A Alphabet, controladora do Google, viu seu valor de mercado recuar em mais de US$ 500 bilhões (£374 bilhões) na quinta-feira, depois de divulgar o balanço trimestral que encerra o ano para os investidores, segundo reportagem da BBC. A empresa reconheceu que os resumos gerados por inteligência artificial nas buscas estão afetando a receita publicitária, o que fez as ações caírem a uma mínima de seis meses.
A mesma semana trouxe atualizações de Microsoft e Amazon, que, assim como a Alphabet, sinalizaram a manutenção de gastos bilionários na corrida por IA. Segundo a BBC, os investidores reagiram com desconfiança diante do impacto desses investimentos sobre a capacidade de cada companhia de continuar expandindo seus negócios centrais.
A IA do Google corrói o próprio negócio de buscas
À primeira vista, os resultados trimestrais da Alphabet não pareciam ruins: a receita total cresceu 25% na comparação anual, atingindo US$ 127,6 bilhões, impulsionada pelo avanço contínuo do Google Cloud, cuja receita saltou 103%, para quase US$ 31 bilhões.
No entanto, o lucro da companhia caiu 25% no período. Pela segunda vez em sua história como empresa de capital aberto, a Alphabet apresentou fluxo de caixa livre negativo — desta vez superior a US$ 9 bilhões, quase o dobro do déficit registrado três meses antes, de acordo com a BBC.
O fluxo de caixa representa o dinheiro que sobra depois de pagar operações e investimentos. Na prática, a Alphabet está gastando mais do que arrecada, e esse novo patamar de despesas está quase inteiramente ligado aos investimentos em IA do Google.
Ao fim do pregão de quinta-feira, o valor de mercado total da companhia havia caído para US$ 3,46 trilhões, ante US$ 3,97 trilhões no dia anterior, informa a BBC.
O mecanismo de busca do Google passou a exibir, por padrão, resumos gerados por IA para as consultas dos usuários, o que reduziu o número de anúncios vendidos no período — e a venda de publicidade ao lado dos resultados de busca representa a maior parte do negócio da Alphabet.
Tracy Woo, analista principal da Forrester, afirmou à BBC que o resultado decepcionante do negócio de buscas 'evidencia o desafio de financiar investimentos massivos em IA mantendo a força dos negócios já estabelecidos'.
Ainda assim, Phillip Schindler, diretor comercial do Google, disse na quarta-feira sentir-se 'muito bem com nossa trajetória' na versão de busca voltada para IA. Apesar da declaração, as ações da companhia caíram quase 13% na quinta-feira, o segundo pior desempenho do ano, segundo a reportagem.
Mercado não compra as apostas de Amazon em negócios de US$ 1 trilhão
As ações da Amazon também recuaram na quinta-feira, após resultados que frustraram investidores: os papéis caíram 6% no pregão estendido, aponta a BBC.
A empresa registrou crescimento de vendas trimestrais de 11%, para US$ 201 bilhões, mas revelou um fluxo de caixa negativo de US$ 42 bilhões — número que mostra não apenas que a Amazon gasta mais do que arrecada, mas que esse gasto sextuplicou em apenas três meses.
O CEO Andy Jassy afirmou que parte do investimento se justifica pela chance de a empresa desenvolver não um, mas dois negócios capazes de gerar US$ 1 trilhão em receita no futuro, sem especificar quais seriam. Durante teletonferência com analistas financeiros, ele mencionou repetidamente a oportunidade representada pela fabricação e venda de chips próprios da Amazon, além da plataforma de desenvolvimento de IA Bedrock, que oferece a usuários pagantes acesso à maioria dos principais modelos e ferramentas de IA do mercado.
'Uma das lições que aprendemos em mais de 20 anos é que não existe uma única ferramenta para dominar o mundo inteiro', disse Jassy, segundo a BBC. 'As pessoas sempre presumem que o que está na liderança no início será a única coisa usada — isso nunca é verdade.'
Questionado repetidas vezes sobre os gastos da companhia, Jassy admitiu que 'seria mais conveniente' se estivessem distribuídos ao longo dos próximos 25 anos. 'Não é o mundo em que vivemos', completou. 'Podemos financiar esse plano, e acho que ele vai mudar para sempre o tamanho, a receita e o fluxo de caixa livre da Amazon.'
Microsoft reacende a dúvida sobre o valor real da IA
A reação de Wall Street ao balanço da Microsoft foi mais branda: as ações caíram menos de 1% na quinta-feira, segundo a BBC.
A companhia, também uma das maiores investidoras da OpenAI, reduziu em cerca de US$ 5 bilhões os investimentos destinados a IA. Ainda nesta semana, revelou planos de cortar milhares de postos de trabalho, medida que deve reduzir ainda mais os custos da empresa.
Por outro lado, a receita da Microsoft cresceu 19% na comparação anual, atingindo US$ 92,3 bilhões no trimestre, com o negócio de nuvem — considerado crucial — avançando 30%, para US$ 63 bilhões.
O CEO Satya Nadella disse que o uso do Copilot, assistente de IA da empresa, levou a 'tarefas automatizadas praticamente dobrarem desde julho', com o número de usuários diários crescendo 500% em relação ao ano anterior.
Normalmente, a combinação de menor gasto com crescimento de vendas agrada investidores. Mas, segundo Tracy Woo, da Forrester, o mercado está tentando enxergar mais à frente para identificar quais negócios realmente vão cumprir as grandes promessas em torno da IA.
'Os resultados da Microsoft reforçam que a demanda corporativa por IA segue forte, mas também destacam uma questão muito maior para a indústria de tecnologia: onde, afinal, o valor da IA será capturado', afirmou Woo à BBC.
O que isso significa para o investidor
Os três balanços da semana confirmam um padrão que a cobertura da AAR News já vinha sinalizando: o mercado chega à temporada de resultados das Big Techs em estado de atenção redobrada, como mostrou a matéria sobre os futuros de Wall Street à espera justamente dos números de Alphabet e Microsoft, divulgada em 27/10/2026. O que a reação de quinta-feira evidencia é que crescimento de receita já não basta — o mercado está precificando o custo de oportunidade dos bilhões direcionados à IA, cobrando sinais claros de retorno.
O caso da Alphabet é o mais direto: a canibalização da publicidade de busca pelos próprios resumos de IA expõe um risco estrutural que afeta a principal fonte de receita da empresa, não apenas uma linha de negócio secundária. Já os números de fluxo de caixa negativo da Amazon e da própria Alphabet — com a Amazon registrando salto de seis vezes no consumo de caixa em três meses — reforçam a leitura de que o ciclo de investimento em IA ainda não tem data definida para maturar.
Vale lembrar o contexto mais amplo já registrado pela AAR News em 27/10/2026: o crescimento da dívida de margem em Wall Street vinha desacelerando, de 53,7% em maio para 31,4% em setembro, segundo dados do BofA citados naquela cobertura — um padrão historicamente associado a topos de mercado. Combinada aos resultados desta semana, essa dinâmica sugere que o apetite por risco em torno das teses de IA pode estar entrando em fase de maior seletividade.
Para quem investe no Brasil com exposição a essas companhias, via BDRs, fundos internacionais ou ETFs, o episódio reforça a necessidade de acompanhar não apenas o crescimento de receita das Big Techs, mas principalmente a evolução do fluxo de caixa livre e o ritmo de conversão dos investimentos em IA em resultado efetivo — métricas que, segundo a análise da Forrester citada pela BBC, devem seguir no centro do debate nos próximos trimestres.
Agregado por AAR News · fonte: BBC
Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos
