As ações da Alphabet recuaram com força logo na abertura do pregão desta quinta-feira, caindo 13% nas negociações iniciais, enquanto os papéis da Microsoft praticamente não se moveram. O contraste reflete a forma como o mercado reagiu aos números de investimento e geração de caixa divulgados pelas duas gigantes de tecnologia em seus balanços do terceiro trimestre, segundo a CNBC.
Caso o recuo se confirme até o fechamento, a Alphabet pode registrar sua pior reação pós-resultados já vista: para isso, basta que a queda ultrapasse 9,77%, patamar que tornaria esta a maior retração diária da história da empresa desde sua estreia na bolsa, em 2004, de acordo com a reportagem.
Capex e caixa livre em rota oposta
A Microsoft informou US$ 45,2 bilhões em despesas de capital e arrendamentos financeiros no trimestre, valor 30% superior ao registrado um ano antes, mas abaixo da projeção de analistas, que esperavam US$ 50,67 bilhões. O fluxo de caixa livre da companhia caiu 27%, para US$ 18,63 bilhões, mas permaneceu positivo, conforme os dados citados pela CNBC.
A Alphabet, por sua vez, reportou fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,07 bilhões no terceiro trimestre, resultado consideravelmente pior do que a expectativa de analistas, que projetavam um número negativo de US$ 2,70 bilhões. Mesmo assim, a empresa manteve sua projeção de capex para o ano cheio entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões, segundo a reportagem.
O pano de fundo é o escrutínio crescente dos investidores sobre os planos de investimento em inteligência artificial das grandes empresas de tecnologia, que agora cobram sinais mais claros de retorno sobre esses aportes bilionários.
Ben Barringer, chefe global de pesquisa em tecnologia da Quilter Cheviot, avaliou que a Microsoft está conduzindo sua expansão de infraestrutura de forma mais controlada, com menos surpresas para o mercado. Já a Alphabet, segundo ele, teve suas ações penalizadas após o horário de pregão por causa de um conjunto de resultados considerado confuso e de uma teleconferência de resultados mal conduzida, nas palavras do analista reproduzidas pela CNBC.
Buscas sob pressão da concorrência em IA
A receita de publicidade em buscas, principal fonte de receita da Alphabet, cresceu 12% no trimestre encerrado em setembro, somando US$ 63,35 bilhões — mas o número ficou abaixo das expectativas dos analistas, o que adicionou pressão extra sobre as ações da companhia, de acordo com a reportagem.
Philipp Schindler, diretor comercial da Alphabet, atribuiu parte do impacto no negócio de buscas a uma monetização ainda menor dentro do AI Mode da empresa. Ele afirmou que a Alphabet está agora em processo de escalar os anúncios dentro de seus produtos AI Overviews e AI Mode, incluindo mercados internacionais, segundo suas declarações citadas pela CNBC.
O negócio de buscas do Google enfrenta a concorrência crescente de outros chatbots de inteligência artificial, como o ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic. A reportagem destaca que usuários podem estar realizando um volume maior de consultas fora do ecossistema Google, enquanto o Gemini, chatbot próprio da companhia, não teria conseguido acompanhar o ritmo dos concorrentes.
Barringer resumiu o momento da Alphabet como um dilema clássico de inovação: a empresa não sabe se deve proteger seu negócio principal de buscas ou se lançar de forma mais agressiva na disrupção trazida pela inteligência artificial. Segundo o analista, esse impasse fez a companhia perder terreno com o Gemini e ficar atrás de concorrentes no campo da chamada IA agêntica, conforme trecho reproduzido pela CNBC.
O que isso significa para o investidor
A reação do mercado expõe uma diferenciação relevante entre as big techs que apostam pesado em inteligência artificial: não basta gastar, é preciso mostrar disciplina de capital e previsibilidade de retorno. A Microsoft, mesmo elevando capex em ritmo expressivo, manteve geração de caixa positiva e surpreendeu menos o mercado — fator que parece ter blindado suas ações no pregão desta quinta-feira.
Já o caso da Alphabet ilustra o risco que investidores expostos a gigantes de tecnologia vêm monitorando com mais atenção: fluxo de caixa negativo acima do esperado, combinado a sinais de desaceleração no núcleo de receita — a publicidade em buscas — pode gerar reações desproporcionais, mesmo quando a companhia mantém sua guidance de investimento inalterada.
Para quem acompanha a tese de inteligência artificial na carteira, o episódio reforça a necessidade de olhar não apenas para o tamanho do capex anunciado, mas para a qualidade da execução e para a capacidade de cada empresa de converter esses investimentos em monetização efetiva — como no caso da Alphabet com AI Overviews e AI Mode, ainda em fase de escala.
Vale acompanhar os próximos trimestres para verificar se a Alphabet consegue reverter a percepção de atraso em IA agêntica frente a concorrentes e se a monetização de seus novos produtos de busca com IA evolui o suficiente para estabilizar a receita publicitária, hoje seu principal motor de caixa.
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