A capital saudita voltou a ser alvo de um ataque contra sua principal porta de entrada aérea, segundo autoridades do país. De acordo com a BBC, um porta-voz militar saudita confirmou que um projétil atingiu o Aeroporto Internacional Rei Khalid no domingo, provocando um incêndio em um dos salões de passageiros, e a autoridade de aviação civil da Arábia Saudita informou que houve feridos.
O episódio ocorre um dia depois de um ataque ao mesmo aeroporto ter matado 13 pessoas e ferido 308, repetindo uma sequência de ataques registrada ao longo da semana, segundo a reportagem.
Houthis reivindicam autoria e ameaçam novos alvos
Os houthis, grupo que controla parte do território iemenita, afirmaram ser responsáveis pelos ataques e alertaram companhias aéreas e passageiros a evitarem aeroportos e o espaço aéreo saudita, de acordo com o material da BBC.
Segundo o grupo, o aeroporto de Riad foi atingido nas últimas 24 horas com uma combinação de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones. O porta-voz militar houthi, Brigadeiro-General Yahya Saree, disse ainda que instalações petrolíferas e o aeroporto de Dammam, no leste saudita, também foram alvo das ações.
Saree prometeu a continuidade de "operações crescentes no interior da Arábia Saudita" e declarou que todos os aeroportos sauditas são alvos potenciais, com exceção das cidades sagradas de Meca e Medina, segundo a BBC.
O grupo justifica a escalada como resposta ao apoio saudita às forças governamentais na guerra civil do Iêmen, além de um ataque aéreo ao aeroporto de Sanaa, segundo o material original.
Defesas interceptam mísseis, mas fogo atinge terminal
O major-general Turki al-Maliki, porta-voz da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, disse no domingo que as defesas antiaéreas interceptaram um míssil nas proximidades do aeroporto de Riad, enquanto as autoridades combatiam o incêndio causado por um "projétil não identificado" que atingiu o Salão de Passageiros número 4, de acordo com a BBC.
Reação internacional e vítimas de diferentes nacionalidades
O ataque de sábado foi classificado pela reportagem como o mais letal já registrado contra um país do Golfo Árabe desde o início do conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã, em fevereiro. A coalizão liderada pela Arábia Saudita prometeu resposta e chamou o episódio de "crime de guerra".
Entre os mortos estavam quatro cidadãos sauditas, dois nacionais de Bangladesh e uma pessoa de cada um dos seguintes países: Estados Unidos, Jordânia, Palestina, Síria, Sudão e Egito, segundo a autoridade de aviação civil saudita citada pela BBC.
A embaixada da Índia na Arábia Saudita informou no domingo que um cidadão indiano morreu em decorrência dos ferimentos sofridos no ataque.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, condenou os ataques e confirmou a morte de um cidadão americano. O chanceler britânico Ed Miliband disse estar "horrorizado" com o episódio, de acordo com o material.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o governo americano vai "tomar uma decisão" e agir "muito rapidamente" sobre uma eventual resposta militar aos houthis. Já o secretário de Defesa britânico, Wes Streeting, sugeriu que o Reino Unido poderia "potencialmente" oferecer mais apoio à Arábia Saudita, segundo a reportagem.
O Foreign Office britânico recomenda evitar viagens a partes da Arábia Saudita, incluindo áreas a até 10 quilômetros da fronteira com o Iêmen, e outras embaixadas ocidentais também emitiram alertas de viagem para a região, segundo a BBC.
Ataque a Sanaa e pano de fundo do conflito
A emissora houthi Al Masirah TV afirmou que "o inimigo saudita" lançou um ataque aéreo contra o Aeroporto Internacional de Sanaa, capital do Iêmen. A Arábia Saudita não confirmou o ataque, e a BBC informou não ter conseguido verificar a alegação de forma independente.
Abdullah Al-Alimi Bawazir, vice-presidente do governo iemenita reconhecido internacionalmente, pediu "ações decisivas" de parceiros regionais e internacionais, segundo o material.
O aeroporto de Riad já havia sido atingido na quinta-feira anterior, em ataque que matou três cidadãos sauditas. Os houthis reivindicaram a autoria e disseram ter usado mísseis de cruzeiro contra o terminal, de acordo com a reportagem.
A escalada mais recente ocorre após o colapso, em julho, de um cessar-fogo temporário entre houthis e forças lideradas pela Arábia Saudita, que havia sido negociado em 2022. O conflito se agravou depois que os houthis tomaram trechos estrategicamente importantes da costa do Mar Vermelho em uma ofensiva rápida, o que provocou ataques sauditas; forças pró-governo iemenitas afirmaram posteriormente ter retomado o controle dessas regiões, segundo a BBC.
O material da BBC aponta que os houthis controlam atualmente cerca de um quarto do território iemenita e até 80% da população do país, e que o grupo, apoiado pelo Irã, busca eventualmente assumir o controle total da nação. A Arábia Saudita teme que isso resulte na formação de um Estado satélite iraniano em sua fronteira sul, segundo a reportagem.
O que isso significa para o investidor
A escalada de ataques contra infraestrutura aeroportuária e petrolífera saudita reacende um risco geopolítico que historicamente pressiona o mercado de petróleo, dado o peso da Arábia Saudita na oferta global. Investidores com exposição a commodities energéticas tendem a monitorar de perto novos episódios de ataques a instalações de óleo, já citados pelos houthis como alvo, para avaliar riscos de disrupção na produção ou exportação saudita.
A reação de Estados Unidos e Reino Unido, que sinalizam possível resposta militar mais incisiva, é outro fator a observar: qualquer decisão de Washington sobre ataques aos houthis, mencionada por Trump como iminente, pode alterar rapidamente a percepção de risco regional e afetar ativos ligados ao Oriente Médio, incluindo moedas e bolsas de países do Golfo.
Para quem acompanha mercados emergentes e ativos de renda fixa soberana da região, o colapso do cessar-fogo de 2022 e a escalada de ataques sugerem um cenário de maior volatilidade geopolítica no curto prazo. Vale acompanhar comunicados oficiais de governos ocidentais sobre restrições de viagem e segurança, que também sinalizam o grau de deterioração da situação e podem impactar setores como aviação e turismo na região.
Agregado por AAR News · fonte: BBC
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