Mercados · Internacional

Ações da Berkshire resistem a queda do mercado e voltam perto de recorde histórico

Papéis da companhia de Warren Buffett fecharam sexta-feira no maior nível desde o anúncio da saída de Buffett do cargo de CEO, segundo a CNBC

Ações da Berkshire resistem a queda do mercado e voltam perto de recorde histórico
CNBC

Ler na fonte → CNBC

As ações da Berkshire Hathaway encerraram a sessão de sexta-feira no patamar mais alto desde que Warren Buffett comunicou aos acionistas, na assembleia anual de maio de 2025, que deixaria o cargo de CEO ao final daquele ano. A informação é da CNBC, que acompanha de perto os movimentos da holding comandada agora por Greg Abel.

A recuperação chama atenção porque, no dia anterior ao anúncio, as ações das classes A e B da companhia haviam fechado em máximas históricas. Nos três meses seguintes à revelação, os papéis perderam mais de 14% de valor, hoje investidores temiam que o chamado 'prêmio Buffett' embutido no preço das ações estivesse se dissipando, segundo a reportagem.

Da mínima pós-anúncio à quase recuperação total

Mais de um ano se passou desde a mínima registrada em agosto de 2025, logo após a assembleia, e a trajetória de recuperação não foi linear, de acordo com a CNBC. Ainda assim, as ações classe A (BRK.A) fecharam sexta-feira a US$ 798 mil, apenas 1,4% abaixo da máxima histórica de fechamento de US$ 809.350. As ações classe B (BRK.B) terminaram o pregão a US$ 532,02, também 1,4% abaixo do recorde de fechamento de US$ 539,80.

Uma queda na quinta-feira interrompeu uma sequência de dez pregões consecutivos de alta que havia adicionado 5% ao valor das ações da Berkshire. Na sexta-feira, porém, os papéis voltaram a subir mais de 1%, retomando o movimento de recuperação, segundo a matéria.

Abel movimenta o caixa da holding

A CNBC Pro, serviço de análise da emissora, avalia que parte do entusiasmo dos investidores decorre do fato de a Berkshire estar finalmente utilizando parte de seu volumoso caixa sob a gestão de Greg Abel. No segundo trimestre, a companhia realizou US$ 4,5 bilhões em recompras de ações, além de ter feito investimentos em Alphabet, Taylor Morrison Home, Lennar — embora não haja registro de novas compras dessa última ação desde 2 de outubro — e, mais recentemente, na companhia italiana Bending Spoons.

O analista Meyer Shields, da Keefe, Bruyette & Woods, citado pela CNBC Pro, atribui parte da valorização recente das ações ao patamar mais alto das taxas de juros de curto prazo. Segundo ele, a Berkshire mantém cerca de US$ 360 bilhões em caixa, o que seria 'um bom símbolo da paciência continuada sob o novo CEO', e, com juros mais elevados, a companhia passa a gerar mais receita sobre esses recursos parados.

A reportagem destaca ainda que as operações de seguros da Berkshire têm se beneficiado de uma temporada de furacões até aqui tranquila, reduzindo sinistros no segmento.

Petróleo, Chevron e a rotação para ativos de 'velha economia'

A alta dos preços do petróleo também favorece a participação de US$ 19 bilhões da Berkshire na Chevron, cujas ações fecharam sexta-feira em máxima histórica, acumulando ganho de quase 36% desde o início de julho, segundo a CNBC. As subsidiárias do setor de energia da holding também estariam sendo beneficiadas por esse cenário.

Outro fator citado pela reportagem é um possível movimento de rotação de investidores, que estariam deixando ações ligadas a inteligência artificial e tecnologia de alto desempenho para migrar a nomes tradicionais da chamada 'velha economia' — segmento em que a Berkshire tem forte presença histórica.

A Coca-Cola, participação de longa data de Buffett e hoje avaliada em US$ 37,6 bilhões na carteira da Berkshire, também fechou sexta-feira em máxima histórica, possivelmente impulsionada pela troca da KFC, que passou a vender produtos da Coca-Cola no lugar da Pepsi. As ações da fabricante de bebidas acumulam alta de 34% no ano, segundo a matéria.

A posição em Coca-Cola ganhou US$ 2,4 bilhões em valor desde a sexta-feira anterior, ultrapassando a Alphabet e se tornando a terceira maior participação do portfólio da Berkshire, de acordo com o ranking das dez maiores posições mencionado pela CNBC.

Desempenho ainda abaixo do S&P 500, mas gap diminui

Apesar da recuperação, as ações classe B da Berkshire ainda não eliminaram totalmente a defasagem em relação ao índice S&P 500. Em 1º de junho, o déficit acumulado em relação ao benchmark era de 17,5 pontos percentuais; segundo a CNBC, essa diferença já foi reduzida em quase dois terços, restando hoje um atraso de 6,0 pontos percentuais no acumulado do ano.

A aposta atípica em Bending Spoons

Entre os movimentos recentes de Abel, a reportagem destaca uma aposta pouco usual para o perfil histórico da Berkshire: um investimento próximo de US$ 1 bilhão na Bending Spoons, companhia italiana de tecnologia que estreou na Nasdaq em julho. A empresa adquire marcas de internet que caíram em desuso, como AOL, Evernote e Vimeo, usa inteligência artificial para cortar custos e reinveste a economia gerada em novas aquisições.

No fim de julho, a própria CNBC Pro já havia relatado que 'o mercado está em polvorosa' em torno do papel, com analistas prevendo ganhos expressivos adiante. A reportagem reforça que se trata de uma ação atípica para os critérios tradicionais de valor usados pela Berkshire, já que é negociada a um múltiplo elevado sobre seus lucros.

Novo aporte e os números por trás da operação

Antes da abertura do mercado na quarta-feira, um comunicado da Bending Spoons revelou que a Berkshire realizaria um aporte adicional de US$ 330 milhões na companhia, por meio da compra de 10 milhões de ações recém-emitidas a US$ 33 cada, em uma colocação privada. O valor representava um desconto de quase 12% em relação ao fechamento de terça-feira, de US$ 37,86 — e a notícia fez as ações dispararem ainda mais.

Os papéis chegaram a atingir uma máxima intradiária de US$ 58,56 antes de fechar a quarta-feira com alta de 41%, a US$ 53,46. Desde a divulgação do aporte, as ações acumulam valorização de 24,3% em três pregões, mesmo após perderem parte dos ganhos durante a liquidação do setor de tecnologia observada na sexta-feira, encerrando o período a US$ 47,07 — ainda 42,6% acima do preço de US$ 33 pago pela Berkshire, o que representa um lucro em papel de quase US$ 141 milhões.

O mesmo comunicado revelou, aparentemente pela primeira vez, que a Berkshire já havia investido US$ 600 milhões na Bending Spoons por ocasião da oferta pública inicial (IPO), feita mais de três meses antes. O documento não especifica quantas ações foram adquiridas naquele momento; considerando o preço de IPO de US$ 29 por ação, a compra inicial teria envolvido cerca de 20,7 milhões de papéis, segundo estimativa da CNBC.

Somando as duas operações, a participação da Berkshire chegaria a cerca de 30,7 milhões de ações, avaliadas em mais de US$ 1,4 bilhão ao preço de fechamento de sexta-feira — um ganho de 55,3% sobre o investimento total de US$ 930 milhões. O comunicado da Bending Spoons afirma que o novo aporte eleva a participação da Berkshire a 4% da empresa.

Em resposta por e-mail à CNBC, a Bending Spoons informou que ainda não divulgou 'especificamente' o número total de ações em circulação, mas confirmou que tinha 635 milhões de ações diluídas em média ponderada no segundo trimestre, emitiu 34 milhões de ações no IPO e emitirá mais 10 milhões como parte da operação atual. Com base nesses números, a reportagem calcula que a participação de 30,7 milhões de ações da Berkshire equivaleria a uma fatia de 4,5% da empresa — valor que a CNBC diz ter incluído, por ora, em seu rastreador do portfólio da Berkshire.

A própria CNBC ressalva que mais detalhes devem surgir no mês que vem, quando a Berkshire divulgar o retrato de seu portfólio referente a 30 de setembro. Também permanece sem resposta quem, dentro da estrutura da Berkshire, tomou a decisão de investir na companhia italiana.

Reações de executivos e analistas

O CEO e cofundador da Bending Spoons, Luca Ferrari, demonstrou entusiasmo com o aporte. No comunicado da empresa, ele afirmou que a Berkshire 'tem sido uma das mais respeitadas alocadoras de capital do mundo' e representa 'uma inspiração de longa data' para a Bending Spoons.

Greggory Warren, analista da Morningstar que atuou como um dos questionadores oficiais nas assembleias de acionistas da Berkshire entre 2014 e 2019, avalia que a aposta em Bending Spoons, somada à participação de US$ 36 bilhões em Alphabet, mostra que a companhia está finalmente saindo de sua zona de conforto na busca por lugares para alocar capital — movimento que, em sua visão, deveria ser visto como positivo pelos investidores de longo prazo.

Já Andrew Bary, da Barron's, pondera que muitos acionistas da Berkshire gostariam de ver a companhia investir de forma mais agressiva em ações, dado o caixa superior a US$ 350 bilhões disponível, mas reconhece que a escolha pela Bending Spoons surpreendeu justamente por envolver uma avaliação elevada, fora do padrão habitual da empresa.

O que isso significa para o investidor

A reaproximação das ações da Berkshire de suas máximas históricas, menos de um ano e meio após o temor de que a saída de Buffett corroeria o chamado 'prêmio Buffett', sugere que o mercado está, por ora, validando a gestão de Greg Abel — tanto pela disciplina na alocação do caixa quanto pela disposição de assumir posições fora do padrão tradicional de valor, como a aposta em Bending Spoons. Para quem acompanha ações americanas do exterior, o caso ilustra como a transição de liderança em companhias historicamente associadas a uma figura única pode ser absorvida sem ruptura relevante de valor, desde que o novo comando mantenha coerência estratégica.

O pano de fundo de rotação de capital, com investidores migrando de tecnologia e inteligência artificial para nomes de 'velha economia', é especialmente relevante no momento atual: segundo dados do TradingView citados pelo AAR, em 18 de outubro de 2026 às 10h20 (horário de Brasília), o S&P 500 operava a 7.659,44 pontos, com queda de 1,09% no dia, enquanto o Nasdaq recuava 2,14%, a 26.140,03 pontos. Esse contexto de pressão sobre ações de tecnologia reforça a leitura de que ativos ligados a setores mais tradicionais, como seguros, energia e bens de consumo, podem seguir atraindo fluxo defensivo — o que ajuda a explicar a resiliência recente da Berkshire e de posições como Chevron e Coca-Cola.

Para o investidor brasileiro com exposição a ativos internacionais, o episódio da Bending Spoons merece atenção redobrada: trata-se de uma posição ainda recente, de alta volatilidade e sujeita a revisões relevantes quando a Berkshire divulgar oficialmente o tamanho exato da participação na próxima atualização trimestral de portfólio. Ganhos expressivos em papel, como os citados pela CNBC, não são garantia de retorno realizado, especialmente em um ativo que já demonstrou oscilações bruscas de preço em poucos dias de negociação. O acompanhamento das próximas divulgações regulatórias da Berkshire, bem como do comportamento das taxas de juros de curto prazo e dos preços de petróleo, deve ajudar a esclarecer se a recuperação recente das ações tem fôlego para romper o recorde histórico ou se trata de um movimento ainda sujeito a correções.

Agregado por AAR News · fonte: CNBC

Texto reescrito pela redação AAR com assistência de IA · confira a fonte · como produzimos