa desconfiança.
As maiores empresas de tecnologia do mundo vêm injetando centenas de bilhões de dólares na construção de data centers, numa corrida para garantir posição entre as vencedoras do boom de IA, conforme descreve a matéria. Wall Street, segundo a CNN, está mais cautelosa e tenta identificar quais companhias gastam de forma racional, como esses desembolsos impactam outras áreas do negócio e quem efetivamente vai se beneficiar da transformação trazida pela tecnologia.
Receita abaixo do esperado reacende temores sobre a busca
A Alphabet divulgou na quarta-feira resultados trimestrais de receita que ficaram aquém das projeções de analistas, de acordo com a CNN. O desempenho reacendeu uma preocupação antiga: se o negócio de publicidade em buscas do Google — historicamente sua principal fonte de caixa — resistirá à pressão do avanço de chatbots de IA, tanto da própria empresa quanto de concorrentes, que vêm substituindo buscas tradicionais.
Jed Ellerbroek, gestor de portfólio da Argent Capital Management, afirmou à CNN que o temor é que essa substituição ocorra "mais rápido do que o Google consegue reagir e pivotar seu negócio".
Fluxo de caixa livre negativo pela segunda vez seguida
A companhia também revelou o segundo trimestre consecutivo de fluxo de caixa livre negativo, outro indicador que preocupou o mercado, segundo a reportagem. Desde a abertura de capital em 2004 — a empresa passou a se chamar Alphabet em 2015 — o grupo nunca havia registrado um único trimestre com fluxo de caixa livre negativo antes deste ano. Um fluxo de caixa livre forte costuma ser sinal de uma companhia saudável, capaz de pagar dividendos, recomprar ações e reinvestir no próprio negócio, segundo a matéria.
A Alphabet registrou US$ 51,4 bilhões em despesas de capital apenas no terceiro trimestre, ante US$ 91,4 bilhões para todo o ano de 2025, de acordo com os números citados pela CNN. À medida que a empresa intensifica os investimentos em IA, incluindo a construção de data centers, sobra menos caixa para medidas que agradam investidores no curto prazo, como recompras de ações e dividendos.
Comparação com a Microsoft acentua o desconforto
Em contraste direto com o quadro da Alphabet, a Microsoft informou nesta semana ter gerado US$ 18,6 bilhões em fluxo de caixa livre no terceiro trimestre, mesmo mantendo gastos bilionários na expansão de infraestrutura de IA, segundo a CNN. As ações da Microsoft fecharam estáveis na quinta-feira, enquanto os papéis da Alphabet caíram mais de 12% no mesmo pregão.
Richard Reyle, diretor de investimentos da Questar Capital Partners, disse à CNN: "Estamos agora começando a ver quem está gastando de forma racional com IA e quem não está".
IPO da Anthropic não evitou a queda
A reportagem nota que pode parecer estranho que as ações de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo não estejam em alta logo após a Anthropic protocolar seu prospecto de oferta pública inicial, aguardado havia tempo. A Anthropic se comprometeu a gastar somas elevadas para alugar capacidade computacional de empresas como a Alphabet, segundo a CNN.
Mas essa promessa futura não é garantida, especialmente se a construção de data centers não seguir o planejado ou se a IA não se mostrar tão lucrativa quanto o esperado, destaca a matéria. A Alphabet pede que os investidores acreditem em sua visão para a IA e para a expansão de data centers, ao mesmo tempo em que tenta monetizar a tecnologia e demonstrar retornos sólidos.
O crescimento das divisões de computação em nuvem das grandes empresas de tecnologia é apontado pela CNN como sinal de que a demanda por IA segue robusta. Ainda assim, o mercado está em alerta para qualquer sinal de que algo possa dar errado nesse ciclo de investimentos.
Disputa por capital nos mercados de dívida
Segundo a reportagem, grandes empresas de tecnologia como a Alphabet têm recorrido a dívida e aos mercados financeiros para captar mais capital e sustentar seus planos de expansão. Embora essas companhias afirmem estar apenas acompanhando a demanda, a disputa por recursos entre investidores tem aumentado, segundo a CNN.
Ted Mortonson, estrategista de investimentos da Baird especializado no setor de tecnologia, resumiu o clima à CNN: "Todo mundo está tentando entrar pela porta ao mesmo tempo, e isso deixa as pessoas em alerta". A reportagem conclui que Wall Street está cada vez mais desconfiada em relação à construção acelerada de data centers, e que empresas que consomem fluxo de caixa livre vêm sendo penalizadas pelo mercado.
O que isso significa para o investidor
O episódio reforça um ponto central para quem acompanha a corrida da inteligência artificial: o mercado deixou de aceitar gastos bilionários sem exigir sinais claros de retorno. A diferença de tratamento entre Alphabet e Microsoft — uma com fluxo de caixa livre negativo, outra ainda gerando caixa positivo mesmo investindo pesado — sugere que investidores começam a discriminar entre empresas que financiam a expansão de IA sem comprometer a saúde financeira e as que não conseguem fazer isso.
Para quem investe em ações de tecnologia ligadas a IA, o caso da Alphabet é um lembrete de que resultados de receita e indicadores como fluxo de caixa livre voltaram a ganhar peso nas decisões de alocação, mesmo em meio ao entusiasmo com data centers e novos produtos. Acompanhar os próximos balanços trimestrais das grandes plataformas — e verificar se o padrão de queima de caixa persiste ou se reverte — será um termômetro relevante para avaliar se o ciclo de investimentos em IA está, de fato, sustentável.
Vale observar também o desdobramento do IPO da Anthropic e como contratos de uso de capacidade computacional com fornecedores como a Alphabet se traduzem (ou não) em receita efetiva. Por fim, o aumento da disputa por capital nos mercados de dívida, mencionado por fontes ouvidas pela CNN, é um ponto a monitorar: um ambiente de crédito mais apertado pode elevar o custo desses projetos e pressionar ainda mais as margens das empresas mais expostas à corrida da IA.
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